Mudam-se os tempos...
quarta-feira, 26 de junho de 2024
Mudam-se os tempos...
Mudam-se os tempos...
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Alma minha gentil...
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida, descontente,
repousa lá no Céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueça daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma* cousa a dor que me ficou
da mágoa sem remédio de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te
quão cedo de meus olhos te levou.
O soneto mais famoso de Camões. Parece ter sido também dedicado à morte de Dinamene. Dizia Machado de Assis que "tem a simplicidade sublime de um recado mandado ao Céu".
Inspirando-se em modelos italianos (Petrarca, Sannazzaro), o nosso Poeta excedeu-os a todos e soube, neste soneto, exprimir com a maior perfeição "o sentimento predominante da raça, a saudade" (Joaquim Nabuco).
In Líricas - Selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa.
Pg 53
MUNDO ESCURO
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No livro, a grafia: algua, com til sobre o u (impossibilidade de mantê-la com este teclado)
.Música do presente...
.Comemoração, neste ano, dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões