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sábado, 2 de agosto de 2014

Bailemos já nós todas três, ai amigas

A minha colega Lourdes dizia que se especializaria em História da Idade Média e eu pensava: Que fraco gosto. Hoje, porém, sinto um certo encantamento ao ler esta bailia, imaginando-me à vista de aquestas avelaneiras frolidas, dançando, não à roda, mas como o fazem as três velidas louçanas folionas da imagem. Pois, de ritmo sabia Airas Nunez de Santiago que escrevia em galaico-português, a protolíngua donde derivaria o nosso idioma.

BAILEMOS!




Bailemos já nós todas três, ai amigas,
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida como nós velidas,
       se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
       verrá bailar.

bailemos já nós todas três, ai irmanas,
so aqueste ramo destas avelanas,
e quem for louçana como nós louçanas,
       se amigo amar,
so aqueste ramo destas avelanas,
       verrá bailar.

Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos,
so aqueste ramo frolido bailemos,
e quem bem parecer como nós parecemos,
      se amigo amar,
so aqueste ramo so l’ que nós bailemos,
      verrá bailar

Airas Nunez de Santiago
     1230-1289



Agosto entrou com cara de poucos amigos. Um tempo cinzento de que não desgosto. Traz-me saudades de lugares brumosos com laivos de tempos perdidos no tempo. Há gostos para tudo...

E daqui, deste espaço mental, eu vos saúdo, meus amigos.

Abraço

Olinda

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Poema: retirado do Banco de Poesia Fernando Pessoa
Imagem retirada do sítio inscrito na mesma.