O Amor dá-se de graça; a Glória é cara;
Esta é matrona grave, o outro é menino;
Cuida o Amor dum canteiro pequenino
E a Glória lavra intérmina seara.
O Amor é gastador, a Glória, avara;
Esta com siso marcha, o outro sem tino;
E aos ventos desnorteados do destino
Enquanto o Amor se apressa, a Glória pára.
Esta com siso marcha, o outro sem tino;
E aos ventos desnorteados do destino
Enquanto o Amor se apressa, a Glória pára.
Em bronze escreve a Glória, o Amor, na areia;
E enquanto ele escorrega, ela tateia
Do futuro nas brumas misteriosas…
E enquanto ele escorrega, ela tateia
Do futuro nas brumas misteriosas…
Frágeis rosas, o Amor. Quando eu morrer,
Dispenso os louros; cubram-me de rosas!
Dispenso os louros; cubram-me de rosas!
1869-1944
===
Poema: Banco de Poesia Fernando Pessoa
Imagem: Pixabay
Numa primeira fase, simbolista. Depois, neo-classicista. Voltado para a Antiguidade Clássica e com um pendor saudosista no que se refere ao passado português, características dos trabalhos das primeiras décadas do Século XX.
===
Poema: Banco de Poesia Fernando Pessoa
Imagem: Pixabay
