sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vós mi defendestes, senhor


Vós mi defendestes, senhor,
que nunca vos disse ren
de quanto mal mi por vós ven,
mais fazede-me sabedor, 
por Deus, senhor, a quen direi
quan muito mal lev’e levei
por vós, se non a vós, senhor?


Ou a quem direi o meu mal,
se o eu a vós non disser?
Pois calar-me non m’é mester
e dizer-vo-lo non m’er val.
E, pois tanto mal sofr’assi, 
se com vosco non falar i,
por quem saberedes meu mal?


Ou a quen direi o pesar
que mi vós fazedes sofrer,
se o a vós non for dizer,
que podedes conselh’i dar?
E, por en, se Deus vos perdon, 
coita d’este meu coraçon,
a quen direi o meu pesar?


Dom Dinis


Poema:
Casa Fernando Pessoa

41 comentários:

  1. Olinda.
    Quanta sapiência vertida do coração deste rei- poeta, que me parece, foi o grande incentivador para o desenvolvimento da nação portuguesa em vários setores.
    Quem sabe, penso eu, e sem pretensão, imaginar que não é dele que herdamos esse gosto pela poesia, e em deixar que a alma fale através das letras?
    Mesmo sendo num português arcaico, da gosto ler este requintado poema.
    Como sempre, teu blog é um espaço para a cultura e o saber.
    Um fraterno abraço, beijos.

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  2. Sempre gostei da època trovadoresca e das cantigas d'amor!
    Se a ninguém contar como sabereis do meu sofrer, senhora?

    Linda, esta composição.

    Obrigada.

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  3. Grande D.Dinis...será que era melhor poeta que
    rei,,,,O poema é lindo...
    Bom Fim de semana
    Beijo

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  4. Olá, Antônio

    Tem razão no que diz.Rei-poeta que oficializou a língua portuguesa e que fundou a primeira universidade portuguesa.É fantástica a sensibilidade deste rei que, enquanto resolvia os assuntos do reino incrementando o seu desenvolvimento,vertia em lindos versos os 'ais' da alma. E é mesmo, talvez venha daí este gosto pela poesia que nós temos...

    Grande abraço

    Olinda

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  5. Querida Blue Shell

    A época trovadoresca tem aquele quê sempre nos atrai...
    'Ou a quem direi o meu mal,
    se o eu a vós non disser?'

    Mal d'amor, mal do coraçon.

    Beijinhos

    Olinda

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  6. Grande poeta, sim, Andradarte.

    Penso que foi um rei que procurou incentivar várias áreas, como a agricultura, a pesca, o comércio.

    Abraço

    Olinda

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  7. A propósito de D.Dinis,

    CRISTINA TORRÃO
    escreveu um livro sobre ele.Deixo aqui o título e o endereço do blog:

    D.Dinis- A Quem chamaram 'O Lavrador'

    andançasmedievais.blogspot.com

    BJ

    OLINDA

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  8. Grande poeta, um dos nossos melhores Reis.
    Soube lavrar e semear a terra, soube ser poeta.
    Gosto dele nas duas vertentes.
    Beijinho
    Maria

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  9. tenho a felicidade de ser essa a minha área de estudos...
    Excelente escolha.
    D. Dinis foi um homem invulgar para o seu tempo e um líder inteligente, no meio da cegueira a que quase sempre estamos sujeitos.

    Beijo

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  10. Querida amiga
    Mas isto é uma verdadeira relíquia!
    Há tanto tempo não me lembrava que D.Dinis foi poeta...
    É uma das grandes vantagens de visitarmos blogs amigos - sempre aprendemos ou recordamos coisas interessantes.
    D.Dinis foi um dos reis que mais gostei de estudar. E a história da Rainha Santa é maravilhosa.
    Era bom que hoje houvesse homens empreendedores como ele foi.

