Entretanto dá-se a implantação da república em Portugal, aliás vivamente saudada em sessão extraordinária expressamente reunida para o efeito: "Esta Comissão Municipal da cidade do Mindelo julga interpretar o sentir da população fazendo votos por que de toda essa memorável luta armada entre filhos da mesma terra, surja uma pátria de homens fortes impondo-se ao mundo civilizado pela cultura das suas leis políticas e sociais", dizia o telegrama enviado.
Porém, são associações beneméritos do mundo, como por exemplo a associação "Amor e Caridade" de Santos, Brasil, que se encarregam de ajudar os famintos trazendo navios carregados de mantimentos vários, tendo mesmo a Comissão Municipal, em acta de 23.11.911, louvado o "prestante cidadão Augusto Messias de Burgos", representante dessa associação "pelos relevantes serviços que incontestavelmente tem prestado aos famintos na actual crise alimentícia".
Dois anos depois da implantação da República a situação encontrava-se particularmente agravada, sobretudo pelo " facto de já se achar vendendo o milho por um preço exorbitante", quando era certo ser ele a principal alimentação do povo. A pedido de "alguns membros do corpo comercial que em nome deste e do povo solicitavam uma sessão extraordinária", a Comissão Municipal volta a reunir-se a 17.12.912 sob a forte pressão "de trabalhadores de carvão em número superior a 4.000, que ocuparam o edifício municipal e a praça da República" "a fim de se pedirem providências a Sua Excia o Ministro das Colónias acerca da crise alimentícia que ameaça a população, por falta de chuva e da insuficiência de trabalho no Porto Grande". (...)
Na sequência dessa reunião, um telegrama é enviado ao Ministro das Colónias e algumas medidas paliativas são postas em prática. (...)
A 9.4.917, mais uma vez em sessão extraordinária, a Câmara reune-se "a fim de resolver sobre o que convém pôr em prática, por parte do Município, para se socorrer o povo faminto nas circunstâncias motivadas pela falta de trabalho e pela ausência quase completa de navegação no Porto Grande, agravadas pela carestia cada vez maior dos géneros alimentícios de primeira necessidade". Decide-se por unanimidade "dar uma refeição diária aos indivíduos mais necessitados".
GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 37 a 40
Abraços, amigos.
Olinda
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imagem: net

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