Por mais que façamos, acabamos sempre por falhar naquilo que devia estar arreigado em nós. Proteger, amar os mais fracos e, entre esses seres, as Crianças, que demoram muito tempo até se sentirem auto-suficientes.
Mas, debalde. Temos tido tantos maus exemplos por cá e por esse mundo fora, no dia-a-dia e também nessas guerras que parecem não ter fim. A fome, os maus tratos, vítimas de explosões, pedofilia e tanta desgraça meu Deus! E isso desde o princípio dos tempos. Tanto tempo passado e não se aprendeu nada. Já devíamos estar num estádio de desenvolvimento tal que não fosse necessário insistir nesse aspecto tão fundamental.
Menino
No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.
Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.
De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.
Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.
Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.
Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.
Manuel da Fonseca (1911-1993),
foi um escritor (poeta, contista, romancista e cronista) português.
Membro do Partido Comunista Português (PCP), Manuel da Fonseca fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do Neorrealismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos. aqui
Infelizmente, por estes dias, temos um caso que nos causa espanto e horror, o caso de duas crianças francesas, de tenra idade, largadas à beira da estrada pela mãe e pelo padrasto, em Alcácer do Sal, e encontradas por um homem que lhes deu guarida e comunicou o facto às autoridades. Já seguiram para o seu país e espero que não encontrem pela frente momentos ainda mais aflitivos.
Não consigo imaginar quais os motivos que terão levado estes adultos a uma situação tão desumana. Talvez um distúrbio psicológico ou outro. Ainda estou chocada.
Abraços, amigos.
Estarei ausente durante esta semana.
Olinda
===
Imagens: Pixabay
Poema - citador
Linda poesia para as crianças portuguesas no seu dia!
ResponderEliminarTriste o acontecimento ao fiunal! Linda semana, feliz JUNHO! beijos, chica
Olá Olinda,
ResponderEliminarO poema é magnífico. Não conhecia, obrigado pela partilha.
Nas guerras são as crianças quem mais sofre. E tem razão, já devíamos estar num estado mais avançado de civilização.
Gostei do seu texto, muito assertivo.
Boa semana.
Um abraço.
Bom dia , Olinda,
ResponderEliminaro poema do Manuel, define sentimentos muito conhecidos de tantos pais e mães mundo afora, mas as exceções negativas também nos assombram e roubam da poesia sua ternura.
Até quando o ser humano irá repetir comportamentos abomináveis? Até quando???
Me fio na fé e na esperança de um mundo melhor em todos os sentidos da vida!
Feliz junho!
Bjsssss
Um feliz Dia da Criança!
ResponderEliminarDeixo aqui em forma de comentário algo que hoje publiquei no meu "rabiscos":
Cultivemos "a capacidade de sonhar, o gosto pelas coisas simples e a alegria de sorrir sem motivo especial. A vida torna-se mais leve quando conservamos um pouco desse olhar inocente e genuíno que tínhamos em criança."
Um abraço boa semana e um junho sorridente.
Lamentável essa notícia. Que você possa descansar bastante essa semana.
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Que belo poema de Manuel da Fonseca. Nele, o contraste entre a pureza da infância e a desilusão social da vida adulta sublinha a dureza da existência. Com um ritmo encantatório que simula um balanço físico, o poeta espelha a fluidez do tempo, que passa sem interrupções desde o nascimento até a velhice. Note-se que o poema se encolhe nos três últimos versos, à medida que a esperança míngua; por conseguinte, os versos se encurtam visual e ritmicamente. O ritmo longo e suave do berço é substituído por frases cortadas, terminando de forma abrupta na palavra "português". A métrica encolhe, por assim dizer, como a própria vida do indivíduo.
ResponderEliminarSem dúvida, é mais um bela partilha com um poema de Manoel da Fonseca que revela uma bela arquitetura.
Por aqui, já comecei a contagem regressiva da sua volta.
Tenha uma semana produtiva!
Beijinhos, amiga Olinda!
José Carlos
Olinda,
EliminarPercebo que a última estrofe ficou fora do alcance do meu olhar. Não sei explicar o que aconteceu, mas isso acontece com as melhores famílias, como se diz por aqui. Um olhar incompleto, mas não inteiramente comprometido.
Beijinhos,
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarAs crianças são sempre o elo mais fraco. As primeiras vítimas em todos os contextos, em todas as situações. Quando devíamos defende-las, dar-lhes amor e carinho, pelo contrário, estamos a destruir o seu futuro.
Gostei bastante deste poema, estimada amiga.
Beijinhos carinhosos e boa semana!
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
Gosto muito de Manuel da Fonseca, mas não conhecia este poema.
ResponderEliminarQuanto ao resto não há palavras!
Abraço
Uma partilha simplesmente fantástica!
ResponderEliminar-
Coisas de uma vida....
-
Beijos e uma excelente semana.
Los niños deben ser protegidos. Te mando un beso.
ResponderEliminarManuel da Fonseca, um poeta que muito admiro. Obrigada por partilhar este poema.
ResponderEliminarTudo de bom.
Um beijo.
Olá, amiga Olinda, gostei muito desta sua postagem com
ResponderEliminarManuel da Fonseca, e também li a história das crianças abandonadas.
Felizmente, sempre tem alguém que sai em defesa das crianças, o
que já é um alento.
Votos de um bom final de semana, com muita saúde e paz.
Grande abraço, amiga.
Nesse nosso mundo tensionado, muitos sofrem. Homens e mulheres. Mas são as crianças as maiores vítimas pois estamos lhes tirando o futuro.
ResponderEliminarManuel da Fonseca, neste belo Poema, balança a criança que somos na Esperança que é apenas Esperança.
ResponderEliminarAmei e bem entendi.
Obrigado, Olinda, por no-lo trazeres á frente.
Beijo,
SOL da Esteva
Olá, amiga Olinda, passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.
ResponderEliminarBeijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Manuel da Fonseca um dos nossos grandes... Muito esquecido.
ResponderEliminarUm abraço.
Querida Olinda, não encontro palavras para justificar o que fizeram àqueles meninos franceses; nem os animais mais ferozes fariam tamanha brutalidade às suas crias. E as crianças que estão a morrer nestas guerras terriveis ? Um horror, querida Amiga! Quando olhamos para as nossas, tão protegidas e acarinhadas, sentimos um " arrepio " e não podemos deixar de ficar tristes com a insanidade do ser, dito humano.
ResponderEliminarMesmo assim, não nos podemos descuidar, pois há sempre uns quantos miseráveis que se aproveitam da fragilidade das crianças e com elas desaparecem, para desespero dos pais e familiares; são tantas as que são levadas e nunca mais aparecem.
Lindo e reflexivo, este poema que desconhecia. Obrigada por o trazeres aqui ao Xaile.
Espero que já tenhas voltado e que essa pausa tenha corrido bem
Um beijinho e saúde para todos vós
Emilia 🌻🌻
Olá Olinda!
ResponderEliminarSua introdução traduz bem nossa triste realidade a nivel de evolução e educação. Estamos atrasados nas relações com os seres e com a natureza. A poesia vem ornar suas palavras de indignação com tudo que se vê e ou lê. O relato das crianças é simbolo da atrocidade vigente.
Como comemorar o dia das crianças, quando muitas ainda morrem de fome, frio?
Aqui no Brasil é lamentável como as crianças são violentadas e muitas recrutadas para o mundo do crime.
Poema e grito pelas crianças do mundo, para que possam viver como crianças.
Uma bela semana iluminada amiga.
Bjs de paz.