quarta-feira, 26 de junho de 2024

Mudam-se os tempos...




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo sobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda já como soía...




Camões exprime neste soneto de modo inexcedível a 
amargura do homem que se sente envelhecer e 
sente a transformação da sua própria personalidade, 
em face das coisas que mudam sem cessar.

In Líricas, Selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa.
Pg. 49


José Mário Branco


Mudam-se os tempos...



====

Canção: versão do poema, de José Mário branco.

Comemoração, neste ano, dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões.

sábado, 22 de junho de 2024

Dueto Amoroso (3)



Comemoração do Dia dos Enamorados, no Brasil, 
12 de Junho
Convite da Amiga Rosélia

Blog: AmorAzul 



ROMANCE À MODA ANTIGA

Alameda de lirismo, paz no coração,
amor, companheirismo e dedicação.

Percurso de fantasia, em amorização,
sentimento de alegria, sintonização.

Caminho de magias em codificação,
ternuras afetivas em solidificação.

Trajeto de carinho na edificação,
casal sem desalinho, ostentação.

Rumo sinuoso na cidade, concessão.
têm cumplicidade, são exceção.






Famílias separadas
Rivalidades sem fim
Incompreensão 
sem limites
Eu e o meu amado
sofríamos horrores
nas contendas
Entre elas

Eram 
os Montecchio
e os
Capuleto

Eu e ele sintonizados
Na maior harmonia
do nosso amor 
sem esperança
Procurávamos
Alegrias em tudo
E o nosso afecto
Crescia

Na maior cumplicidade
decidimos não
quebrar as nossas
juras de amor
E um dia juntámos
os nossos haveres
e fugimos para
bem longe

Seguimos por caminhos
Vários, alamedas, becos
Cantámos, versejámos
dançámos pelas ruas
Tocámos liras e harpas
Trocámos as voltas
Ao destino de um
Amor infeliz.

*

Olinda Melo






Meus amigos:

Estou em viagem. Os comentários, se os houver, 
serão publicados quando eu regressar. 

Saúde.

Abraços
Olinda


===

NOTAS:

* A minha versão de Romeu e Julieta 
(W. 
Shakespeare
 que me perdoe a ousadia
)

Rosélia Bezerra tem muitos livros publicados 

A primeira imagem: Veio da publicação da Rosélia
A segunda imagem: da net

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Alma minha gentil...

 



Alma minha gentil, que te partiste

tão cedo desta vida, descontente,

repousa lá no Céu eternamente

e viva eu cá na terra sempre triste.


Se lá no assento etéreo, onde subiste,

memória desta vida se consente,

não te esqueça daquele amor ardente

que já nos olhos meus tão puro viste.


E se vires que pode merecer-te

alguma* cousa a dor que me ficou

da mágoa sem remédio de perder-te,


Roga a Deus, que teus anos encurtou,

que tão cedo de cá me leve a ver-te

quão cedo de meus olhos te levou.


Luís de Camões


O soneto mais famoso de Camões. Parece ter sido também dedicado à morte de Dinamene. Dizia Machado de Assis que "tem a simplicidade sublime de um recado mandado ao Céu".

Inspirando-se em modelos italianos (Petrarca, Sannazzaro), o nosso Poeta excedeu-os a todos e soube, neste soneto, exprimir com a maior perfeição "o sentimento predominante da raça, a saudade" (Joaquim Nabuco).

In Líricas - Selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa.

Pg 53


MUNDO ESCURO


SAUDADE


====

No livro, a grafia: algua, com til sobre o u (impossibilidade de mantê-la com este teclado)

.Música do presente...

.Comemoração, neste ano, dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões