quinta-feira, 31 de julho de 2025

Nunca envelhecerás






A tua cabeleira
é já grisalha ou mesmo branca?
Para mim é toda loira
e circundada de estrelas.
Sobre ela
o tempo não poisou
o inverno dos anos
que se escoam maldosos
insinuando rugas, fios brancos...

Ao teu corpo colou-se
o vestido de seda,
como segunda pele;
entre os seios pequenos
viceja perene
um raminho de cravos...

Pétalas esguias
emolduram-te os dedos...
E revoadas de aves
traçam ao teu redor
volutas de primavera.

Nunca envelhecerás na minha lembrança!...

SAÚL DIAS 


Júlio Maria dos Reis Pereira, ou Julio como artista plástico e Saúl Dias como poeta (1902 -1983), foi um pintorilustrador e poeta portuguêsPertence à segunda geração de pintores modernistas portugueses e foi autor de uma obra multifacetada que se divide entre as artes plásticas e a escrita, tendo sido um dos mais importantes colaboradores da revista Presença. aqui

Era irmão de José Reis, o homem do "Cântico Negro", poema extraído da obra "Poemas de Deus e do Diabo". 
Por intermédio de Reis, o cineasta Manoel de Oliveira interessou-se pela obra plástica de Júlio, produzindo um documentário intitulado "As Pinturas do meu irmão Júlio", lançado em 1965. 





Boa quinta-feira, amigos.

Olinda





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Poema - Citador 
Imagem - pixabay

Ver Saúl Dias aqui, no Xaile de Seda
Veja esta análise -PINTURA MOVENTE: AS PINTURAS DO MEU IRMÃO JÚLIO 



19 comentários:

  1. Olá, querida amiga Olinda!
    Quanta delicadeza amorosa você nos oferta
    Da gosto imenso passar por aqui.
    O vídeo é belo de se ouvir.
    O poema é estupendo,, amei o momento de deslumbre por você preparado para nos enlevar.
    O mundo anda carente de amor assim, delicado, puro, romântico.
    Obrigada por tão belo momento de amor.
    A música diz algo lindíssimo:
    Pode passar mil anos, " nunca te olvidare"... impossível esquecer um grande amor.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  2. Portugal deu ao mundo grandes poetas, tens nos surpreendido aqui sempre com algo novo. , hoje nos entrega essa poesia linda de um autor que desconhecia., sensível e íntimo, celebrando uma lembrança inesquecível . E a veste com um vestido de seda aderente ao corpo numa suavidade sutil e encantadora. Muito lindo, Olinda. e fortemente poético .
    Obrigada por essa 'revoada de aves' .Estava precisando, amiga. rs
    Um abraço

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  3. O meu pai não gosta de ser chamado de idoso e nem que diga que está na terceira idade. Ele sempre fala que está envelhecendo, e que isso não é novidade. Eu acho um trocadilho simpático. rsrsrsrs

    Nova tirinha publicada.😺

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas.

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  4. Maravilhosa poesiaQ! Gostei muito de ler!
    beijos, ótimo dia, chica

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  5. Olá linda*
    Que poema bonito, tão delicado.
    Que sorte , nunca envelhecer na lembrança daqueles que amamos e nos amam.
    Não conhecia o poema e adorei.
    Grata por tão bela publicação.
    Abraço e brisas doces ****

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  6. Publicação poética muito bonita. Deixo o meu aplauso e elogio
    .
    Deixo saudações poéticas
    ..
    “” Se eu soubesse cantar ““
    .

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  7. Um poema maravilhoso, envelhecer faz parte da vida, envelhecer ter cabelos brancos significa mais experiências, Olinda boa quinta-feira bjs.

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  8. Olá, amiga Olinda,
    Não conhecia este autor, confesso.
    Mas gostei muito do poema. Diz na sua essência uma verdade inquestionável.
    Mesmo quando envelhecemos fisicamente, mantemos a sabedoria e a juventude mental.
    Excelente partilha. Gosto muito.

    Beijinhos e uma ótima semana, com muita saúde e paz.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  9. Que belo poema!
    Envelhecer faz parte tanto da beleza quanto da finitude da vida. A lembrança, sim, esta pode nuca envelhecer.

    abraços

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  10. Quase esquecido da Presença (1927-1940), de João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e outros. Quase esquecido do Cântico Negro:
    “Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: "vem por aqui!" // Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)”, tantas vezes ouvido da plateia com Maria Bethânia no palco, dirigida por Fauzi Arap e na sala de aula por Jerusa Pires Ferreira. E agora a arte de Júlio Maria dos Reis Pereira, ou Julio como artista plástico e Saúl Dias como poeta (1902 -1983).
    Gostei do lirismo do poema Nunca envelhecerás. Gostei da poesia que emana de cada verso e da poética confissão.
    Nunca mais esquecerei das “Pétalas esguias” que “emolduram os teus dedos...” tampouco das “revoadas de aves” que “traçam ao teu redor / volutas de primavera”.
    Nada direi do "raminho de cravos" que viceja perene...", deixo-a vagar dentro de mim até fixá-la como uma realidade do ser.
    Obrigado, Olinda pela partilha.
    Como é bom o passeio pela tua casa.
    Um bom final do dia,
    beijinhos,
    José Carlos

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  11. Não conhecia este autor, mas adorei a forma sensível que descreve o amor que apesar da passagem do tempo as lembranças continuam fieis à amada.
    Amei a melodia e como gosto do sotaque deste cantor. Grata pela partilha.
    Deixo o link da nova postagem na esperança que nossos laços não se perca... Bjsss
    https://pensandoemfamilia.com.br/cronica/inverosimel/

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  12. Júlio, um artista inteiro e completo.
    Um abraço.

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  13. Gostei do poema e de conhecer um pouco o seu autor.

    Abraço

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  14. Olá, amiga Olinda.
    Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

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  15. Que poesia tão delicada! As imagens que crias são como carícias na memória, eternizando beleza e afeto nas palavras.

    Com amor,
    Daniela Silva 🩷🦋
    alma-leveblog.blogspot.com — espero pela tua visita no blog

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  16. Sensacional, Olinda! Coisa boa poder conhecer a história por traz quem faz arte! Sempre descobrimos algo novo. O poema de Saul Dias é como uma pintura aos olhos de quem Lê. Lindo demais!

    Abraço, minha querida!

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  17. Poema bonito. Bom fim de semana!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  18. Desvendar o Autor já é obra de especialista e, desta forma, nos introduz nesta magnífica Poesia.
    Obrigado, Olinda, por mais este mimo delicioso pleno de sensibilidade.

    Beijo,
    SOL da Esteva

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  19. Boa noite Olinda,
    Não conhecia este Autor e Artista, e foi um prazer ler este belíssimo poema.
    Grata pela sublime partilha.
    Beijinhos,
    Emília

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