quarta-feira, 11 de junho de 2014

Respiro e Vejo

Alberto da Costa e Silva, brasileiro, um escritor que estuda a História, resgatador da memória de África - distinguido com o prémio mais importante da criação literária em língua portuguesa, o Prémio Camões - 2014:

Hoje, aqui, connosco. Apreciemos este belíssimo poema:






Respiro e Vejo


Respiro e vejo. A noite e cada sol 
vão rompendo de mim a todo o instante, 
tarde e manhã que são tecido tempo, 
chuva e colheita. O céu, repouso e vento. 

Vergel de aves. Vou entre viveiros, 
a caçar com o olhar, passarinhagem 
dos pequeninos sóis e das estrelas 
que emigram neste céu de goiabeiras. 

mas sigo a jardinagem, podo o tempo, 
o desgosto do espaço, a sombra e o fogo, 
as florações da luz e da cegueira. 

E, no dia, suspensa cachoeira, 
neste jogo sagrado, vivo e vejo 
o que veio em meus olhos desenhado. 

Alberto da Costa e Silva,
 in 'A Linha da Mão'

Poema:Citador

7 comentários:

  1. (^‿^) ❀

    Oh ! C'est beau ! Merci de nous parler d'Alberto da Costa e Silva !
    Ce poème est MAGNIFIQUE

    MERCI chère Olinda !

    Je t'embrasse très fort !
    Passe une excellente journée ❀ ❀ ❀

    ResponderEliminar
  2. Tem razão é um belo poema. Obrigada pela partilha.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  3. Era bom que todos nos revíssemos no respirar e no ver do autor, porque entre nós toda a gente respira mas há quem se recuse a "ver" o que se vai desenrolando à nossa volta!

    Bjinho

    ResponderEliminar
  4. Sensibiliza-me a sensibilidade. Acho que todos somos sensíveis ao belo e ao real.
    Partilhas uma "Obra de Arte de Poesia". Ficote (Vos) grato pelo momento.



    Beijos


    SOL

    ResponderEliminar
  5. Querida amiga

    Um soneto bem escrito,
    é um tributo
    ao que mais existe de belo
    neste mundo das letras.

    Que haja sempre
    uma inspiração
    para acordar
    as palavras
    adormecidas
    em tua vida.

    São elas que dão sentido a tua vida,
    e as vidas que passeiam por tuas palavras.

    ResponderEliminar