Num mundo encantado feito de belas sinfonias, cresciam flores de todas as cores. Todos os perfumes, fragrâncias nunca sentidas envolviam o ar em revoadas de azul e ouro. Miríades de miríades de estrelas cintilavam para além do imaginável. E a estrada de Santiago, dos caminhos da sua infância, indicava-lhe que a chuva ansiada e prometida não tardaria, fecundando a terra sedenta donde nasceriam belos frutos. Na regência desse mundo idílico existia um ser dotado de qualidades raras. Tocava alaúde, cantava belas trovas de que lhe fazia preito em meio a juras de grande estima. O seu jogral. Nesse embalo tudo lhe parecia, a ela, simples, bonito, possível... Em sonhos, estende a mão para alcançar o seu belo rosto. Este vai se distanciando mais e mais, incomensuravelmente, tornando-se difuso até se transformar numa mancha.
Afinal, nem mancha era, mas apenas...um rato.
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O Fortuna - Carl Orff (Carmina Burana)
Imagem: daqui
Video: Youtube
