2ª Comemoração dos Santos Populares - Juvenal Nunes
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Ó Jon, ja'm txgá! Ó Jon, ja'm txgá! (Ó João, já cheguei! Ó João, já cheguei!), gritam mulheres de trouxas na cabeça, enfeitadas com toda a espécie de flores de papel multicor, ramos entrelaçados, meneando-se ao som de tambores que ressoam pelo vale, ritmando
dançarinos ta kolá S.Jon, no seu jeito sensual, dois passos atrás a tomar balanço para o contacto, recomeçando até o suor
escorrer pelos corpos.
Cavalos montados por homens bem aperaltados, ensaiam passos como se gente fossem, batendo os cascos na calçada, marcam a cadência destes festejos a um tempo sagrados e profanos.
Pois, a imagem de São João Baptista acaba de chegar à capela, vinda da Ribeira das Patas, em andor, pelos ombros de moços musculosos, de uma distância de 23 quilómetros, palmilhados como manda a lei, e acompanhada por multidões.
Todo esse percurso feito no mesmo registo de festa, mulheres e homens de rosários ao pescoço até à cintura, confeccionados com prentem (espécie de pipocas) ou mancarra enfiados em fio de coser, com flores a dar-lhes vida.
E já dos planaltos, das montanhas e dos vales, tinham surgido os madrugadores desde os princípios de Junho, para festejar o Santo António, que é da Vila das Pombas, mas em Porto Novo também dá um ar da sua graça, com os navios engalanados que andam pelos pés dos foliões.
E também para armar as suas tendas para pernoita, os que não têm parentes na terra. Mas as barracas também são armadas para venda de
carne de porco assada, torresmos, canja de galinha bem condimentada, peixe frito, cachupa guisada, aguardente, ponche, sucrinha, e tudo o que o que manda a tradição.
No dia 24 de Junho a missa, como não podia deixar de ser, com a correspondente procissão. No dia seguinte é o regresso às respectivas casas que distam muitos quilómetros do local dos festejos.
Mas, será que não falta nada? Também de tradição que no São João tem de haver briga, amigável, entre os foliões. Já de partida, bastante alquebrados, lá engendram uma briga, mesmo que já estejam bastante avançados no caminho de regresso.
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As festas populares de São João Baptista em Porto Novo, antigamente, eram espontâneas. É disso que estive a falar nesta pequena prosa.
Na actualidade, já têm organização e toque institucional, como no video acima.
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Por cá,
no Porto, noite de festa braba. Alhos-porros, substituidos por martelos de plástico, ramos de cidreira e de limonete, lançamento de balões de ar quente, fogo de artifício, fogueiras, manjericos...
Mas também em Braga e noutros locais.
Enfim, nada pode faltar.
Desejo-vos um São João animado, meus amigos de cá e de lá.
Abraços.
Olinda
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NOTA:
APENAS HOJE, DIA 25, PUDE PUBLICAR OS VOSSOS COMENTÁRIOS, POR NÃO TER TIDO COMIGO O COMPUTADOR.
A TODOS OS QUE PASSARAM POR AQUI, A MINHA GRATIDÃO.
OLINDA
No meu caso não foi uma quadra.
Foi o que se pôde arranjar.
Obrigada amigo Juvenal.
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Imagens: in Palavras aladas, de Juvenal Nunes
Ver aqui - Porto Novo/São João - Peregrinação