    Bom fim de semana. Beijinhos

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  11. Uma belíssima e forte oração Olinda!!
    Beijos

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  12. Olinda, minha querida Amiga; já referiste em comentário anterior o livro escrito pela Cristina Torrão, nossa companheira bloguista.
    Nesse livro, a Cristina tem inscrito o poema do teu post. E, o poema tem uma história, tal como todos os que o rei-poeta escreveu.
    Espero que a Cristina não me leve a mal, resumir aqui essa história porque ele é bela, mais ou menos ficcionada pela autora.
    Era uma noite de tempestade no noroeste transmontano quando D. Dinis chegou ao Castelo de Trancoso, onde iria cear com a Cátara e Rosacruciana (estes dois substantivos são especulação minha)Isabel de Aragão, a Rainha Santa de Portugal. D. Dinis e Isabel tinham casado por procuração e as bodas tinham decorrido em Trancoso, castelo que D. Dinis tinha oferecido a Isabel. Quando se encontraram para cear, o nosso rei notou que Isabel tinha crescido desde a última vez que tinham estado juntos e impressionou-se com a sua beleza. Durante a ceia, D. Dinis cantou os versos transcritos neste post, os quais tinha composto para Isabel. No final, a rainha mostrou-se profundamente emocionada e declarou ao rei o seu amor por ele. Começou assim, uma aproximação mais íntima entre ambos, e os primeiros beijos apaixonados.
    Nessa altura, começaram a ouvir os lobos uivar, cada vez com maior intensidade e D. Dinis notou que a rainha ficara pálida. Quando lhe perguntou o que estava a sentir, D. Isabel respondeu que se aproximava desgraça e efectivamente, passados alguns momentos, entraram na sala mensageiros de Castela, anunciando a morte do pai da rainha.
    Resumindo; a noite de núpcias ficou em águas-de-bacalhau, mas o amor entre ambos prevaleceu.
    Um romance, entre outros, escrito pela autora com imensa imaginação, mas muito bem fundamentado.
    Imperdível! (passo a publicidade)
    ;)

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  13. Querida amiga D. Dinis, um Rei empreendedor e um grande poeta. Foi um dos reis que mais gostei de estudar.
    Um excelente fim de semana.
    Beijinhos
    Maria

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  14. É a primeira vez que encontro D. Dinis na blogosfera ...e ando por cá há bastante tempo!!

    Incrível, não é?

    Desejo uma boa semana.

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  15. Ora direis, ora dirás, ora diremos, haverá de ter um novo Dom Dinis, para salvaguardar essa "pequena nesga que se debruça sobre o mar", da voracidade do capital e do descaso de uns poucos que brincam com o destino, a vida e a esperança de tantos?

    Deixo meu beijo e meu carinho, Olinda, além dos meus desejos de felicidades e vitórias!

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  16. Querida Maria

    É verdade, Maria, um dos melhores Reis.Para além de grande trovador, foi um hábil diplomata, nomeadamente, na definição das nossas fronteiras.Entre outras qualidades...

    Bj

    Olinda

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  17. Ai, Ana, uma área lindíssima que eu adoro. Em relação às 'cantigas d'amor, de amigo, d'escarnio e mal dizer', há uma musicalidade que não se encontra em mais nenhuma época...

    Bj

    Olinda

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  18. Querida Mariazita

    'O Milagre das Rosas', lembra-se? A Rainha Santa Isabel e a sua bondade seria, por si só, um marco nesta época da História de Portugal: 'O que levais aí, Senhora? Rosas, meu Senhor!Rosas em Janeiro?' E depois é o que se sabe, não é?

    A memória colectiva, mesmo em se tratando de lendas, é fundamental para que um povo possa seguir em frente...

    Beijinhos

    Olinda

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  19. Olá, Carla

    Tem mesmo uma toada que lembra uma oração, não é? Então, o pormenor de o trovador tratar a sua amada por 'Minha Senhor' revela bem o sentimento que domina a poesia trovadoresca.

