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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os herdeiros do vento

Na busca de elementos que me ajudassem a compreender o tema que inseri no post BOAS FESTAS encontrei Joaquim Pessoa, autor que muito aprecio, neste caso, não com poemas ou textos seus mas com escritos atribuídos a outros, num livro intitulado Os Herdeiros do Vento - Antologia Apócrifa.  Trouxe-o comigo. Ele diz isto no início da pequena introdução: Ao fazer esta antologia não esteve nos meus propósitos apresentar qualquer estudo mais ou menos profundo, mais ou menos académico, sobre literatura apócrifa. Apenas procurei que me chegassem às mãos, como às de qualquer outro herdeiro do vento, objectos desenterrados daqui e dali e de todas as épocas. Quanto mais os coleccionava e comparava, quanto mais os analisava, mais belos me pareciam e mais pareciam justificar a sua publicação.

Desta compilação, página 19, retiro este poema com sabor a balanço de vida, que abaixo transcrevo: 




NUVENS

Lá em cima
as nuvens da minha infância sobrevivem.

Ganhei e perdi.
Amei.
E aos trinta anos
sinto que sou o senhor do mundo.
Dia a dia contemplo as nuvens
e digo para mim:
só o desejo é eterno.

Sou feliz a meu modo.
Junto do muro branco
uma rapariga beija-me.
Os seus grandes olhos parecem perguntar-me
se o nosso amor vai durar
toda a vida.

Eu sorrio
mas não lhe digo
que só o desejo é eterno.
Todas as manhãs me olho no espelho:
para trás ficou a primavera da minha vida
mas ainda sou o dono do mundo.
E continuarei a sê-lo
enquanto no céu
não se esfumarem as nuvens da minha infância
e não se apagarem
os velhos desejos.

UNNO AHL


E Joaquim Pessoa informa-nos:

UNNO AHL nasceu em 1900 junto ao Golfo de Botnia, em Kokkala na Finlândia. Era filho de um modesto empregado ferroviário e de uma professora. Fez os primeiros estudos em Kemi e doutorou em Filologia na Universidade de Helsínquia. Morreu assassinado em 1941. (Segundo se lê mais abaixo foi fuzilado pelas SS hitlerianas "em pleno florescimento da sua capacidade poética")...

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Para terminar desejo-vos um bom Dia de Reis. Aqui perto, em Espanha, é o dia em que se trocam presentes. Por outro lado, os cristãos ortodoxos festejam o Natal no dia sete, 25 de Dezembro segundo o calendário Juliano que preferiram conservar quando o ocidente decidiu optar pelo Gregoriano, em 1582.

Quis utilizar uma imagem, ortodoxa, que a Majo me enviou, do Menino e sua Mãe, mas não a consegui transferir pelo que tive de procurar uma na net. Acho que é parecida ou então é a mesma. Obrigada :)

Que o espírito natalício nos anime sempre.