quinta-feira, 23 de abril de 2026

LER

 Seguindo as sugestões do "Horas extraordinárias", delas faço eco e transcrevo um pouco do que nos dizem:

Em Espanha, especialmente em Barcelona, esta data, conhecida por Sant Jordi (dia de S. Jorge), é uma verdadeira loucura, com as livrarias cheias de gente, bancas de autógrafos por todo o lado, as Ramblas cheias de tendas, flores oferecidas a quem comprar livros. É que, na Catalunha, 23 de Abril é também Dia dos Namorados, e faz parte da tradição oferecer-se um livro e uma rosa a quem se ama... 

aqui


De Shakespeare e Cervantes vem-nos esta data para festejarmos o livro que, como bem sabemos, tem um percurso fantástico. Surgida na Antiguidade a escrita tem como suporte, inicialmente, tabuletas de argila ou de pedra em escrita cuneiforme encontradas na Mesopotâmia. 

Mais tarde surge o papiro, depois o pergaminho... Na Idade Média temos os monges copistas, herdeiros dos escribas egípcios ou dos libraii romanos. A invenção da impressão (Sec.XIV) foi um marco muito importante na evolução do Livro. 

Em 1455 Johannes Gutenberg inventa a imprensa com tipos móveis reutilizáveis e o primeiro livro impresso com essa técnica foi a Bíblia, com uma certa resistência dos monges copistas que, no silêncio dos conventos, desempenhavam a reprodução de livros destinados a uma elite.

Uma das individualidades do inicio da tipografia foi Aldus Manutius*, importante no processo de maturidade do projeto tipográfico, o que hoje chamaríamos de design gráfico ou editorial.

No passado e presentemente, sabemos muito bem a importância do Livro, não saímos de casa sem um debaixo do braço ou na mala. Ajudam-nos a passar o tempo nos consultórios, nas repartições publicas enquanto não nos atendem ao mesmo tempo que nos transmitem conhecimentos. Isto é um bocado redutor pois o papel do Livro abrange muitas áreas da Ciência, da Arte e de tudo o que na Vida interessa. 

Sim, sei, agora há os telemóveis, os computadores e demais tecnologia, enfim, mas isso depende do gosto de cada um.

Aproveito para deixar aqui um poema de:

João Pedro Mésseder (Porto, 1957), nome literário de José António Gomes, é um escritor português..Professor Coordenador de Literatura da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e investigador integrado do CIPEM / INET-md, é doutor em Literatura Portuguesa do século XX, pela Universidade Nova de Lisboa.


UM LIVRO

Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei

Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.

Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

João Pedro Mésseder


***

Boas leituras, amigos.

Abraços

Olinda



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*Xaile de Seda
Livro - aqui
Gutenberg - refª aqui


10 comentários:

  1. Linda tradição essa de um livro, uma flor. E bela posia do livro trouxeste! beijos, chica

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  2. Continuo a preferir ainda os livros em papel.
    Um livro é um amigo, uma companhia preciosa que nunca nos deixa sozinhos, permitindo-nos viajar, sonhar, aprender e divagar.
    Excelente escolha, lindo poema de João Pedro Messéder.
    Beijinhos

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  3. Amiga Olinda, boa noite de 9az!
    Ler nos traz paz dentre tanta cultura e prazer.
    É abrir a viseira da ignorância e nos inserir num mundo mágico de sonhos e conhecimentos
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  4. Os telemóveis e os computadores... não têm cheiro como os livros.
    Um abraço.

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  5. Os livros continuam a ser presentes que adoro, embora já não tenha estantes para tantos.
    Ler é uma forma de Liberdade.

    Abraço

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  6. Estive "aqui", cara amiga Olinda, e até ousei deixar um comentário lá, lacônico, e estou aqui, lendo-a com o interesse de sempre, pois sabemos das virtudes das suas postagens.
    E, claro, a leitura do poema de João Pedro Messeder me fez lembrar que a literatura rompe as barreiras geográficas e temporais, que um livro é, antes de tudo, um pedaço da experiência humana compartilhado entre quem escreve e quem lê.
    Beijinhos, caríssima amiga

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  7. Olá, amiga Olinda.
    Ler, é sem dúvida fundamental para a nossa aprendizagem e conhecimento.
    Infelizmente, as nossas crianças estão cada vez a ler menos. Os telemóveis, Tabletes e Computadores, são os instrumentos tecnológicos preferidos. E isso, é um grande problema para estimular a leitura do livro de papel.

    Este poema de João Pedro Messeder é um excelente exemplo, como o livro rasga fronteiras, e se torna universal.

    Excelente partilha, estimada amiga.

    Deixo os votos de um feliz fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  8. É um dia para comemorar , Olinda ,de certa forma um incentivo a leitura e principalmente uma homenagem aos autores, Gosto muito de ler é uma outra maneira de estar em outro lugar. Muitos benefícios temos com os livros, expande nossa criatividade e exercita o cérebro, entre outras importâncias. Um abraço, Olinda e fim e semana leve ,te desejo.

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  9. E cada vez se lê menos, minha Amiga Olinda. Aqui tudo é motivo de reflexão. Adorei o poema de João Pedro Mésseder.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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  10. Um Livro. Pois, sempre teima
    Em fazer-nos companhia.
    Há muito, que ele queima
    A pouca sabedoria
    No elevar da alegria.

    Um excelente tema e motivo para recriar bons momentos.
    Belo Poema de João Pedro Mésseder.

    Beijo,
    SOL da Esteva

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