São, por vezes, compassivos os deuses
E, em seu arbítrio, permitem a glória de seu rosto.
E sonhos de Eternidade...
Incautos então os homens se incendeiam
Fogos-fátuos de intenso brilho a atravessar
O Universo. E a arder em Desejo fugidio.
E se esgotam em inútil bater de asas.
E nesse percurso de solidão e morte talvez
Um acaso de cor, ou um som inesperado,
Ou um clarão intenso, sejam lenitivo.
Ou sejam queda. Ou novo ritmo.
E regresso ao barro.
E talvez os deuses ignorem...
E o delírio passageiro se erga e ganhe forma
Inesperada. E Eros reine (breve que seja).
E amor seja florescência consumada.
E o sonho expluda. E as estrelas se percam
Em fantasmagórico bailado.
MANUEL VEIGA
in: Caligrafia Íntima
pg.58
Como preferir, Caro Poeta, determinado Poema seu em relação a outro ou outros também seus? Impossível! Assim, há que lê-los, apreciá-los e, num dia em que sentimos que nos falta algo, abrir um dos seus livros e apenas interiorizar aquele que aparecer. Acaso? Obra desses deuses compassivos, por vezes, e noutras jogando aos dados? Que importa? Deixemos então que o sonho expluda e as estrelas se percam em fantasmagórico bailado.
Meus amigos:
Deixo-vos este belo Poema de Manuel Veiga ao mesmo tempo que vos desejo a continuação de um bom fim-de-semana.
Abraço.
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Imagem: daqui


