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sexta-feira, 1 de maio de 2026

VENHAM MAIS CINCO

 


ZECA AFONSO
Venham mais cinco


Senhor de um invejável talento, que lhe dá para escrever, compôr, cantar, este é o nosso Zeca Afonso, de seu nome, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos. 

Da sua forja saiu Grândola Vila Morena* que foi escolhida como senha, indicando que a Revolução de Abril de 1974 estava em marcha e que era para ir até ao fim. Embora não tenha sido concebida com cariz de protesto cedo serviu para enviar uma nota altamente política ao Estado Novo. Tinha sido composta em 1971 após uma visita à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense de Grândola, no Alentejo, e gravada em França com a direcção de José Mário Branco.

Para assinalar o Centenário do nascimento de Zeca Afonso, 2029, o Município de Grândola criou uma Comissão, presidida por Francisco Fanhais. Este, padre incómodo, assumidamente contra a guerra colonial, impedido de dar aulas, suspenso das funções de padre e, muitas vezes, impedido de cantar, acompanhou Zeca Afonso e José Mário Branco na gravação de Grândola Vila Morena. Diz que: apanhou o comboio dos cantores que lutavam contra o regime 


E hoje, 1º de Maio, Dia do Trabalhador, trago "Venham mais cinco", para o festejarmos comme il faut .


Bom feriado, amigos.
Vou ausentar-me por 2 dias.
Voltarei no domingo.

Abraços
Olinda


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* "E depois do adeus" - foi a primeira senha radiofónica - cantada por Paulo de Carvalho, letra de José Niza e música de José Calvário
Francisco Fanhais - aqui


quarta-feira, 1 de maio de 2024

Dia do Trabalhador

É a primeira vez que assinalo, aqui, o 1º de Maio. Nestes 50 anos da Revolução achei por bem mencioná-lo. Foi graças a esse acontecimento, que nos trouxe a liberdade de expressão e de estar, que se tem podido festejar o Dia do Trabalhador, como é designado.

Hoje há que festejar o Dia e relembrar uma vez mais o país que tínhamos. E nada melhor do que Ary dos Santos, com a sua verve poética e declamação inspiradora para nos transmitir todos os detalhes.


Era uma vez um País
....onde entre o mar e a guerra,
 vivia o mais infeliz 
dos povos à beira-terra...



Ary dos Santos 
As Portas que Abril Abriu

***



***

E Graça Pires, neste belo poema, fala na mudança operada nas gentes depois da Revolução de Abril de 1974:


O país não parecia o mesmo,

Antes tinha um povo tristonho,

cabisbaixo, desacertado com a esperança.

Agora dava gosto ver e ouvir as pessoas,

mais leves, mais jovens, com braçadas

de flores a intuir alegrias futuras.

Não havia mágoas neste dia prodigioso

em que tudo era novo outra vez.

Alta noite iriam todos para casa

porque a febre dos corpos lhes apetecia.

in: Era madrugada em Lisboa
pg 31


***

Fernando Tordo


-Adeus Tristeza-


***



Esta data tem origem na primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886.

Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.

Foram os factos históricos que transformaram o 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam.  (
Veja mais aqui)


***



Os meus agradecimentos a todos quantos me acompanharam durante o último mês, em que se versou, aqui, sobre a Liberdade.

Abraços

Olinda 

***

Querida Olinda,

Fica-me um sorriso nos lábios
Nem sei se sobe ou desce
Digo que me inunda
Somos povo liberto e libertário
Cravos rubros e abertos
Como abraços fraternos
E quando a inquietação nos dominar
Lembremos que somos "filhos da madrugada"
Felizes por vivermos uma revolução
Perfumada de sentimentos de união
E acreditarmos que viver é lutar
Por um poema maior
Feito de vida, sangue e lágrimas
Lágrimas que vertem a comoção
De dignificar o mundo do trabalho
E honrar o campo, a enxada, o arado
A caneta, o papel e o livro
Saído das mãos do trabalhador.

Um abraço imenso.

***

Querida Teresa

Emocionada com o seu gesto tão lindo.
Um poema que nos toca o coração.
Uma homenagem ao 25 de Abril e ao
Dia do Trabalhador. 
Uma surpresa muito muito agradável. 
:)
Beijinhos
Olinda


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José Carlos Pereira Ary dos Santos
(Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 7 de Dezembro de 1937– Lisboa, Santiago, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.

Graça Pires - Do seu Livro mais recente:
 "Era madrugada em Lisboa - Louvor a um dia com tantos dias dentro"