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sábado, 14 de dezembro de 2013

A Lenda da Flor de Natal


Procurando lendas e contos de Natal para as minhas lides, encontrei esta com o nome, 'A lenda da Flor de Natal'. Sabem, aquela linda flor que trazemos para casa ou que alguém nos oferece pelo Natal e que desfalece passado pouco tempo? Pelo menos a mim acontece-me sempre. Em todo o caso, posso atribuir isso a alguma falta de jeito da minha parte para a acondicionar de modo a proporcionar-lhe um ambiente propício. Precisamente por isso e querendo conservá-la de algum modo trago-a para aqui e ofereço-vo-la, nesta quadra festiva, juntamente com a lenda, desejando-vos muitas felicidades.

E reza assim:

A Lenda da Flor de Natal

Diz a lenda, que uma menina chamada Pepita, sendo pobre, não podia oferecer um presente merecedor ao menino Jesus, na missa de Natal. Muito triste, contou o facto ao seu primo Pedro, que ia com ela a caminho da igreja. Este disse-lhe que ela não tinha que estar triste, pois o que mais importa quando oferecemos algo a alguém, é o amor com que oferecemos, especialmente aos olhos de Jesus. Pepita lembrou-se então de ir recolhendo alguns ramos secos que ia encontrando pelo caminho, para Lhe oferecer.

Quando chegou à igreja, Pepita olha para os ramos que colheu e começa a chorar, pois acha esta oferenda muito pobre. Mesmo assim, decide oferecê-las com todo o seu amor. Entra na igreja e, quando deposita os ramos em frente da imagem do menino Jesus, estes adquirem uma cor vermelha brilhante, perante o espanto de toda a congregação presente. Este facto foi considerado por todos o milagre daquele Natal.



Já não é a primeira vez que aqui transcrevo lendas e mitos. Fi-lo há algum tempo numa série que denominei, Semana da Lusofonia no Xaile, procurando neles o fiozinho invisível que liga as pessoas nas suas tradições. Talvez um resquício dos tempos em que a história de um povo era transmitida oralmente, pelos mais velhos. Neles vemos o maravilhoso aliado a uma inverosímil e singela linguagem, e parece que têm o condão de nos convencer a aceitá-los tal como se apresentam. Tal como a figura do Pai Natal na qual acreditamos e colocamos os nossos mais íntimos desejos e quando chega a idade em que as ilusões se desfazem, sentimo-nos defraudados.




Mas eu, meus amigos, voltarei a ser criança e a acreditar se, para isso, a esperança se conservar no meu e nos vossos corações.


A todos um Bom Natal.

Ainda é ceeedo - diz-me uma vozinha. Não faz mal - respondo eu - daqui a alguns dias desejarei o mesmo, ainda mais efusivamente.

:)


Abraço

Olinda  


Lenda transcrita-aqui     

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Lenda do homem chamado Namarasotha - Moçambique


