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quinta-feira, 2 de abril de 2026

SARAMAGO

 Como sabemos a José Saramago foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura, em 1998. Na altura, quem não tinha lido um único livro lançara-se numa verdadeira maratona a ler os seus livros, como foi o meu caso. 

Comecei com o "Levantado do Chão", que, nas primeiras linhas, considerei custoso devido à falta de pontuação. Contudo, à medida que ia avançando o livro foi me conquistando e só o acabei mesmo no fim. Depois, vieram os outros já publicados que li de uma assentada. Penso que só me restam um ou dois dos seus livros para cumprir essa gostosa tarefa.

Penso que já referi aqui a "Jangada de Pedra", que nos leva por caminhos que só um génio nos levaria, com a Península sozinha por aí fora, vogando, vogando e nesse seu percurso vai encontrando tantos e tantos incentivos para continuar...

Embora, aqui, neste Xaile de Seda, o único motivo para falar de escritores é por gostar deles, hoje, a causa é outra: é o Facto deste grande escritor, laureado com o Prémio Nobel e mesmo que não tivesse sido, (como é o caso do imenso António Lobo Antunes), ter sido excluído do curriculum escolar obrigatório.

Se o que se pretende é que não haja debate de ideias neste mundo de lágrimas e de nonsense, então é caso para bater palmas. Contudo não acredito. Tenho a esperança de que haja um volte-face e que se ponha em evidência que a imaginação, a filosofia e aquele quê que nos faz avançar valorizando o presente e olhando também o futuro, sensibilize as almas de quem manda nestas coisas.

Lembremo-nos que os filósofos e todos os sábios que tanto gosto temos em citar vieram do passado e a contemporaneidade também se faz de grandes homens e mulheres. Tenhamos nós também esse orgulho, de que um dia as gerações de agora e os vindouras possam fazer o mesmo, isto é, lembrar de quem existiu antes e que deixou o seu contributo no mundo das Letras.


Fundação Jose Saramago

Entretanto, a Fundação Jose Saramago faz a seguinte sugestão: em vez de excluir Saramago se faça uma junção com Mário de Carvalho, também merecedor, agora proposto para integrar o currículo. 

Os responsáveis dizem que os outros escritores entram e saem e só Camões fica.

Noblesse oblige!

Li, depois de ter este post pronto, que o ministro responsável pela pasta diz que ainda não está nada decidido. Ou será mentira do primeiro de Abril?


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Hoje, a Constituição da República Portuguesa faz 50 anos. Já foi revista 7 vezes, desde a sua aprovação em 1976.

 Na Assembleia da República, polémica sobre nova revisão.

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Vide: Saramago, a revisão curricular ou a diluição do Nobel da Literatura

Opinião - 06/04/2026

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Abraços, meus amigos.

Olinda


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Fundação: Casa dos Bicos em Lisboa


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sem casas não haveria ruas


Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo

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Da Casa Fernando Pessoa trouxe esta informação:

CICLO LEITURAS/CONTOS SEM CASAS NÃO HAVERIA RUAS*
LEITURAS E CONTOS ENTRE A CASA FERNANDO PESSOA, A FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO E A BOCA
Todos os meses a editora BOCA sai para a rua e celebra a palavra em casa amiga. À Fundação José Saramago leva contadores de histórias, reinventores da melhor tradição oral e popular. Na Casa Fernando Pessoa desfruta em voz alta dos vários géneros da literatura consagrada e por consagrar. Fica o encontro marcado: um sábado na Casa Fernando Pessoa, na Fundação Saramago uma sexta-feira do mês seguinte e por aí adiante alternadamente.
(*Oh as casas, as casas, as casas, de Ruy Belo)

E, claro, fui em busca do poema de Ruy Belo. Encontrei-o aqui, no site do Instituto Camões.

Depois da folia carnavalesca, centremo-nos na grande verdade da nossa fragilidade, no facto indesmentível de que somos pó. Apenas a nossa espiritualidade poderá colocar-nos acima da nossa condição.

A imagem - foto minha, uma vista da linha do Elevador da Bica - Lisboa.