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sábado, 20 de abril de 2019

Sábado de Aleluia!

Era assim que se chamava o sábado que antecedia o Domingo de Páscoa, uma espécie de ante-celebração. Em casa da minha avó os preceitos da Semana Santa eram observados a sério. Já a tarde da Quinta-Feira Santa, a da Última Ceia, era de muita contenção. Na Sexta-Feira Santa, o dia da Paixão propriamente dito, não se comia carne e convidava a que houvesse pouco barulho e algumas rezas. Sabíamos que ali não podíamos andar na brincadeira, portanto, fazíamo-nos desentendidos para não ter de lá ir. Mas, nada feito, havia quase sempre recados da nossa mãe para a dela, o que coincidia com a hora de rezar o terço. Isso obrigava-nos a muita concentração e a estarmos quietos. As coisas abrandavam no sábado o que, para nós, meninada, era uma bênção.



Estas lembranças surgiram-me agora de manhã e, confesso, tive muita saudade desses tempos e da minha querida avó. Fui ver se haveria por aí nesse mundo virtual algo sobre o Sábado de Aleluia. Realmente há e é conhecido também como Sábado Santo, Sábado Negro e Véspera da Páscoa, o último dia da Semana Santa, na qual os cristãos se preparam para a celebração da Páscoa. Nele se celebra o dia em que o corpo de Jesus Cristo permaneceu sepultado no túmulo. 

Assim, aos crentes desejo uma boa preparação para o dia de amanhã e aos não-crentes um excelente dia com a família.


FELIZ PÁSCOA A TODOS!


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Sábado de Aleluia - aqui e aqui
imagem - daqui
  

sexta-feira, 3 de abril de 2015

No Jardim de Getsémani






Tinha eu treze anos quando li a Bíblia*. Tinha ido estudar para a casa de uns tios meus e um dia encontrei o livro de capa preta. Folheei-o e gostei do que diz João: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E toda aquela sequência que passava de um nome para o outro, quase uma lengalenga, uma história, maravilhava-me e procurava encontrar-lhe o sentido. E assim li-o todo, o Antigo e o Novo Testamentos, sem alarde, sem comentar nada com a minha tia a quem pertencia e que seguia a Religião Baptista, nem com ninguém. Durante esse ano lectivo foi o meu livro de cabeceira, imaginem. Nunca mais o li mas também nunca mais o esqueci.

Nesta semana, denominada de Semana Santa no mundo católico, chama-me especial atenção a Sexta-Feira da Paixão, mais precisamente os momentos que antecedem a detenção de Jesus. Depois de cear com os seus discípulos e de lhes comunicar que um deles iria traí-lo e entregá-lo, o Mestre recolhe-se em oração no jardim de Getsémani. Pede ao Pai que o poupe mostrando assim a sua fragilidade, a sua condição humana. Sofre de tal modo que, segundo Lucas, o suor lhe escorria em grandes gotas de sangue. Reconhecendo que o espírito está pronto mas a carne é fraca submete-se, contudo, à vontade do Pai e caminha para o sacrifício.

Embora sabendo-o de antemão, uma das situações que o terá ferido sobremaneira terá sido a rejeição dos seus discípulos na hora de maior aflição, encontrando-se sozinho no meio dos seus algozes. Nos últimos momentos sente a necessidade de exclamar: Meu Deus, meu Deus por que me abandonastes? É matéria de fé aceitar que Jesus Cristo se sujeitou à pior morte, morte na cruz, para a salvação dos pecadores. Mas, em termos humanos, não deixa de me comover a situação desse homem que num dia é aclamado e recebido em festa e poucos dias depois se vê sem apoio e executado como um criminoso. Um homem que anunciava o amor e a paz entre todos.

Matéria para reflexão, penso eu, sobre a efemeridade e fatuidade das coisas deste mundo se não as cimentarmos no amor e na solidariedade.

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*Voltarei com este tema um dia destes, mas numa outra vertente.:)