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sábado, 17 de setembro de 2016
Fim da Culsete?
É com esta interrogação que a Livraria nos comunica o seu encerramento, dizendo:
Uma das mais antigas livrarias independentes cessará a sua actividade durante o próximo mês de Outubro.
Veja aqui os motivos.
Triste, não é?
Também nos informa que de 23 de Setembro a 2 de Outubro procederá a uma liquidação total.
E assim vai o mundo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Magro, de olhos azuis, carão moreno, triste de facha, o mesmo de figura, nariz alto no meio, e não pequeno...
...
Eis
Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.*
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.*
Assim se apresenta este nosso poeta, mas não fica por aqui. Ora, leiam isto:
De cerúleo gabão não bem coberto,
Passeia em Santarém chuchado moço,
Mantido às vezes de sucinto almoço,
De ceia casual, jantar incerto;
Mantido às vezes de sucinto almoço,
De ceia casual, jantar incerto;
Dos esburgados peitos quase aberto,
Versos impinge por miúdo e grosso.
E do que em frase vil chamam caroço,
Se o quer, é vox clamantis in deserto.
Versos impinge por miúdo e grosso.
E do que em frase vil chamam caroço,
Se o quer, é vox clamantis in deserto.
Pede às moças ternura, e dão-lhe motes!
Que tendo um coração como estalage,
Vão nele acomodando a mil pexotes.
Que tendo um coração como estalage,
Vão nele acomodando a mil pexotes.
Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje,
Cercado de um tropel de franchinotes?
É o autor do soneto: é o Bocage!
Cercado de um tropel de franchinotes?
É o autor do soneto: é o Bocage!
Sim, é o Bocage, Manuel Maria Barbosa du Bocage, que todos nós julgamos conhecer muito bem, identificando-o, normalmente, com o seu lado brejeiro e anedótico, mas cuja essência muitas vezes nos escapa. Uma forte presença na literatura portuguesa do Sec.XIX, situando-se no período de transição do clássico para o romântico é também muito duro consigo próprio quando julga a sua obra:
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania.
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania.
Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.
Pois bem, hoje, 15 de Setembro, é feriado em Setúbal em homenagem ao filho da terra, nascido em 1765. Hoje é dia de Bocage e da Cidade. E lê-se aqui que as actividades em comemoração dos 250 anos do seu nascimento vão ser muitíssimas, estendendo-se até 16 de Setembro de 2016.
De referir que, A sessão solene de abertura das Comemorações dos 250 Anos
do Nascimento de Bocage está agendada para as 16h00, no Salão Nobre dos Paços
do Concelho, durante a qual é apresentada oficialmente a comissão de honra do
programa comemorativo, e que O livro “Bocage – A Imagem e o Verbo”, de Daniel Pires, investigador que dedicou vários estudos à vida e obra do poeta, é apresentado às 17h00, na Casa da Cultura.
Entretanto, passeemos, virtualmente, pela Biblioteca Nacional numa visita a este poeta sadino, através de um trabalho realizado em 2005 sob o título "Eis Bocage...duzentos anos depois" (1765/1805), e atentemos, por exemplo, no mote deste capítulo, que o apresenta como O Poeta da Liberdade:
E não se esqueçam que Setúbal está uma cidade bastante apelativa, a modernizar-se, com muitos focos de interesse não só para os turistas como para os naturais da terra.
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*As palavras do título e os versos que se encontram a seguir à imagem, são excertos do soneto que poderá ler na íntegra aqui
2ª imagem:
Estátua do poeta na cidade de Setúbal
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Vamos à Arruada da Culsete?
Diz-se que vai haver livros com preços bonificados, encontros com autores e sessões com autógrafos e apontamentos musicais e de dança, de cinema, culinária e actividades infantis, enfim, um convívio de saberes e de culturas, nesta que é a III Arruada da Livraria Culsete, em Setúbal, de 03 a 12 deste mês.
Ademais, ouvi dizer que Setúbal está a ter um apetitoso revigoramento em termos de restauração com umas tasquinhas cujos petiscos fazem crescer água na boca, para além dos vinhos, engarrafados ou à pressão e sangrias, lá para os lados da Av.Luísa Todi. Não me esqueci do peixe, não. Há, por exemplo, um sítio ao pé do Quebedo onde vou comer umas belas sardinhas assadas, sempre que por ali passo. Para quem quiser pernoitar há uma série de hostels e afins. Das praias nem se fala... com a bela Tróia ali ao fundo.
Lá nos encontraremos. :)
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
'O Mistério da Casa das Quatro Cabeças'
É uma casa quase encantada, lendária, com traçado arquitectónico da época moderna iniciado no século XV, mas, há quem diga que a data da sua construção é posterior ao terramoto de 1755, que destruiu o Bairro de Troino - Setúbal (esquina da rua de Fran Paxeco com a rua do Carmo). A porta mostra o nº 44, ao lado deste uma cabeça e em baixo a inscrição: Si Deus pro nobis, quis contra nos.
Diz a tradição que as cabeças serviriam para assinalar o local do atentado que deveria dar-se contra o Rei D.João II na sua passagem, a pé, na procissão de Corpus Christi, em Setúbal.
Três das cabeças representariam o rosto de D. João II ladeado pelos de D.Diogo, Duque de Viseu e de D. Lopo de Albuquerque, Conde Penamacor. Naquele local os dois teriam combinado deixar cair os bastões e baixando-se para os apanhar deixariam a descoberto a pessoa do Rei, a quem, um terceiro conjurado de dentro das casas, atacaria a tiro de arcabuz.
Há muitas dúvidas sobre se o monumento teria alguma coisa a ver com um eventual atentado contra o rei, sobre se as cabeças teriam sido lá colocadas todas na mesma época, e mesmo, se a posição delas teria sido, originalmente, a que vemos presentemente.
Estas e outras polémicas são tratadas e resolvidas, segundo o autor, Rocha Souto, num trabalho intitulado, 'O Mistério da Casa das Quatro Cabeças'. Na conclusão, o autor sublinha a importância histórica do monumento, e alerta para a necessidade da sua inclusão entre os Monumentos sob a protecção do Estado.
Há muitas dúvidas sobre se o monumento teria alguma coisa a ver com um eventual atentado contra o rei, sobre se as cabeças teriam sido lá colocadas todas na mesma época, e mesmo, se a posição delas teria sido, originalmente, a que vemos presentemente.
Estas e outras polémicas são tratadas e resolvidas, segundo o autor, Rocha Souto, num trabalho intitulado, 'O Mistério da Casa das Quatro Cabeças'. Na conclusão, o autor sublinha a importância histórica do monumento, e alerta para a necessidade da sua inclusão entre os Monumentos sob a protecção do Estado.
E parece que é o que vai acontecer.
Li num jornal regional, em 12 deste mês, que a Câmara Municipal de Setúbal pretende acelerar a expropriação do imóvel. Este foi considerado património de interesse municipal e não tem sido possível contactar os donos da propriedade, não só para procederem à sua conservação como, agora, quando se trata da expropriação. Até nisto o mistério se mantém...
Notícia:
Diário da Região
Imagens: Internet
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