A carvoeira East India teria uma presença efémera em Mindelo. Porém, em 1850, a Royal Mail inicia a instalação no Porto Grande dos depósitos de combustível para o abastecimento da navegação que ali passa com destino ao atlântico sul. Por causa disso logo se torna necessário dotar a ilha de alfândega própria, e em Março de 1852 o Governo desanexa S.Vicente de Santo Antão, constituindo-se em concelho independente, tanto mais que no ano seguinte a companhia inglesa Visger & Miller instala novo depósito de carvão de pedra. (...)
Certamente que por pressão dos ingleses, por portaria de 10 de Março de 1857, é abolida de facto a escravatura em S.Vicente e no ano seguinte em S.Nicolau e Santo Antão. Os dados ficam pois lançados para o início dos considerados tempos áureos de Mindelo, embora um americano que visitou o burgo em 1855, o tenha descrito como uma colecção de pequenas cabanas de pedra, cercadas por montes e vales, verdadeiros exemplos de aridez. Mas em 1858, ano em que foi elevada à categoria de vila, Mindelo já possuía 4 ruas, 4 travessas, 2 largos e 170 habitações, e a sua população estava calculada em 1400 habitantes.
... subitamente a ilha é atingida por um surto de febre amarela que a flagela com tal violência que quando o navio em que viajava o árbitro português na Comissão Mista Luso-Britânica, Francisco Travassos Valdez, a visitou em 1861, disse ele que "só com muita dificuldade obtivemos braços suficientes para meter carvão no vapor..."
E de facto a mortandade foi tão grande que se estima ter a população ficado reduzida a metade. O povo vivia aterrorizado e apático, abandonado como se sentia pelos poderes públicos. (...)
GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 19, 20.
Desconhecia que S.Vicente encontrava-se anexado a Santo Antão.
O surto de febre amarela foi deveras terrível. Felizmente, houve particulares que, sacrificando-se, prestaram o socorro necessário fazendo com que o resultado não fosse pior...
Abraços, amigos.
Olinda
Nota: o próximo post vos trará um poema, em forma de prosa, da autoria de Graça Pires. Portanto, interrompo por poucos dias a nossa viagem por S.Vicente.
====
S.Vicente - Ilha pertencente ao arquipélago de Cabo Verde.
O arquipélago é composto por 10 ilhas: Santo Antão, S.Vicente, Santa Luzia,(desabitada), S. Nicolau, Sal, Boavista, Maio, Santiago, Fogo e Brava.
Imagem: Net
Mais um lindo capítulo sobre esse tema!
ResponderEliminarÓtimo setembro! beijos, chica
Excelente documentário histórico sobre a Ilha de São Vicente. Aguardando ansiosa as próximas postagens. Luz e paz. ♥
ResponderEliminarFica encantada com a maneira de narrar a história viva desta Ilha!
ResponderEliminarTão bela e como o Brasil , também sofreu com a escravatura e os surtos de febre amarela. Pobre população já tão sofrida e dizimada à metade...
A história, muitas vezes, é cinzenta...
Vou esperar o poema de Graça Pires!! :)))
Beijos querida Olinda!!!
Maravilhosa semana!!!
Amiga Olinda, boa noite de paz!
ResponderEliminarGosto do seu apreço por Cabo Verde.
O ritmo, como a amiga sabe, me agrada ouvir.
Anima a noite.
Tenha um setembro abençoado!
Beijinhos fraternos
Es un lindo lugar. Te mando un beso.
ResponderEliminarUna belleza Olinda. Besitos
ResponderEliminarA cada capítulo um relato surpreendente _ a pandemia da febre amarela que bem sabemos os resultados que nos atinge a todos. Gostei do escritor cabo-veridiano ,como é conhecido , e sua partilha nos dando a conhecer essa ilha
ResponderEliminarNão sei o que aconteceu que o comentário subiu sem que eu mandasse o abraço, receba-o agora Olinda. E um outono perfeito te desejo.
EliminarMuito obrigada, querida Lis.
EliminarBeijinhos
Olinda
Não me importava de dar umas voltinhas por lá!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda