sábado, 15 de junho de 2024

Dueto Amoroso (2)




Comemoração do Dia dos Enamorados, no Brasil, 
12 de Junho
Convite da Amiga Rosélia
Blog: AmorAzul



NA EMOÇÃO DO PÔR-DO-SOL

No momento de extrema beleza amorosa,
com o adormecer do dia a nos acalmar,
com flores de laranjeira a adornar,
vivencio uma emoção gostosa.

Nos cabelos, diadema floral enfeita,
o buquê marca nosso sublime dia,
poente na luminosidade irradia,
a luz do dia me faz refeita.

O clarão do poente é efusão de sentir,
sinto tua meiga presença tão forte,
você é meu norte, meu suporte,
não vai me deixar, partir.

O crepúsculo motiva toda sensação,
suplanta a beleza do lindo lugar,
o mais belo sei nem explicar,
se o pôr-do-sol ou a emoção. 







As árvores começavam a tomar a cor avermelhada, 
acastanhada, amarelada, dos dias de Outono. 
O ar trazia aquela brisa fresca que remexia os cabelos 
suavemente. E eu sentia-te junto a mim, 
naquela tarde inesquecível.
 
Ao fundo a Torre Eiffel dominava a paisagem. E, perto, 
a ponte Mirabeau, com as suas figuras alegóricas, 
convidava a um passeio pelo Sena. 
O Sol poente tingia o céu de laranja, ou 
uma espécie de dourado 
tornava o fim do dia apetecível.

Tudo, absolutamente tudo, concorria para que as 
emoções tomassem conta de nós e sentíssemos a 
magia daquele lugar que sempre nos conquistou. 
Seria ali o nosso local de eleição, 
decidimo-lo 
naquele momento.

Olinda Melo 



Marc Lavoine
Le Pont Mirabeau



Meus amigos:

Estou em viagem. Os comentários, se os houver, 
serão publicados quando eu regressar. 

Saúde.

Abraços
Olinda



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NOTAS:

Rosélia Bezerra tem muitos livros publicados no Clube de Autores.

A primeira imagem: Veio da publicação da Rosélia
A segunda imagem: da net

Poème Le Pont Mirabeau, de Guillaume Apollinaire aqui

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Dina...mene




Quando de minhas mágoas a comprida
maginação os olhos me adormece,
em sonhos aquela alma me aparece
que para mim foi sonho nesta vida.

Lá numa* soïdade, onde estendida
a vista pelo campo desfalece,
corro para ela; e ela então parece
que mais de mim se alonga, compelida.

Brado:- Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
como quem diz já não pode ser,

Torna a fugir-me. E eu gritando:- Dina...,
antes que diga mene, acordo, e vejo
que nem um breve engano posso ter.




O belíssimo soneto dirige-se a uma das amadas de Camões, talvez aquela rapariga chinesa que morreu no mar, num naufrágio na costa da Cochinchina, de que por dita escapou o poeta. Camões deu-lhe o nome poético de Dinamene e dedicou-lhe alguns dos seus mais perfeitos sonetos.

Neste, vê em sonhos essa sombra benigna, que foi das coisas mais suaves da sua vida, uma nota de amorosa mansidão na sua existência turbulenta.

In Líricas - Selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa.
pg 52


MARO


Saudade, Saudade




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* "nua" (numa) com til sobre o u, no livro (neste teclado o til sobre o u não existe)

Nota: Imagens e música do presente, está tudo ligado...

. Comemoração, neste ano, dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões

segunda-feira, 10 de junho de 2024

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Neste ano comemora-se os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. É considerado o poeta maior da Literatura Portuguesa com a sua obra épica Os Lusíadas, na qual canta o "peito ilustre lusitano".

Tudo o que tinha sido realizado - os heróis antigos e a sua glorificação -, perdia o brilho porquanto uma nova estrela despontava no horizonte, suplantando os feitos extraordinários que vinham da antiguidade.

E assim, sem meias medidas, diz o Poeta:



Cessem do sábio Grego e do Troiano

AS navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandre e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano

A quem Neptuno e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.


Esta é a terceira estrofe da proposição que logo é seguida da invocação às Tágides, pedindo-lhes um som alto e sublimado, um estilo grandíloco e corrente, uma fúria grande e sonorosa, para levar a bom termo o canto em que ele pretende sublimar os feitos dos portugueses.

E ele organiza a sua Obra épica a que dá o título de Os Lusíadas, composto de dez cantos, inspirando-se em Homero e Virgílio. Põe Vasco da Gama a fazer todo o relato da História portuguesa até D.Sebastião, a quem a dedica. 

Uma das partes de Os Lusíadas de que mais gosto é do Canto III, em que o poeta insere a história dos amores de Pedro e Inês, referindo-se à morte desta e relatando de uma forma emotiva o seu assassinato mandado por D.Afonso IV, pai de Pedro.

Penso que sabemos todos esta estrofe de cor:

120 - 

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a Fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes insinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas.


O que nos toca profundamente é a despreocupação em que Inês se encontrava, não adivinhando que lhe seria tirada a vida apenas porque amava o seu príncipe.

 (Mas também conhecemos os jogos de poder que levaram a essa morte)


***


Bom feriado, meus amigos.

Abraços 

Olinda


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Os Lusíadas, Luis de Camões, pgs 69, 157

Imagem da net.