para que não se perca nunca a esperança
irás oferecer aos homens do desânimo
o último sol que ainda ontem brilhou
e tecendo os longos cabelos dos dias
tu mesmo irresistivelmente
entoarás um hino de força
seremos todos jovens com raízes nas mãos
fomos franquear caminhos cheios de portas fechadas
e levávamos connosco a esperança
fomos decifrar nas estrelas o enigma
que morre e brilha cada manhã nos olhos das plantas
era preciso esperança
e os homens que a não perderam
no coração tão perto de todos
a acharam mordendo infinitos
e voltámos felizes mas ainda insatisfeitos
e voltámos para logo amanhã
nos lançarmos a correr pelos campos
como crianças doidas de júbilo
era assim a esperança no coração dos homens
quando estes caçavam aves de pedra com fusis de flores
e agora a herdávamos
INTACTA
Oswaldo Osório
Pseudónimo literário de Oswaldo Alcântara Medina Custódio, poeta, contista, dramaturgo e ensaísta, um marco na cultura de Cabo-Verde e continua a publicar, apesar de ter perdido a visão, em 2004. Biografia/video - aqui
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Poema: in No Reino do Caliban I - pags 237/238
Imagem: daqui
