A instrução era também objecto de cuidados e funcionavam escolas de instrução primária para o sexo masculino e outras para o sexo feminino, para além de ensino particular de francês, inglês e escrituração comercial, tendo mesmo os alunos da escola municipal formado uma "filarmónica de música marcial que, se não é boa, atenta a idade dos executantes, pode considerar-se bastante sofrível".
A 10 de Junho de 1880, dia do tricentenário da morte do épico Camões, inaugurou-se a escola do seu nome, destinada ao sexo feminino, e também a biblioteca pública, ainda que a mesma só viesse a realmente ser posta à disposição do público a partir de Outubro de 1887, porém com mais de mil volumes, todos adquiridos através de dádivas dos munícipes. Nessa data de 1880 foi também lançada a primeira pedra para a construção do hospital da ilha.
E finalmente em 1886, precisamente a 27 de Maio, chegava canalizada até à cidade as águas do Madeiral e do Madeiralzinho, a que se juntaria, quatro anos mais tarde, a chamada água do Norte, cuja exploração fora concedida a Augusto da Silva Pinto Ferro, John Visger Miller e John Hollway, cumprindo desse modo, no dizer do administrador Botelho da Costa o ditado popular, "não há falta que não dê em fartura" ...
Nas ilhas de Cabo Verde em geral, criou-se e vive-se no nostálgico mito de um passado de abundância e fartura que sonhamos sempre ver reproduzidos num qualquer tempo futuro, nosso ou dos nossos descendentes. Em S. Vicente esse mito foi eternizado através de uma das mais belas mornas do reportório nacional: "Tempo de Canequinha" da autoria do poeta Sérgio Frusoni, caboverdiano de nascimento e mindelense de cultura, ainda que filho de pais italianos vindos para S. Vicente nos primeiros tempos dessa cidade.(...)
GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S. Vicente, pgs 25,26, 27
Frusoni escreveu muitos contos e poemas em crioulo de São Vicente (Criol d' Soncente). É muito conhecido no arquipélago de Cabo Verde, mas é praticamente desconhecido no estrangeiro. No final da sua vida, Sérgio Frusoni foi também pintor.
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Preciosa Historiografia que, muito bem, nos é proposta, Olinda.
ResponderEliminarFalar de Cabo Verde é tomar nas mãos os sentimentos genuínos do Povo admirável e sofrido.
Bem haja, Olinda.
Beijo,
SOL da Esteva
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarUm retrato histórico muito precioso aqui nos vai detalhando sobre Cabo Verde e as suas maravilhosas ilhas.
Excelente partilha aqui nos deixa, estimada amiga. É sempre bom sabermos um pouco mais sobre este povo cabo verdiano.
Deixo os votos de bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Não conhecendo Cabo Verde , muito agradeço este trecho que me enriqueceu e muito . Uma imagem belissima que nos transporta para umas férias ( se for o caso) onde o tempo deve parar
ResponderEliminarObrigada, caríssima Olinda e parabéns sempre !
Muy interesante. Te deseo un buen fin de semana. Te mando un beso.
ResponderEliminarHá uma certa sedução nos sinais que nos chegam de Cabo Verde.
ResponderEliminarUm abraço.
Lembro-me de se dizer que os caboverdianos que vinham fazer a tropa à metrópole tinham quase todos o 7° ano.
ResponderEliminarPenso que foi assim que o PAIGC conseguiu dinamizar a guerrilha na Guiné.
Abraço
Não me importva nada de ir até Cabo Verde.
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Não conheço Cabo verde, suas informações são preciosas. Bom dia, boa semana. Norma
ResponderEliminarhttps://pensandoemfamilia.com.br/datas-comemorativas/celebracao-10/
Uma excelente aula de história ao som de uma bonita morna.
ResponderEliminarGostei muito,
Abraço e brisas doces ***