olhar sem distância
acontece
por vezes não encontrar um olhar
que sirva de depósito para os
meus sentimentos
um rosto que aguardasse o tempo obscuro da minha vida
ou um campo corporal que resgatasse o que é verdade nos meus actos
escuto sempre o movimento de alguém a rastejar na minha direção
como se as palavras que indicam os seus passos enlouquecidos
não encontrassem o meu coração
porque há palavras que se perdem na forma de as pensar
e porque um olhar sem distância
é a cegueira natural da humanidade.
um rosto que aguardasse o tempo obscuro da minha vida
ou um campo corporal que resgatasse o que é verdade nos meus actos
escuto sempre o movimento de alguém a rastejar na minha direção
como se as palavras que indicam os seus passos enlouquecidos
não encontrassem o meu coração
porque há palavras que se perdem na forma de as pensar
e porque um olhar sem distância
é a cegueira natural da humanidade.
sentir o tempo
escrever é sentir o tempo
imperdoável sobre a vida de quem pensa
as imagens que entram em minha casa
são luzes ambiciosas que se esgotam na razão de as sentir
não desconheço que hajam forças que se temem
como simplesmente contemplar uma idéia destruída
um rascunho de medo transportado até ao limite
o tempo é um assunto de deus e do silêncio
assim como a escrita que provoca em cada acto
a construção do sofrimento.
imperdoável sobre a vida de quem pensa
as imagens que entram em minha casa
são luzes ambiciosas que se esgotam na razão de as sentir
não desconheço que hajam forças que se temem
como simplesmente contemplar uma idéia destruída
um rascunho de medo transportado até ao limite
o tempo é um assunto de deus e do silêncio
assim como a escrita que provoca em cada acto
a construção do sofrimento.
-1961-
Sentir o pulsar a vida aqui nestes acordes de Leonard Cohen lembra-nos as palavras do grande Camões que gravou para sempre nos nossos corações o reconhecimento por aqueles que por "obras valerosas se vão da lei da morte libertando".
No mesmo passo, Fernando Esteves Pinto mostra-nos como as palavras devem trazer em si o gérmen da fertilidade de modo a poderem encontrar o caminho do coração.
E eu que por estes dias tenho vivido prostrada na mais malvada gripe, vejo como esta pode ser assustadora e incapacitante e como só lhe damos o devido valor quando ela nos ataca.
Meus amigos, desejo-vos um bom domingo.
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Poemas retirados do site de António Miranda