A minha colega Lourdes dizia que se especializaria em História da Idade Média e eu pensava: Que fraco gosto. Hoje, porém, sinto um certo encantamento ao ler esta bailia, imaginando-me à vista de aquestas avelaneiras frolidas, dançando, não à roda, mas como o fazem as três velidas e louçanas folionas da imagem. Pois, de ritmo sabia Airas Nunez de Santiago que escrevia em galaico-português, a protolíngua donde derivaria o nosso idioma.
BAILEMOS!
Bailemos já nós todas três, ai amigas,
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida como nós velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida como nós velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
bailemos já nós todas três, ai irmanas,
so aqueste ramo destas avelanas,
e quem for louçana como nós louçanas,
se amigo amar,
so aqueste ramo destas avelanas,
verrá bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos,
so aqueste ramo frolido bailemos,
e quem bem parecer como nós parecemos,
se amigo amar,
so aqueste ramo so l’ que nós bailemos,
verrá bailar
Agosto entrou com cara de poucos amigos. Um tempo cinzento de que não desgosto. Traz-me saudades de lugares brumosos com laivos de tempos perdidos no tempo. Há gostos para tudo...
E daqui, deste espaço mental, eu vos saúdo, meus amigos.
Abraço
Olinda
E daqui, deste espaço mental, eu vos saúdo, meus amigos.
Abraço
Olinda
====
Poema: retirado do Banco de Poesia Fernando Pessoa
Imagem retirada do sítio inscrito na mesma.
Poema: retirado do Banco de Poesia Fernando Pessoa
Imagem retirada do sítio inscrito na mesma.
