E de novo S.Vicente assume-se como um campo de pastagem onde vivem no máximo 120 pessoas. Porém, apenas por algum tempo, porque mais que um desígnio, povoar S.Vicente transforma-se numa paixão. Mesmo sem ter nada, talvez apenas pela sua posição geográfica e a sua baía, quase todos os poderes concordam que ali e em mais nenhum outro lugar deve ser construído a capital de Cabo Verde.
Assim, depois de uma longa preparação para que dessa vez tudo viesse a dar certo, em 1819 o então governador António Pusich põe em execução uma nova tentativa de povoar S. Vicente, levando para ali 56 famílias. Bem, na verdade todas um tanto maltrapilhas, recrutadas entre a pobreza de Santo Antão mais castigada pela seca e pela fome e por isso mesmo sem quaisquer meios próprios de subsistência ou capacidade para enfrentar e vencer uma natureza agressiva.
Porém Pusich está entusiasmado, já vê aquilo como as primeiras pedras da cidade que sonha ali edificada, sobretudo porque em 1821, a ilha já conta com 295 almas, e ele mesmo baptiza a aldeia com o pomposo nome de Povoação Leopoldina, em homenagem à compatriota, a imperatriz Leopoldina da Áustria, esposa de D.Pedro IV.
GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S. Vicente, pg 12
E assim vamos andando neste tempo muito quente, transpirando, e recordando o passado dos nossos maiores de há séculos e tomando consciência das dificuldades por que passaram. Mas também neste tempo que atravessamos são tantos os dissabores e desgraças que acontecem que já nem sabemos bem em que mundo estamos.
Abraços, amigos.
Olinda
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S. Vicente - Ilha pertencente ao arquipélago de Cabo Verde
Imagem: net
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