Évariste, tomado dum amor súbito pela natureza, ao ver ceifeiros a atarem molhos, sentia os olhos encherem-se-lhe de lágrimas; sonhos de concórdia e de amor enchiam-lhe o coração. pg.85
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Com efeito, em 1789 tem lugar a Revolução que veio trazer-nos aqueles ideais que todos conhecemos, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, e de tão fortes que formataram a Lei Fundamental de vários países. E citamo-los sempre que desejamos defender este ou aquele ponto de vista quanto aos direitos do homem. Friso do homem porque na Declaração* produzida na altura, realmente a mulher não aparecia, o que foi posto em evidência por Olympe de Gouges, e publicado aqui, no Xaile de Seda.
Exceptuando-se, em certa medida, a nossa Revolução dos Cravos, o período pós-revolução, em todos os tempos, é sempre de grande agitação, depurações, perseguições. Esta situação atinge o caos em França, nesse século dezoito que marcaria o inicio da liberdade de expressão mas que tem o seu lado horroroso nos primeiros tempos, com consequências inimagináveis.
Pessoas imbuídas dos mais elevados valores em tempos normais, naquele ambiente transformam-se em deuses sedentos de sangue, com o ódio a corroer-lhes a própria vida e a dos outros. A guilhotina, instrumento de pena morte por decapitação, não tivera descanso naqueles tempos.
O personagem principal do romance, Évariste Gamelin, jovem artista, de nobres sentimentos, fervoroso apoiante da Revolução e dos seus ideais, nomeado jurado do Conselho Revolucionário, torna-se um algoz nas suas decisões de vida ou de morte, sem controlo.
O Comitê de Salvação Pública era o órgão que conduzia a política do terror, sendo Robespierre a figura de maior destaque.
O Período do Terror termina quando Maximilien de Robespierre, e cinquenta de seus aliados são presos na prefeitura de Paris no dia 9 de Termidor (27 de Julho de 1794). No dia seguinte, ele e seus aliados foram guilhotinados.
Do Livro:
Gamelin fez um esforço para subir para a carroça: tinha perdido muito sangue e a ferida fazia-o sofrer cruelmente. O cocheiro chicoteou a pileca e o cortejo pôs-se em andamento, no meio dos apupos. -Vai lá, bebedor de sangue! Assassino a dezoito francos por dia!...Já não ri: vejam como está pálido, o covarde!pg.199
Trata-se das mesmas vozes que insultavam os que eram mandados por Gamelin e pelos colegas para a guilhotina.
O autor faz nesta obra uma análise crua da complexidade do ser humano.
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Jacques Anatole François Thibault, mais conhecido como Anatole France, (1844 -1924) foi um escritor francês, Prémio Nobel da Literatura, em 1921.
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