segunda-feira, 9 de abril de 2012

Concurso Conto Infantil - Prémio Matilde Rosa Araújo

Publiquei aqui, em tempos, um poema de Matilde Rosa Araújo, intitulado Saber Ler na Vida. Talvez por isso me tenha chamado a atenção um Concurso do Conto Infantil promovido pela Câmara Municipal da Trofa de parceria com o Instituto Camões e cujo prazo, para a entrega dos trabalhos, termina no próximo dia 21 de Abril. Este concurso tem a particularidade de se destinar a todo o espaço lusófono, com o propósito de desenvolver entre os povos, o amor à língua portuguesa, fomentar a escrita criativa, impulsionar a expressão literária e, ao mesmo tempo, divulgar os autores.


Mãos à obra, meus amigos.

Entretanto, mais um poema de Matilde Rosa Araújo, como inspiração.

Arco-Íris

— Disseram-me que o Amor era azul. 
E, minha Mãe, eu hei-de amar! 
Disseram-me que o amor era vermelho. 
E, minha Mãe, eu hei-de amar! 
Disseram-me que o Amor era violeta. 
E, minha Mãe, eu hei-de amar! 
Disseram-me que o Amor era violeta. 
E, minha Mãe, eu hei-de amar!
E verde é a minha esperança! 
E se eu chorar, minha Mãe? 
— Dou-te um lencinho de branca nuvem 
E enxugas as lágrimas.

In: O Cantar da Tila - poemas para a juventude

Antes que o rio seque

O Cerejo, o castanho: os limites da 
agricultura para os hemisférios
da fome e da fartura.
No cerejo os frutos bravos, muitas aves,
à mão colhidos;
os dias vastos,
a morna sobrevivência.
No castanho as horas graves,
o sustento coado de raízes.
Eis o que os meses
de seu saco têm para dar.
Baça agricultura, lenta
(sob promessa, mas
tão lenta) divisão.

A.M.Pires Cabral
(1941)

Antes que o rio seque - Poemário 2012                                                                                                        

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Viver é...

Hoje, partilho convosco este texto de Joaquim Pessoa, no qual o autor procura definir o que é viver... O ritmo, o movimento que ele imprime às palavras deixa-nos entrever esta policromia imensa que é a vida, passível de muitas interpretações, dependendo muito da forma como a visionamos. Eu... gosto desta sua visão:


Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo. 
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera. 
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde. 
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções. 
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas. 

Joaquim Pessoa

in 'Ano Comum'