Ontem lembrei-me do "Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", de Germano Almeida, escritor cabo-verdiano, laureado com o Prémio Camões, em 2018.
Temos que o Sr Napumoceno, pequeno comerciante, encomendara 1000 guarda-chuvas e, por engano do fornecedor, recebera 10000. O que fazer com elas numa terra que não chove? Conservou-as e por fim recebeu o fruto da sua paciência. A chuva não se faz rogada em determinada altura e o Sr Napumoceno vê a sua paciência dar resultado. A corrida aos guarda-chuvas foi memorável. Este livro foi vertido em filme, com a colaboração de actores do Brasil.
Lembrei-me dele, é verdade. Na madrugada de ontem caiu uma tromba de água sobre São Vicente, que durou 3* horas ininterruptas. Notícias de lá dizem-nos que está um caos sem tamanho e que já fez vítimas mortais, incluindo crianças. Casas inundadas, carros a boiar e revirados, sem luz eléctrica, pessoas sem poderem sair à rua, sem possibilidade de carregarem os telemóveis, portanto sem poderem comunicar, caminhos desfeitos, sem táxis... Consta que muitas viaturas foram parar ao mar. A destruição é generalizada. Comerciantes com prejuízos incontáveis.
Muitas críticas têm surgido. O chão seco torna-se impermeável à chuva que leva tudo à frente. Não há, segundo parece, sistema de drenagem nem de captação. Os prédios feitos em estilo moderno não têm capacidade de escoarem a água, porque na realidade Cabo Verde é um arquipélago onde a chuva é rara.
Previsões metereológicas anunciam replica nos próximos dias.
Foi decretado estado de calamidade e luto nacional. A ilha de Santo Antão também foi afectada.
Dudu Araújo
Ceuzany
Mindel D'Novas
Relato na primeira pessoa: Sílvia Moutinho - Visão
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A "tromba de água" que refiro acima afinal tem nome:
É a tempestade "Erin".
Recebi este apontamento:
"Em apenas 5 horas, São Vicente recebeu 192,,2 mm de chuva. Entre as 04h e as 05h, foram 108,5 mm, isto é mais chuva numa hora do que Lisboa tem num mês de Inverno"...
E a seguir faz uma comparação com outros países para se perceber a dimensão do desastre.
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Os meus sentimentos, povo cabo-verdiano.
Abraços
Olinda
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*rectificando: 5 horas
Ver aqui - Germano de Almeida
A natureza anda se rebelando...
ResponderEliminarGostei da história que não conhecia! Que tudo fique bem por lá!
beijos praianos, chica
É mesmo, cara Chica.
EliminarAs alterações climáticas é um facto.
As tempestades, os furacões, as trombas de água,
andam por aí à solta. Quem mora em sítios mal
urbanizados é que sofre toda a desgraça.
Boa praia, minha amiga.
Beijinhos
Olinda
Olá querida amiga Olinda!
ResponderEliminarVou começar pelo lado bom do post:
"Vê a sua paciência dar resultado."
É assim que acontece na vida real...
Lastimo a tragédia que aconteceu lá e estamos todos sujeitos à tal adversidade.
Já estamos sendo avisados nos noticiários que outras virão... lamentável os efeitos climáticos que, desde o ano 2000 se falava e nada quase foi feito passados 25 anos...
Temos visto tragédias sucessivas.
Sei do seu apreço pelo povo caboverdiano, então lhe deixo meus sentimentos pelo luto de muitos por lá
Muito triste.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos de Paz
Querida Rosélia
EliminarIlhas com um historial de seca contínua é o que mais
conta. Mas, muitas vezes o "homem põe e Deus dispõe",
acreditando que tudo pode, não se precavendo, um dia
acorda-se é um dilúvio.
Beijinhos
Olinda
Adorei a tua reflexão sobre “A Visão do Sr. Napumoceno” — a forma como evocas a história dele, paciente e inaudita, mesmo numa terra onde a chuva parece distante, é simplesmente inspiradora. A maneira como ligaste essa narrativa poética à tragédia meteorológica que atingiu São Vicente trouxe profundidade e humanidade ao texto. Um comentário sensível e cheio de propósito.
ResponderEliminarCom amor,
Daniela Silva 🩷🦋
alma-leveblog.blogspot.com — espero pela tua visita no blog
Olá, Daniela
EliminarQuando soube da tragédia em Cabo lembrei-me desse livro de
Germano Almeida, quase automaticamente.
Num tempo de seca prolongada, para quê chapéus de chuva.
A imaginação desse escritor, talvez fundada em algo real, quase
que se aplica ao que aconteceu por lá.
Com carinho
Olinda
...em Cabo Verde...
EliminarOlá, a natureza tem-nos pregado surpresas climáticas . Uma verdadeira tragédia muito bem narrada por vc , introduzindo sabiamente a visão do sr. Napumoceno da qual não conhecia a história . Que venham melhores temos por lá , em cabo verde. Abraços
ResponderEliminarmeu link
https://kantinhodasmensagens.blogspot.com
Cara Edite
EliminarUma tragédia de todo o tamanho.
Tenho recebido notícias de lá, tudo mergulhado na
escuridão, sem água, esgotos a céu aberto...
Aos poucos, com acção desse povo incrível, as coisas
vão melhorando.
Enfim...
Abraços
Olinda
Amiga Olinda,
ResponderEliminarEnchi-me de trabalho e o tempo tem sido escasso, por isso ando arredio.
Adorei o texto de Germano de Almeida, singular a história do guarda-chuva. E a epígrafe é a epígrafe "Se a chuva não vem morre-se de sede, / se ela vem morre-se afogado, é um duro retrato acabado do destino do arquipélago.
Dolorosa a situação dos que vivem em S. Vicente, minha solidariedade a todas as famílias, a todo de São Vicente e Santo Antão.
Que os governantes ampare a todos!
beijinhos, amiga Olinda!
Caro José Carlos
EliminarAgradeço a sua presença e atenção.
Em Cabo Verde andam a braços com tanta desgraça.
A tempestade entrou e fez grandes estragos.
"Gente sem sorte, não há remédio, chora a tua sina
chora a tua dor"
Beijinhos
Olinda
Leia-se amparem na penúltima linha.
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