Seguindo as sugestões do "Horas extraordinárias", delas faço eco e transcrevo um pouco do que nos dizem:
Em Espanha, especialmente em Barcelona, esta data, conhecida por Sant Jordi (dia de S. Jorge), é uma verdadeira loucura, com as livrarias cheias de gente, bancas de autógrafos por todo o lado, as Ramblas cheias de tendas, flores oferecidas a quem comprar livros. É que, na Catalunha, 23 de Abril é também Dia dos Namorados, e faz parte da tradição oferecer-se um livro e uma rosa a quem se ama...
De Shakespeare e Cervantes vem-nos esta data para festejarmos o livro que, como bem sabemos, tem um percurso fantástico. Surgida na Antiguidade a escrita tem como suporte, inicialmente, tabuletas de argila ou de pedra em escrita cuneiforme encontradas na Mesopotâmia.
Mais tarde surge o papiro, depois o pergaminho... Na Idade Média temos os monges copistas, herdeiros dos escribas egípcios ou dos libraii romanos. A invenção da impressão (Sec.XIV) foi um marco muito importante na evolução do Livro.
Em 1455 Johannes Gutenberg inventa a imprensa com tipos móveis reutilizáveis e o primeiro livro impresso com essa técnica foi a Bíblia, com uma certa resistência dos monges copistas que, no silêncio dos conventos, desempenhavam a reprodução de livros destinados a uma elite.
Uma das individualidades do inicio da tipografia foi Aldus Manutius*, importante no processo de maturidade do projeto tipográfico, o que hoje chamaríamos de design gráfico ou editorial.
No passado e presentemente, sabemos muito bem a importância do Livro, não saímos de casa sem um debaixo do braço ou na mala. Ajudam-nos a passar o tempo nos consultórios, nas repartições publicas enquanto não nos atendem ao mesmo tempo que nos transmitem conhecimentos. Isto é um bocado redutor pois o papel do Livro abrange muitas áreas da Ciência, da Arte e de tudo o que na Vida interessa.
Sim, sei, agora há os telemóveis, os computadores e demais tecnologia, enfim, mas isso depende do gosto de cada um.
Aproveito para deixar aqui um poema de:
João Pedro Mésseder (Porto, 1957), nome literário de José António Gomes, é um escritor português..Professor Coordenador de Literatura da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e investigador integrado do CIPEM / INET-md, é doutor em Literatura Portuguesa do século XX, pela Universidade Nova de Lisboa.
UM LIVRO
Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei
Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.
Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.
João Pedro Mésseder
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Boas leituras, amigos.
Abraços
Olinda
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*Xaile de SedaLivro - aqui
Gutenberg - refª aqui
Linda tradição essa de um livro, uma flor. E bela posia do livro trouxeste! beijos, chica
ResponderEliminarContinuo a preferir ainda os livros em papel.
ResponderEliminarUm livro é um amigo, uma companhia preciosa que nunca nos deixa sozinhos, permitindo-nos viajar, sonhar, aprender e divagar.
Excelente escolha, lindo poema de João Pedro Messéder.
Beijinhos
Amiga Olinda, boa noite de 9az!
ResponderEliminarLer nos traz paz dentre tanta cultura e prazer.
É abrir a viseira da ignorância e nos inserir num mundo mágico de sonhos e conhecimentos
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Os telemóveis e os computadores... não têm cheiro como os livros.
ResponderEliminarUm abraço.
Os livros continuam a ser presentes que adoro, embora já não tenha estantes para tantos.
ResponderEliminarLer é uma forma de Liberdade.
Abraço
Estive "aqui", cara amiga Olinda, e até ousei deixar um comentário lá, lacônico, e estou aqui, lendo-a com o interesse de sempre, pois sabemos das virtudes das suas postagens.
ResponderEliminarE, claro, a leitura do poema de João Pedro Messeder me fez lembrar que a literatura rompe as barreiras geográficas e temporais, que um livro é, antes de tudo, um pedaço da experiência humana compartilhado entre quem escreve e quem lê.
Beijinhos, caríssima amiga
ResponderEliminarOlá, amiga Olinda.
Ler, é sem dúvida fundamental para a nossa aprendizagem e conhecimento.
Infelizmente, as nossas crianças estão cada vez a ler menos. Os telemóveis, Tabletes e Computadores, são os instrumentos tecnológicos preferidos. E isso, é um grande problema para estimular a leitura do livro de papel.
Este poema de João Pedro Messeder é um excelente exemplo, como o livro rasga fronteiras, e se torna universal.
Excelente partilha, estimada amiga.
Deixo os votos de um feliz fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
É um dia para comemorar , Olinda ,de certa forma um incentivo a leitura e principalmente uma homenagem aos autores, Gosto muito de ler é uma outra maneira de estar em outro lugar. Muitos benefícios temos com os livros, expande nossa criatividade e exercita o cérebro, entre outras importâncias. Um abraço, Olinda e fim e semana leve ,te desejo.
ResponderEliminarE cada vez se lê menos, minha Amiga Olinda. Aqui tudo é motivo de reflexão. Adorei o poema de João Pedro Mésseder.
ResponderEliminarTudo de bom.
Um beijo.
Um Livro. Pois, sempre teima
ResponderEliminarEm fazer-nos companhia.
Há muito, que ele queima
A pouca sabedoria
No elevar da alegria.
Um excelente tema e motivo para recriar bons momentos.
Belo Poema de João Pedro Mésseder.
Beijo,
SOL da Esteva