Que de fruta! E que fresca e temporã,
Nas duas boas quintas bem muradas,
E que o sol, nos talhões e nas latadas,
Bate de chapa, logo de manhã!
O laranjal de folhas negrejantes,
(Porque os terrenos são resvaladiços)
Desce em socalcos todos os maciços,
Como uma escadaria de gigantes.
Das courelas, que criam cereais,
De que os donos - ainda! - pagam foros,
Dividem-no fechados pitosporos,
Abrigos de raízes verticais.
Ao meio, a casaria branca assenta
À beira da calçada, que divide
Os escuros tomates de pevide,
Da vinha, numa encosta soalhenta!
Entretanto não há maior prazer
Do que, na placidez das duas horas,
Ouvir e ver, entre o chiar das noras,
No largo tanque as bicas a correr!
...
José Joaquim Cesário Verde (1855-1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos pioneiros, precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.
Morto prematuramente, aos 31 anos de tuberculose, foi curta a obra que nos deixou. No entanto, o carácter ousado de uma realismo lírico e prosaico confere à sua poesia importância determinante no contexto da segunda metade do XIX e perspectivando já algumas vertentes da modernidade do XX.
Ver aqui*
No ano seguinte ao da sua morte, Silva Pinto organiza O Livro de Cesário Verde, compilação das suas poesias publicada em 1901.
(tenho um exemplar)
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Bom fim-de-semana, amigos.
Abraços.
Olinda
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Do poema "NÓS" 1884 - extenso.(refere-se à história da família, inclusivamente no que diz respeito à tuberculose que ceifou a vida a uma irmã e a um irmão)
* 9. Pequeno Livro - Brevíssima portuguesa
Lindo poema e tu sempre escolhes bem e nos apresenta novos autores! Ótimo fim de semana, beijos, chica
ResponderEliminarOlá, amiga Olinda.
ResponderEliminarPoema muito bonito de Cesário Verde. Confesso que não conhecia. Mas gostei bastante deste poema.
Excelente partilha, estimada amiga.
Votos de um feliz fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com