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domingo, 6 de junho de 2021

Cantiga africana


"O ló kalunga uá mu bangele...”

Assim cantava Denxo,
Ao som do pilão
Cantiga que aprendera
Nas roças de S. Tomé.

"O ló kalunga uá mu bengele..."

Denxo cantava e soluçava
Ao compasso ritmado
Do pó batendo no pilão
Para milho, fazer cachupa

"Bangele-Lé Lelé..."

De balaio erguido na mão
Panela à espera do lume
Bolso sem um tostão
Denxo venteia seu milho

"Lé Lelé.."

Perdeu o alento
Sua canção desfeita em lágrima
Sobre o farelo caído no chão
Enquanto pensa no seu irmão
Que ficou na terra do café.





Ana Júlia Monteiro Macedo Sança, nasceu em Cabo Verde, na África de língua portuguesa.
Seu primeiro livro — Arco Vírus e Vibra Sóis foi publicado em 1985 pela editora Peregrinação.
Poetisa laureada, a Ana já ganhou prêmios em Itália, Portugal e Estados Unidos. É funcionária do Consulado-Geral de Portugal em Toronto (Canadá). aqui




Sobre o crioulo de São Tomé e Príncipe

O santome, também conhecido como forro, fôlô, lungwa santome, dialeto ou são-tomense, é uma língua crioula de base lexical portuguesa que surgiu no século xvi, na ilha de São Tomé, fruto do contacto entre o português e diversas línguas do continente africano. Depois do português, língua oficial, o santome é a segunda língua mais falada na República de São Tomé e Príncipe, mas não goza, atualmente, de estatuto oficial, embora tenha sido declarada uma das línguas nacionais, ao lado do angolar (ngola) e do principense (lung’ie). A primeira referência histórica ao santome data de 1627, altura em que o Padre Alonso de Sandoval, a partir de Cartagena (Colômbia), menciona a existência da lengua de San Thomé. Já no século xviii, mais precisamente em 1766, Gaspar Pinheiro da Câmara também faz alusão a esta língua ao escrever que he de saber que a gente natural destas ilhas tem lingoa sua e completa, com prenuncia labeal, mas de que não me consta haver inscripção alguma (...) (apud Espírito Santo 1998: 59, nota 1.). A língua escrita só apareceria pela primeira vez na segunda metade do século xix, quando autores como Francisco Stockler e António Lobo de Almada Negreiros, bem como os pioneiros dos estudos crioulos, Hugo Schuchardt e Adolpho Coelho, nos dão a conhecer os primeiros fragmentos nesta língua.  Ver mais aqui

Dá-se o nome de ‘língua crioula’ à língua que nasce do contato entre, normalmente, um povo expansionista e dezenas de outros povos confinados em um determinado ambiente”. Ou seja, “crioulo”, em linguística, nada tem a ver com etnias, mas sim 
com a criação de 
um idioma 
a partir da aglutinação e variação das culturas presentes 
em um determinado local. 
Ver mais


Boa semana, meus amigos.

Abraços


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Poema e imagem: site de António Miranda