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domingo, 1 de maio de 2016

Pequeno Poema - Sebastião da Gama

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama

in 'Antologia Poética'


Sebastião Artur Cardoso da Gama, poeta, professor. Apaixonado pela Serra da Arrábida. Na sequência do seu pedido para a defesa da serra foi criada a LPN, Liga para a protecção da Natureza, em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa.

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Poema retirado do Citador

domingo, 1 de setembro de 2013

Cabo da Boa Esperança





A vela rasgou-se em fitas. 
E quanto ao mais, desde o casco 
até a ponta dos mastros, 
o fundo do Mar que o diga. 

Cá por mim, passei o cabo. 
Cheguei aonde o Destino 
desde sempre me chamava. 
Se estou sem pinga de sangue 
depois de tantos naufrágios, 
se arribei são ou doente, 
se tenho os ossos partidos, 
é melhor não perguntá-lo. 

Basta saber que cheguei 
e que é de lá que vos falo.

Sebastião da Gama
     1924-1952