Não precisa me conhecer para saber que estou amando. Não precisa de intimidade para saber que estou amando. Não precisa de amizade para saber que estou amando.
É apenas me olhar que o porteiro do prédio descobre que estou amando. É apenas me olhar que o verdureiro descobre que estou amando. É apenas me olhar que o vendedor de flores descobre que estou amando. É apenas me olhar que o vizinho descobre que estou amando.
É apenas me olhar que o cobrador descobre que estou amando. É apenas me olhar que o azulzinho descobre que estou amando. É apenas me olhar que o balconista descobre que estou amando.
As palavras são dispensáveis. As perguntas são dispensáveis.
É fácil descobrir quem está amando: ri em vez de cumprimentar, conversa sozinho, ouve música no pensamento, anda distraído, quase voando. É bobo, a pele brilha, o olhar é céu de brigadeiro.
Quando amamos, não temos segredos, somos transparentes pela primeira vez na vida."
"Fabricio Carpinejar, é um poeta, cronista e jornalistabrasileiro, nascido aqui no Rio Grande do Sul.
Escolha da Chica.
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Quem não se sentiu já, assim, bobo, conversando sozinho, distraído, que atire a primeira pedra. É que o amor é um sentimento que salta à vista.
Não há como disfarçar.
Diz-me "coisas bunitas"
Sara tavares
Já perdi a conta das vezes que ela me veio contar essas coisas.
Nesse terrível episódio da pandemia em que todos nós estamos passando, agora com mais leveza, pensei muito nos meus pais, já falecidos. E trago para essa crônica, um pouco de mim. Sem dúvida que nós ficamos bem mais sensíveis, mais afetivos e saudosos. E nesse período afloraram meus melhores sentimentos para com meus pais.
Lembrei de nossas festas juntos, nossas viagens, nossos almoços dos domingos, nossos passeios aos shoppings quando meus pais ainda estavam entre nós. Não esqueço de minha mãe, toda vestida de felicidade quando íamos ao shopping comprar os presentes da família, quando fazíamos as festas de Natal em conjunto, a Ceia, as brincadeiras de meu pai, um homem de elevado humor. Todos nós tão felizes!
E ao lembrar de todos os nossos momentos, hoje me pergunto porque não aproveitei a felicidade, ao longo de nossas vidas, para dizer-lhes, muitas vezes, que eu os amava?
Fiquei com a sensação de que falhei. Acostumada tanto com suas presenças, hoje vejo que poderia ter-lhes dado essa felicidade, demonstrada com palavras, diferente das atitudes de cuidados que eu tinha com eles. Palavras são mais fortes, transmitem mais impacto, mais emoção. Fui uma boa filha, sem dúvida, mas ao ler o Diário Pessoal de meu pai (ele deixou para mim), quanta coisa linda deixou ali escrito! Quanto carinho, como ele me amava! Como amava a família!
Sinto isso quando nossos filhos dizem para nós: eu amo vocês! Dizem quando saem de férias, dizem quando estão longe, ao telefone, dizem quando nos despedimos após os almoços dos domingos. E como isso tem força! Parece tão pouco, mas é muito!
Hoje, certamente eu diria em vida para meus pais: "Eu amo vocês", e diria muitas vezes. Sinto como se fosse um poema. E meus olhos lacrimejam, um nó na garganta, e um choro baixinho como no momento dessa crônica. Um sentimento que eu devia ter dividido.
Senti um pouco tarde que as "palavras" são mais fortes do que os atos, que como tempo nos habituamos a fazer, quase que automaticamente.
Com nossas mãos já entrelaçadas, eu disse que os amava, mas o tempo restante não me ajudou. Gostaria que tivessem levado com eles o meu maior sentimento, demonstrado enquanto juntos vivemos. Nossos atos têm uma função, nossas palavras outras. E eu pensei errado, as palavras carregam emoções, é o coração se manifestando.
Aprendi, o quanto é bom e saudável os filhos dizerem e os pais escutarem:
Eu amo muito vocês!!
É a força do amor!
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Aqui temos o Amor Maior, de pais para filhos e destes para os seus ascendentes. Nesse amor tudo se concentra e se engrandece.