Havia um homem que se chamava Namarasotha. Era pobre e andava sempre vestido com farrapos. Um dia foi à caça. Ao chegar ao mato, encontrou uma impala morta. Quando se preparava para assar a carne do animal apareceu um passarinho que lhe disse:
- Namarasotha, não se deve comer essa carne. Continua até mais adiante que o que é bom estará lá.
O homem deixou a carne e continuou a caminhar. Um pouco mais adiante encontrou uma gazela morta. Tentava, novamente, assar a carne quando surgiu um outro passarinho que lhe disse:
- Namarasotha, não se deve comer essa carne. Vai sempre andando que encontrarás coisa melhor do que isso.
Ele obedeceu e continuou a andar até que viu uma casa junto ao caminho. Parou e uma mulher que estava junto da casa chamou-o, mas ele teve medo de se aproximar pois estava muito esfarrapado.
- Chega aqui!, insistiu a mulher.
Namarasotha aproximou-se então.
- Entra, disse ela.
Ele não queria entrar porque era pobre. Mas a mulher insistiu e Namarasotha entrou, finalmente.
- Vai te lavar e veste estas roupas, disse a mulher.
E ele lavou-se e vestiu as calças novas. Em seguida, a mulher declarou:
- A partir deste momento esta casa é tua. Tu és o meu marido e passas a ser tu a mandar.
E Namarasotha ficou, deixando de ser pobre.
Um certo dia havia uma festa a que tinham de ir. Antes de partirem para a festa, a mulher disse a Namarasotha:
- Na festa a que vamos quando dançares não deverás virar-te para trás.
Namarasotha concordou e lá foram os dois. Na festa bebeu muita cerveja de farinha de mandioca e embriagou-se. Começou a dançar ao ritmo do batuque. A certa altura a música tornou-se tão animada que ele acabou por se virar.
E no momento em que se virou, ficou como estava antes de chegar à casa da mulher: pobre e esfarrapado.
NOTA:
Todo o homem adulto deve casar-se com uma mulher de outra linhagem. Só assim é respeitado como homem e tido como «bem vestido». O adulto sem mulher é «esfarrapado e pobre». A verdadeira riqueza para um homem é a esposa, os filhos e o lar. Os animais que Namarasotha encontrou mortos simbolizam mulheres casadas e se comesse dessa carne estaria a cometer adultério. Os passarinhos representam os mais velhos, que o aconselham a casar com uma mulher livre. Nas sociedades matrilineares do Norte de Moçambique (donde provém este conto), são os homens que se integram nos espaços familiares das esposas. Nestas sociedades, o chefe de cada um destes espaços é o tio materno da esposa. O homem casado tem de sujeitar-se às normas e regras que este traça. Se se revolta e impõe as suas, perde o seu estatuto de marido e é expulso, ficando cada cônjuge com o que levou para o lar. Cumprindo sempre o que os passarinhos lhe iam dizendo durante a sua viagem em busca de «riqueza», Namarasotha acabou por encontrá-la: casou com uma mulher livre e obteve um lar. Mas por não ter seguido o conselho da mulher, perdeu o estatuto dignificante de homem adulto e casado.
Texto retirado de
AQUI


Imagem:Internet

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Lenda do tambor africano - Guiné-Bissau

Corre entre os Bijagós, da Guiné, a lenda de que foi o Macaquinho de nariz branco quem fez a primeira viagem à Lua.
A história começou assim:
Nas proximidades de uma aldeia, os macaquinhos de nariz branco, certo dia, de que se haviam de lembrar? De fazer uma viagem à Lua e trazê-la para baixo, para a Terra.
Ora numa bela manhã, depois de terem em vão tentado encontrar um caminho por onde subir, um deles, por sinal o mais pequeno, teve uma ideia: encavalitarem-se uns nos outros. Um agora, outro depois, a fila foi-se erguendo ao céu e um deles acabou por tocar na Lua.
Em baixo, porém, os macacos começaram a cansar-se e a impacientar- se. O companheiro que tocou na Lua nunca mais conseguia entrar. As forças faltaram-lhes, ouviu-se um grito, e a coluna desmoronou-se.
Um a um, todos foram arrastados na queda e caíram no chão. Apenas um só, só um macaquito, por sinal o mais pequeno, ficou agarrado à Lua, que o segurou pela mão e o ajudou a subir.

