"Espreito cuidadosamente o homem moderno, à noite, para que não me veja e não se assuste e não me contamine com a sua modernidade, espreito o vírus à distância, espreito-o através das cortinas esgarçadas que me separam do vidro fosco das janelas, espreito-o no umbral da ombreira e fico assim parado a espreitá-lo, como se não fosse um fantasma à espreita.
Aonde nos levará o lixo?
Vem nas notícias: a criminalização dos sem-abrigos agravou-se. Dois mil anos depois, equivocados discípulos de Platão reuniram-se com o intuito de expulsar os vagabundos das ruas. "Rua proibida a sem-abrigo", lê-se ali. "É proibido ser sem-abrigo", lê-se acolá. E eu vazio numa casa cheia de nada."
Este é um pedacinho de um livro que estou a ler.
E estou a gostar muito.
Quando voltar falar-vos-ei dele, talvez...
Abraços
Olinda
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Autor do livro referido:
Henrique Manuel Bento Fialho
pg. 24
Imagem: pixabay
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