Iniciativa do amigo,
JUVENAL NUNES - PALAVRAS ALADAS
NATAL
Pergunto-me: como escrever sobre o Natal sem me repetir, nem repetir as talentosas palavras de quem ao longo de dois milénios
tem reflectido sobre o tema?
Como uma luz, de repente, deixei de me preocupar. Não há mal nenhum em nos repetirmos, pois o tema é Amor. Nunca será demais propalar aos quatro ventos a Boa Nova de nos amarmos uns aos outros. Precisamos de ouvi-la, sempre, como de pão para a boca.
Aliás, "Nem só do pão vive o homem, mas também da palavra de Deus", disse aquele que veio ensinar a humildade dos actos, dos gestos, da nossa postura na vida. Nascer, viver e morrer para que pudéssemos um dia alcançar a Bem-Aventurança é o maior legado que esse Menino-Deus nos deixou.
Tenhamos isso bem presente nos nossos corações, antes de entrarmos em guerras e quezílias.
Fala-se em consumismo desenfreado, especialmente nestas datas. Tenhamos contenção nos gastos, para o nosso bem e também pensando naqueles que nada têm.
Faz bem ao coração as palavras simples que nos dirigimos, onde quer que seja, no Café, nas Lojas, em estabelecimentos de toda a ordem:
Boas Festas! Feliz Natal! E ficamos com a grata ilusão de que nos amamos e desejamos o bem comum. E a verdade é que estamos a sentir o que dizemos.
O Milagre acontece.
É mágica esta quadra, não há dúvida.
O amigo Juvenal pediu "Um Poema de Natal" para este 2º Encontro Temático. Assim sendo, vou recorrer à grande Natália Correia, cujo Centenário se comemora no ano de 2023:
Falavam-me de Amor
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
in 'O Dilúvio e a Pomba'