A Lua olhou-o com espanto e tão engraçadinho o achou que lhe deu de presente um tamborinho. O Macaquinho começou a aprender a tocar no seu tamborinho e por longos dias deixou-se ficar por ali. Mas tanto andou, tanto passeou, tanto no tamborinho tocou, que os dias se passaram uns atrás dos outros e o macaquinho de nariz branco começou a sentir profundas saudades da Terra e das gentes. Então, foi pedir à Lua que o deixasse voltar.
— Para que queres voltar?
— Tenho saudades da minha terra, das palmeiras, das mangueiras, das acácias, dos coqueiros, das bananeiras.
A Lua mandou-o sentar no tamborinho, amarrou-o com uma corda e disse-lhe:
— Macaquinho de nariz branco, vou-te fazer descer, mas toma tento no que te digo. Não toques o tamborinho antes de chegares lá abaixo. E quando puseres os pés na Terra, tocarás então com força para eu ouvir e cortar a corda. E assim ficarás liberto.
O Macaquinho, muito feliz da vida, foi descendo sentado no tambor. Mas a meio da viagem, oh!, não resistiu à tentação. E vai de leve, levezinho, de modo que a Lua não pudesse ouvir, pôs-se a tocar o tambor tamborinho. Porém, o vento soltando brandos rumores fazia estremecer levemente a corda. Ouviu a Lua os sons compassados do tantã e pensou: “O Macaquinho chegou à Terra”. E logo mandou cortar a corda.
E eis o Macaquinho atirado ao espaço, caindo desamparado na ilha natal. Ia pelo caminho diante uma rapariga cantando e meneando- -se ao ritmo de uma canção. De repente viu, com espanto, o infeliz estendido no chão. Mas tinha os olhos muito abertos, despertos, duas brasas produzindo luz.
O tamborinho estava junto dele. E ainda pôde dizer à rapariga que aquilo era um tambor e o entregava aos homens do seu país.
A moça, ainda não refeita da surpresa, correu o mais velozmente que pôde a contar aos homens da sua raça o que acabava de acontecer.
Veio gente e mais gente. Espalhavam-se archotes. Ouviam-se canções. E naquele recanto da terra africana fazia-se o primeiro batuque ao som do maravilhoso tambor.
Então os homens construíram muitos tambores e, dentro em pouco, não havia terra africana onde não houvesse esse querido instrumento.
Com ele transmitiam notícias a longas distâncias e com ele festejavam os grandes dias da sua vida e a sua raça.
O tambor tamborinho ficou tão querido e tão estremecido do povo africano que, em dias de tristeza ou em dias de alegria, é ele quem melhor exprime a grandeza da sua alma.


Texto retirado de
AQUI


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Deu-la-Deu Martins


Uma imagem de mulher, segurando um pão em cada mão do alto de uma torre, figura no brasão de Monção com a legenda: Deus a deu - Deus o há dado.


Esta é uma homenagem à coragem e astúcia de uma grande heroína, Deu-la-Deu Martins, mulher do capitão-mor de Monção, Vasco Gomes de Abreu. Esta mulher singular viveu no século XIV, no tempo das guerras entre D. Fernando de Portugal e D. Henrique de Castela.

Foi nesta conjuntura que o galego D. Pedro Rodriguez Sarmento pôs cerco a Monção com um poderoso exército, aproveitando a ausência temporária do seu capitão-mor. A vila aguentou o cerco sob o comando de Deu-la-Deu Martins, apesar da escassez de alimentos.

Mas a situação chegou a um ponto de desespero e foi então que Deu-la-Deu, com um sangue-frio notável, mandou fazer alguns pães da pouca farinha que restava. Deu-la-Deu subiu com os pães à muralha e atirou-os aos sitiantes, gritando-lhes que como abundavam as provisões na cidade e dada a duração do cerco, os galegos poderiam precisar de alimento.

O inimigo também estava cheio de fome e pensando que o cerco ainda poderia demorar mais tempo, decidiu retirar para Espanha. Este feito ficou para sempre na memória dos portugueses e deu origem ao costume de os vereadores do município se dirigirem ao túmulo de Deu-la-Deu, quando tomavam posse dos seus cargos, prestando-lhe homenagem.




Texto retirado de
AQUI

terça-feira, 15 de maio de 2012

A lenda do Rei Amador - São Tomé e Príncipe


O dia 4 de Janeiro tornou-se feriado nacional em homenagem ao Rei Amador, líder da revolta de escravos em 1595. Segundo a mitologia pós-colonial em São Tomé e Príncipe, o Rei Amador, representado nas notas bancárias do país, era rei dos angolares. A todos os visitantes do arquipélago, interessados na sua história, conta-se esta lenda, que foi divulgada desde a independência. No pequeno texto ‘Esboço Histórico das Ilhas de S. Tomé e Príncipe’, publicado em 1975 e atribuído ao historiador Carlos Neves lemos que “A 9 de Julho de 1595 o célebre Amador à frente dos Angolares, levanta o estandarte da revolta, mas é preso e morto em 1596.” Esta versão também se encontra em obras literárias da temática santomense.
Por exemplo, na sua peça ‘Teatro do Imaginário Angolar’ o escritor português com ascendência santomense-angolar Fernando de Macedo Ferreira da Costa, explica que Amador é o “célebre guerreiro que, comandando as hostes Angolares (reforçadas de outros negros revoltados), ousou avançar sobre a capital de S. Tomé”.