    Beijinhos

    Olinda

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  20. Até um rei precisa de ter quem o ouça, quem escute o seu coração que, como o de qualquer simples mortal, se sente desconsolado. E quem diria que um rei a quem chamaram de lavrador fizesse tão bela poesia? Bem...preconceito nosso...todos os seres são capazes de fazer poesia; podemos e devemos fazer de cada actividade nossa um verdadeiro poema; é só querer, é só tentar ver em cada pormenor da vida um lindo verso e a cada dia juntar a esse um outro e assim vai...no fim teremos, pelo menos uma bela quadra.Gostei muito, pois até já me tinha esquecido dessa faceta do nosso D. Dinis. Um beijinho, Olinda e desejo-te uma bela semana, cheia de poesia
    Emília

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  21. Uma boa semana também para ti, Blue Shell.

    Beijinhos

    Olinda

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  22. Bartolomeu, meu amigo

    Que bom trazeres-nos o resumo desta parte do romance de Cristina Torrão, que referenciei acima. Penso que ela não levará a mal :)e, pelo referido resumo mostra bem a excelente escritora que ela é, pois, não fugindo ao rigor histórico transforma estes factos em matéria agradável à nossa imaginação quanto ao que poderá ter sido uma declaração de amor naqueles tempos, condimentando-a com toda a ambiência exterior.

    Confesso, que não li ainda este romance da nossa companheira bloguista, o que penso fazer em breve, aproveitando também o desconto de 30%, por motivo do 750º aniversário de D.Dinis, nascido a 9 de Outubro de 1291 (fui ver ao blog).

    Um grande abraço

    Olinda

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  23. Só tenho de agradecer seu carinho para comigo, diariamente ou apenas quanto
    sobra aquele tempinho tão desejado.
    Como todos nos gostariamos de estar sempre presente,
    mais na realidade temos dois mundos real e virtual.
    O real nos chama as responsabilidades do nosso cotidiano;
    O virtual faz parte do nosso coração cada amigo tem seu cantinho reservado
    dentro de nos.
    Um cantinho muito especial onde nada pode tocar .
    Que Deus te cuide com carinho, Que indique o melhor caminho, Que te ensine sobre o verdadeiro amor,
    Que te perdoe quando preciso for. Só Deus pra fazer tudo tão perfeito! Ser sua amiga é Perfeito!!
    Te desjo uma de muito Amor. Paz e Luz.
    Carinhosamente.
    Evanir
    Estou seguindo-te e te amando para sempre.

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  24. Olinda!
    Gostei da história de Portugal, e gosto das historiazinhas que se vão contando envolta daqueles castelos.
    Ficava presa ao ecrã qiando aparecia o Hermano Aaraiva de Carvalho, não me cansava de ouvir, sabendo que pelo meio era muito floreado, tive bons professores e exigentes.
    Gostei do poeta -lavrador (este também tem a sua poesia, o gosto pela terra, a creação)
    Até breve
    Herminia

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  25. Gostei do poema. Conheço pouco das canções de amor de D. Dinis, embora conheça muitas das cantigas de amigo.

    Um abraço

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  26. Olá, São

    Soube através do blog do Zé do Cão que o seu blog fez agora 4 anos.Quatro anos, é obra!

    Gostei muito da sua visita.

    :)

    Bj

    Olinda

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  27. Também eu, Maria, gostei muito de estudar D.Dinis e, claro, uma das primeiras coisas que fiquei logo a saber é que ele tinha mandado plantar o pinhal de Leiria e, por consequência, o seu cognome, 'O Lavrador'.Isso no tempo em que tínhamos de saber os nomes dos reis todos, os cognomes, e as dinastias, na ponta da língua...

    Desejo-lhe também uma óptima semana.

    Bj

    Olinda

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  28. Olinda, que delícia!
    Beijinhos, boa semana!
    Madalena

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  29. Canto da Boca

    Como sois generosa, Senhora minha! :)

    Belas palavras, minha querida, muito obrigada. Realmente precisaríamos agora de cabeças que soubessem pensar e deixassem de lado querelas partidárias, interesses próprios e privilegiassem o bem comum. A Europa, na qual estamos inseridos, necessita com urgência de uma renovação de mentalidades, de pessoas com ideias que consigam ter uma visão de conjunto para a resolução dos problemas.

