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sexta-feira, 10 de julho de 2015

A palavra mágica

Por vezes sinto que já está tudo dito, tudo escrito, tudo falado. Que nada que se diga irá desviar o mundo da sua rota. Que o ser humano preocupado consigo próprio não se ocupa da grande tarefa de tentar adivinhar os gostos e as preocupações do outro: Se está triste procurar saber o porquê e consolá-lo; se está alegre, congratular-se com isso. Mas, não poucas vezes encontro pessoas que me fazem crer o contrário e uma lufada de esperança me invade. Com efeito, no nosso quotidiano vislumbro as que conseguem renovar-se e renovar a língua e a linguagem, com um toque de génio, um sorriso, um olhar. E eu aí fico contente e admiro essas pessoas. Como quando passo por alguém que abranda o passo e me diz: "Como está? Hoje o dia vai estar bonzinho". Parece banal, não é? São as tais palavras que de tão repetidas parecem banais mas que são o motor do nosso relacionamento humano. Outras há que de tão escondidas no nosso íntimo parecem nem existir.



Atentemos nestes dizeres:

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira 
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura 
ficará sendo 
minha palavra.  

É A Palavra Mágica, de Carlos Drummond de Andrade, aquela que nos fará sublimes se nos dedicarmos a encontrá-la. A tal que desbloqueará conversações, negociações, mal-entendidos. E, como diz o Poeta, "É a senha da vida, a senha do mundo".

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Diógenes de Sinope, pintado por Jean-Léon Gérôme