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domingo, 13 de novembro de 2016

Sentir o pulsar da vida



olhar sem distância
         acontece por vezes não encontrar um olhar
         que sirva de depósito para os meus sentimentos
         um rosto que aguardasse o tempo obscuro da minha vida
         ou um campo corporal que resgatasse o que é verdade nos meus actos
         escuto sempre o movimento de alguém a rastejar na minha direção
         como se as palavras que indicam os seus passos enlouquecidos
         não encontrassem o meu coração

         porque há palavras que se perdem na forma de as pensar
         e porque um olhar sem distância
         é a cegueira natural da humanidade.

sentir o tempo
         escrever é sentir o tempo
         imperdoável sobre a vida de quem pensa
         as imagens que entram em minha casa
         são luzes ambiciosas que se esgotam na razão de as sentir
         não desconheço que hajam forças que se temem
         como simplesmente contemplar uma idéia destruída
         um rascunho de medo transportado até ao limite

         o tempo é um assunto de deus e do silêncio
         assim como a escrita que provoca em cada acto
         a construção do sofrimento.

              -1961-

Sentir o pulsar a vida aqui nestes acordes de Leonard Cohen lembra-nos as palavras do grande Camões que gravou para sempre nos nossos corações o reconhecimento por aqueles que por "obras valerosas se vão da lei da morte libertando".

No mesmo passo, Fernando Esteves Pinto mostra-nos como as palavras devem trazer em si o gérmen da fertilidade de modo a poderem encontrar o caminho do coração.

E eu que por estes dias tenho vivido prostrada na mais malvada gripe, vejo como esta pode ser assustadora e incapacitante e como só lhe damos o devido valor quando ela nos ataca.

Meus amigos, desejo-vos um bom domingo.

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Poemas retirados do site de António Miranda