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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Cidadania vs. Abstenções

Ouvi um comentador dizer que as abstenções são um mal terrível para a democracia e não posso deixar de concordar. É uma coisa que salta à vista. Qualquer dia somos governados por uma percentagem mínima de votações, elegendo quem não queremos, e depois não nos podemos queixar. E durante quatro longos anos somos todos co-responsáveis pelas decisões da nossa câmara representativa. Contudo, a votação é um acto que leva apenas alguns segundos, depois de alguma reflexão em tempo próprio, obviamente.




E como combater as abstenções? Sabemos que num dia de muito sol que apela a uma ida à praia ou num dia chuvoso e de ventania, e também juntando o descaso entranhado em nós sobre a vida política, à desilusão sobre a acção de alguns políticos, aos programas eleitorais não apelativos, às discussões durante a campanha eleitoral que não levam a nada, completamente ao lado do que realmente interessa, -pois, como dizia, com tudo isso, certamente muita gente não vê motivos para ir às urnas exercer o seu direito de voto.

Então, como é que ficamos neste imbróglio? Para grandes males grandes remédios, diz-nos o provérbio, e não há dúvida que deveremos tomar medidas para minimizar essa tendência. Está visto que já não é suficiente dizer às pessoas que devem votar porque é um dever de cidadania. Assim, deveríamos dar um salto qualitativo no que diz respeito às ferramentas que possam incentivar ao voto. 

A Internet é desde logo uma aliada preciosíssima. Que o admirável mundo novo da tecnologia tenha uma utilidade concreta e beneficie a todos de um modo visível, como no caso presente.

Alarguemos, pois, a possibilidade de votação estando onde estivermos, sem peias, sem restrições em relação a A, B ou C, mas tendo apenas em conta o Eleitor; na praia a dourar-se ao sol, de férias por cá ou na Conchinchina; em conferências, em viagem de negócios; doentes em casa ou nos hospitais; ou pura e simplesmente porque não nos apeteceu sair da cama.

E, por favor, não nos obriguem a deslocar-nos às freguesias onde estamos recenseados...é uma autêntica tortura e tira logo toda a vontade de votar ao cidadão-eleitor. 

À distância do um clic seria aqui uma medida de marketing muito bem-vinda e apreciada, acredito.

Sei que já existe a figura de votação antecipada, destinada a internados em hospitais, presos, e pessoas em mobilidade, mas mesmo assim dá trabalho, não é verdade? Ter de requerer e mais uma série de burocracias...Ou estará mais facilitada?




Reparei, já nas eleições europeias, que as secções de voto são organizadas por ordem alfabética, isto é, comportando cada mesa de voto um grupo heterogéneo de nomes completos, começados pela primeira letra, por exemplo, Albertinas, Joões, Josés, Marias disto e daquilo, Manuéis, Natálias, Otílias etc, etc, etc. 

e então, meu Deus!, onde é que está o meu nome?, e eu queria tanto votar! Vim de propósito...tenho a criancinha com a vizinha...ai a minha perna que me custa a andar...Não há aqui ninguém para ajudar! Fazia falta um funcionário, um voluntário!...vou entrar numa sala de votação qualquer e perguntar...tantas Marias, tantos Maneis...Agora já não é por número de eleitor, que maçada...e lá vou eu para um corredor estreito e mal iluminado onde estão quatro filas, com um calor sufocante à mistura... não estou para isto, vou para casa, volto à tarde...

Autêntico! Ninguém para dar uma ajuda a quem tenha uma visão menos clara e aos mais idosos. 

E assim se vão perdendo votos, caríssimos organizadores, cara comissão nacional de eleições! Bem sei que custa muito organizar tudo de forma ideal e quero crer que aos poucos se chegará àquele momento em que o Eleitor se sentirá como em casa para votar...

Entretanto, a temida Abstenção vai fazendo os seus estragos.

Mas, esperemos pelas próximas Eleições, talvez nessa altura já tenhamos aprendido alguma coisa mais...


Convite:

Meus amigos leitores, digam da vossa justiça sobre esta matéria. :)
Há quem diga que o voto deveria ser obrigatório. O que pensam disso?


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Algumas das ajudas que temos:

Portal do Eleitor:

Posso votar na Internet?

Comissão Nacional de Eleições:

Perguntas frequentes:Recenseamento/Direito de voto em Portugal


Imagens: daqui