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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bica, italiana, cimbalino, pingado, de saco, com cheirinho, curto, abatanado, em chávena fria, normal ou escaldada...






É o café nosso de cada dia. Um laço que nos une em termos de sociabilização mais que qualquer outro. Para mais, é relativamente barato. De manhã cedo, a meio da manhã, depois do almoço, a meio da tarde, depois do jantar, lá estamos nós a bebericar o nosso café. E se na hora de pedir o café ele toma tantos nomes, também quem atende o pedido terá de revelar muita competência, engenho e arte.

Tomar um café na companhia de alguém é motivo para dois ou três dedos de conversa, de alguma confidência, de alguma fofoca. Ao convite, vamos lá tomar um café, quem é que consegue resistir? Geralmente quando se diz ah, não gosto de café, tem-se a sensação de que se está em presença de um extraterrestre... :)




Eu, confesso, não resisto ao cheirinho do café acabado de fazer. Cá em casa fazemo-lo em cafeteira italiana e, todos, antes de sairmos de manhã fazemos-lhe honra, simples ou com leite. Quando tenho de tomar o pequeno-almoço fora de casa peço um abatanado ou uma meia de leite. Noutras ocasiões opto pela bica. No Porto, em dada altura, pedi uma bica, o empregado do Café sorriu e disse: Cá é cimbalino. Tal como a marca da máquina, pensei eu. É como tudo: Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.

Se por cá tomamo-lo com açúcar, adoçante ou mesmo amargo, noutras paragens tomam-no com especiarias, nomeadamente, em África e Médio Oriente. Na Etiópia, o café é servido com sal e manteiga em vez de açúcar. Na Bélgica, com um quadradinho de chocolate que derrete em contacto com a bebida quente. Em Espanha é tomado cortado com leite e é muito comum servi-lo com gelo. Li isto algures.




Mas receio um pouco as generalizações. Lembro-me que em Cabo Verde, por exemplo, o café é  adoçado da forma que conhecemos.Tanto cafezinho com leite ali tomei, torrado, moído e feito no momento, por mãos santas! Que bom, ainda lhe sinto o gosto!!! Não sei se sabem, lá, tomar o pequeno-almoço, diz-se 'tomar café'. Interessante, não é? Também no Brasil, segundo creio, diz-se 'tomar o café da manhã' referindo o pequeno-almoço. Mas, em Angola é 'mata-bicho'. Isto, com as devidas ressalvas, procurando não generalizar, tendo em conta os regionalismos, pois, na mesma terra poderá haver várias designações para a mesma coisa. Que tal trazerem outros contributos, meus amigos?

A despeito das diversas máquinas de café que existem, sabemos que há zonas onde ainda se faz café de forma tradicional. Num bule, deitando o café na água a ferver e deixando a borra assentar. Ou então coá-lo assim....




Este palavreado já vai longo e ainda não falei do que aqui me trouxe hoje, isto é, das cápsulas que a moda mais recente, creio eu, de tirar o café nos leva a desperdiçar. Dei comigo, no outro dia, a pensar nisto. Li, entretanto, um artigo com o título 'Capsulas de café, um resíduo especial'* e fiquei mais ou menos descansada. 

Diz-nos que três das marcas de máquinas de cápsulas disponibilizam ao consumidor sistemas próprios para recolha e reciclagem  das respectivas cápsulas de café para a valorização da borra de café, do plástico e/ou alumínio. Nos casos em que isto não acontece, surge a dúvida: lixo indiferenciado ou ecoponto amarelo? A resposta é: lixo indiferenciado. E continua nestes termos:

Além da legislação não considerar as cápsulas de café um resíduo de embalagem, se, ainda assim, as depositarmos num ecoponto, as cápsulas serão rejeitadas na triagem que ocorre nos ecocentros. Ao conterem a borra de café, serão tratadas como lixo indiferenciado. E mesmo retirando a borra antes o desfecho será o mesmo, pois a sua reduzida dimensão não inviabiliza o reaproveitamento. Nestes casos, a melhor solução será mesmo reutilizar: a borra, enquanto resíduo orgânico para compostagem, e a cápsula, para inúmeras aplicações que já vimos ser possíveis.

Parece-me bem a solução aqui apresentada...


*****

Já agora, vai um cafezinho aqui da minha cafeteira?


Abraço

  
*Artigo citado: 'Cápsulas de café, um resíduo especial': Metro, 2013/09/09
Imagens: Internet