sexta-feira, 3 de março de 2023

OS VERDES ANOS

 



Era o amor
Que chegava e partia
Estarmos os dois
Era um calor, que arrefecia
Sem antes nem depois
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir
Eram enganos e era um medo
A morte a rir
Dos nossos verdes anos
Foi o tempo que secou
A flor que ainda não era
Como o outono chegou
No lugar da primavera
Era o amor
Que chegava e partia
Estarmos os dois
Era um calor, que arrefecia
Sem antes nem depois
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir
Eram enganos e era um medo
A morte a rir
Dos nossos verdes anos
Nosso sangue corria
Um vento de sermos sós
Nascia a noite e era dia
E o dia acabava em nós
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir
Eram enganos e era um medo
A morte a rir
Dos nossos verdes anos

Pedro Tamen

==


Sobre o Amor,

Relembramos a ternura dos "verdes anos"
com a melodia e genialidade do guitarrista Português Carlos Paredes
https://www.youtube.com/watch?v=50AA_Aln6P8

dando origem ao filme português
Os Verdes Anos (1963)
Director: Paulo Rocha
https://www.youtube.com/watch?v=krjMJ6Xdlyw
E o poema (tema da banda sonora) que é cantado por muitas vozes


ESCOLHA DE ÂNGELA



O saudoso guitarrista
Carlos Paredes
Os verdes anos
=
Nascia a noite e era dia
E o dia acabava em nós
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir





Um dos blogues de Ângela
Portugal-Re decouverte



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Imagem: pixabay
Video também enviado por Ângela

quinta-feira, 2 de março de 2023

ENTRE OLHARES



Entre dois instantes, os olhos trouxeram cenas de um passado sem calendário, mas presente quando folheado mesmo sem intenção. As páginas corriam velozes alternando os tempos, os dias vividos, as situações definidas nos rostos familiares, ora risonhos, ora chorosos...

Tudo ia se metamorfoseando nos gestos que lhe deram origem. Gestos simples, corriqueiros aos afazeres da casa. Roupas dependuradas e esquecidas, talvez pela necessidade sazonal, talvez por puro esquecimento de uso, ali permaneciam, mudas testemunhas de outros dias quando foram protagonistas de palcos iluminados por promessas e sorrisos.
As lembranças dançavam ante os olhos presos em suas teias, revelando minúcias do traje, do penteado, da maquiagem, dos adornos. Até o som oco dos saltos usados se fazia ouvir nitidamente. E, lá ia ela, naquele dia, para aquela festa. Ia pelos braços dele, par e passo, mão e pele, almas gêmeas.
A música tomava conta do salão. Outros pares já rodopiavam graciosamente...naquela noite, naquele tempo que agora se fazia presente apenas no toque da fina organza do vestido usado, ali defronte aos seus olhos que teimavam em permanecer no passado.
De algum lugar veio a canção, entrando sem pedir licença, soltava seus versos tocantes e a prendia naquele instante:
"... se na desordem do armário embutido,
Meu paletó enlaça o teu vestido
E meu sapato inda pisa no teu"

Carmen Luísa Barros

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Lembranças de um passado enlaçado
no presente sem tempo nem hora,
páginas de uma vida.

E... 




Chico Buarque/Tom Jobim

EU TE AMO
=
Se nós nas travessuras das noites eternasJá confundimos tanto as nossas pernasDiz com que pernas eu devo seguir




O Blog da Autora:




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Música indicada por Calu
Imagem: dança flamenga
De Mark Spain (pintor figurativo)

quarta-feira, 1 de março de 2023

Cai Neve a Nordeste/Neba a Nordeste

  

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Cai neve a Nordeste

Distantes e despidos do verbo
E dos meandros da conjugação
Da cor e do tempo escaldante
Cubro-me de saudade e envolvo
Na seda e na carícia deste xaile
Meu corpo de inquietação

E na pele nua do inverno
Lavro a fantasia e o desejo
Colho perfumes de lírio silvestre
E no subtil deslaçar do colete
Breve aragem rasga a costura
E cai neve a nordeste.


Teresa Almeida Subtil





Neba a Nordeste


Longe i znudados de l berbo
I de ls remissaques de la cunjugaçon
De la quelor i de l tiempo scaldante
acubro-me de soudade i ambuolbo
Na seda i carino deste xal
Miu cuorpo d'apequentaçon

I na piel znuda de l eimbierno
Bimo la fantasie i l anseio
Cuolho prefumes de spadanhas
I ne l cencilho zlhaçar de l colete
Un cinués d’araige rasga la questura
I neba a nordeste.

Teresa Almeida Subtil



Cuolho prefumes de spadanhas
I ne l cencilho zlhaçar de l colete
E un cinués d'araige rasga la questura
I neba a nordeste



Galandum Galundaina

Eu quis uma Burgalesa
E ela não me quis a mim
E com outro se casou




O Blog da Autora,
Bilingue: Português
e Mirandês


Nota: O Mirandês é uma das três línguas oficiais portuguesas



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*Traje feminino de Miranda do Douro
Do blog da Teresa

Pedi-lhe para me indicar uma música tradicional de
Miranda do Douro