    Beijinhos, minha amiga, e votos de felicidades.

    Olinda

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  30. Querida Emília

    Tem muita razão.A nossa capacidade é imensa,só não faremos aquilo a que não nos propusermos. E só é preciso acreditar e pôr as mãos à obra.E também a persistência é importante pois nada se faz se ao primeiro desaire pensarmos que não somos capazes. Verso a verso, pedra a pedra,passo a passo, até construirmos algo útil para nós e para os nossos semelhantes.

    Uma semana com tudo de bom, minha amiga.

    Beijos

    Olinda

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  31. Querida Evanir

    Nessa viagem que empreendeu, tem sempre uma palavra amiga e gestos muito bonitos para com os seus amigos virtuais, que traz sempre no coração. Muito obrigada pela parte que me toca nessa linda partilha. Desejo-lhe saúde e toda a felicidade do mundo.

    Muitos beijinhos.

    Olinda

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  32. Hermínia,amiga!

    Quão deliciosas e cheias de magia as histórias que envolvem castelos, princesas a que nunca falta o príncipe encantado, muitas vezes montado num cavalo branco!
    Tem razão quanto ao programa a que se refere o qual, ao fim e ao cabo, preencheu (ou tem preenchido) uma lacuna quanto a programas relativos à História de Portugal. Deveria haver mais nesta área, não é? Com a expansão do mundo tecnológico cada dia se dá menos importância a esta matéria.

    Beijinhos

    Olinda

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  33. "Ai flores, ai flores do verde pino,
    se sabedes novas do meu amigo!
    ai Deus, e u é?

    ..."

    Pois eu também, Elvira.Esta cantiga é das mais conhecidas e acho que sempre a soube, esta e outras, mais que as cantigas de amor.

    Beijos

    Olinda

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  34. Querida M.

    Muito obrigada e também uma belíssima semana para si.

    Beijo

    Olinda

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  35. Olá, boa noite!

    Algum muito trabalho tem-me afastado dos comentários.
    Agora reponho em dia a Leitura.

    Saudações minhas!

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  36. Lindíssimo o poema Olinda.Não conhecia essa canção do D. Dinis . Beijos e ótima semana!

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  37. Só hoje aqui vim e estou extremamente sensibilizada com a atitude do Bartolomeu. Ao ler este post, deparei com um dos poemas que utilizei no meu romance sobre D. Dinis. Tencionava dizer isso e mencionar a cena. Mas, qual não é meu espanto, quando a vejo descrita pelo Bartolomeu!

    D. Dinis foi de facto um grande poeta. É claro que usei a imaginação, ao escolher os poemas, adaptando-os a determinadas situações, pois ninguém sabe (nem saberá nunca) em que o rei-poeta estava a pensar quando os escreveu. Mas, como o Bartolomeu reconheceu, esforço-me por fundamentar as escolhas.

    Olinda, espero que consiga arranjar o livro com desconto. Se tiver dificuldades, diga-me alguma coisa.

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  38. Sim, Vieira Calado, eu sei...

    Ele é eventos, ele é medalhas!!!

    Muitos Parabéns, meu amigo.

    Olinda

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  39. Querida Smareis

    Como se costuma dizer por cá, 'Há sempre um Portugal desconhecido' :))

    Obrigada, amiga.

    Beijos

    Olinda

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  40. Olá. Cristina

    Na realidade, o amigo Bartolomeu veio prestigiar sobremaneira este post, trazendo-nos este excerto...
    Aprecio a forma como apresenta as situações, quando procura dar-lhes um rosto, uma personalidade, um carácter, produzindo uma história dentro da História.

    Muito obrigada quanto ao desconto do livro :) e sim, se tiver dificuldades digo-lhe.

    Bj

    Olinda

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