Texto retirado de:
Imagem:internet

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lenda maubere


O crocodilo que se fez Timor

Disseram, e eu ouvi e acreditei, que há muitos séculos um crocodilo vivia num pântano. Este crocodilo sonhava crescer e ter mesmo um tamanho descomunal. Mas a verdade é que ele não só era pequeno, como vivia num espaço muito apertado. Tudo à sua volta era estreito, somente o seu sonho era grande.
Um pântano é o pior sítio para se morar... e, ainda por cima, sem alimentos em abundância, daqueles tão a gosto de um crocodilo!
Naturalmente que tudo tem um limite. Incluindo a resistência à fome. E o crocodilo começou a sentir a fraqueza que lhe quebrava o ânimo e o definhava. Os seus olhos iam-se amortecendo e já quase não podia levantar a cabeça e abrir a boca.

Tenho de sair deste lugar e procurar caça mais além... - pensou.
Esforçou-se e penosamente galgou a margem, caminhando através do lodo e, depois, da areia. O sol estava a pino, aquecendo a areia e transformando o chão em brasa. O crocodilo começou a perder o resto das suas forças e sentiu que se parasse ali, iria morrer assado.
Foi nessa altura que passou um rapazinho a cantarolar e quando o viu, perguntou:

Que tens Crocodilo?! Tens as pernas partidas ou caiu-te alguma coisa em cima?Não, não parti nada! - respondeu - Estou inteiro, mas, apesar de ser pequeno de corpo, há muito que não aguento com o meu próprio peso. Imagina que já nem tenho forças para sair deste braseiro.- Se é só por isso, posso ajudar-te! - respondeu o rapazinho e logo de seguida, deu uns passos, carregou o crocodilo e foi pô-lo à beira do pântano.

Quando o rapaz o poisou no chão molhado, o crocodilo sorriu, dançou com os olhos, sacudiu a cauda e disse-lhe:

Obrigado. És o primeiro amigo que encontro. Olha, não posso dar-te nada! Pouco mais conheco que este charco, aqui tão à nossa vista... mas se um dia quiseres passear por aí fora, atravessar o mar, vem ter comigo!Gostava mesmo, porque o meu grande sonho é ver que mais há por esse mar fora.Sonho?!!... falaste em sonho?!! Sabes, eu também tenho esse sonho! Se um dia quiseres viajar mar fora, vem ter comigo. – disse-lhe o crocodilo.

Passados uns tempos, o rapazinho apareceu ao crocodilo. Já quase o não reconhecia. Via-o já sem sinais das queimaduras, mais gordo, bem comido...

Ouve, Crocodilo, o meu sonho não acabou e eu não o aguento mais cá dentro! Gostava de me meter ao mar...O prometido é prometido... Aquele meu sonho... mas com a caça que tenho arranjado, quase me esqueci dele. Fizeste bem em vir lembrar-mo, rapazinho. Queres ir, agora mesmo, por esse mar fora?Isso, isso, crocodilo...

Pois, eu agora também quero ir. Vamos lá então!O rapazinho acomodou-se no dorso do crocodilo, como se fosse numa canoa, e partiram para o alto mar.
Era tudo tão grande e tão lindo!
O que mais surpreendia os dois era o próprio espaço, o tamanho que se estendia à sua frente e para cima, uma coisa sem fim.
E navegaram dia e noite, noite e dia, nunca paravam. Viram ilhas de todos os tamanhos, de onde as árvores e as montanhas lhes acenavam. E as nuvens também. Não sabiam se era mais bonito os dias se as noites, se as ilhas, se as estrelas.
Navegaram, navegaram sempre voltados para o sol, até que um dia o crocodilo se cansou.

Ouve-me rapazinho, já não posso mais! O meu sonho acaba mesmo aqui... - disse, com voz débil, o crocodilo.

O meu não vai acabar, nunca! - respondeu, o rapaz, com voz firme.

Ainda este não tinha terminado de dizer a última palavra e o crocodilo começou a transformar-se. Aumentou, aumentou de tamanho, sem nunca perder a sua forma primitiva, transformando-se numa ilha carregada de montes, de florestas e de rios.
É por isso que Timor tem a forma do crocodilo.


De Canto e Lenda Maubere, recolha de Fernando Sylvan.

Texto retirado de:
AQUI
Imagem:internet