Segundo notícias do fim do mês de Março, o Consulado do Brasil em Lisboa vai inaugurar (ou já inaugurou) um espaço dedicado a Machado de Assis.
Também o Clube Leitura Libertas, do Núcleo de Estudo Luso-Brasileiro da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, iria debater a obra Dom Casmurro no dia 8 de abril...
E o artigo acrescenta:
A discussão a respeito da obra promete se transformar num verdadeiro julgamento sobre os personagens de um dos clássicos do escritor brasileiro: afinal, Capitu traiu Bentinho?
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Cap.CXL
VOLTA DA IGREJA
Ficando só, era natural pegar no café e bebê-lo. Pois não, senhor; tinha perdido o gosto à morte. A morte era uma solução; eu acabava de achar outra, tanto melhor quanto não era definitiva, e deixava a porta aberta à reparação, se devesse havê-la. Não disse perdão, mas reparação, isto é, justiça. Qualquer que fosse a razão do acto, rejeitei a morte, e esperei o regresso de Capitu. Este foi mais demorado que de costume; cheguei a temer que ela houvesse ido a casa de minha mãe, mas não foi.
_Confiei a Deus todas as minhas amarguras - disse-me Capitu ao voltar da igreja -; ouvi dentro de mim que a nossa separação é indispensável, e estou às suas ordens.
Os olhos com que me disse isto eram embuçados, como espreitando um gesto de recusa ou de espera. Contava com a minha debilidade ou com a própria incerteza em que eu podia estar da paternidade do outro. Mas falhou tudo. Acaso haveria em mim um homem novo, um que aparecia agora, desde que impressões novas e fortes o descobriam? Nesse caso era um homem apenas encoberto. Respondi-lhe que ia pensar, e faríamos o que eu pensasse. Em verdade vos digo que tudo estava pensado e feito. (...)
Machado de Assis, Dom Casmurro, pg.154 (Diário de Notícias)
Deixo aqui mais um excerto de uma das obras de um autor que muito aprecio.
Abraços, meus amigos.
Olinda
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Machado de Assis aqui
Merecido reconhecimento à Machado de Assis.
ResponderEliminarTrouxeste um belo excerto!
Ótimo fim de semana!
beijos, tudo de bom,chica