Mas também o governo está de tangas, pelo que responde ordenando três medidas: o repatriamento de todos os indigentes; oferta de passagem aos que quisessem ir trabalhar nas obras públicas de Santo Antão; abertura de trabalhos públicos para os naturais de S.Vicente. Era em si uma medida cómoda, ainda que de difícil aplicação porque poucos já eram ao tempo os naturais de S.Vicente.
De todo modo, os operários em peso recusam essa proposta discriminatória. Mas entretanto essa primeira crise acaba por ficar de certa forma ultrapassada com a retoma de algum movimento de barcos entrados no porto e consequente emprego ainda que só para uma parte dos trabalhadores.
Porém, a partir daí o desemprego passa a ser uma constante no seio de uma classe trabalhadora depauperada, e com ele o espectro da fome ou pelo menos de verdadeiros dramas sociais, como põem a nu os romances como "Chiquinho" de Baltasar Lopes ou os contos "Caderneta" e "Dona Mana" do mesmo autor, sem já falar nesse constante forçar para sobreviver magistralmente retratado por Manuel Lopes no "O galo cantou na baía": "Quando porto não dá, acaba comida do povo".
"O que é verdade é que a mesquinhez dos salários, insuficientando os recursos para a satisfação das imprescindíveis necessidades do viver ou dos encargos; a singular proliferação da raça indígena, mal contida nos seus feitos de exagerado povoamento das famílias, pela mortalidade derivada das desumanas condições em que crescem, sem cuidados familiares e físicas, as crianças que enxameiam cada lar; as taras da tuberculose e dos vários vícios atávicos da raça e a violência do trabalho, são bem de feição própria a imprimir na vida em geral das classes proletárias, e sobretudo logo que o trabalho falte, o carácter iniludível da verdadeira miséria", lê-se no relatório da Câmara de S.Vicente em Julho de 1910 (...)
GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente - pgs 35 a 37

São deliciosas estas Reportagens de Cabo verde. Algumas trazem-me memórias boas. Quando não lembro acabo por procurar saber mais.
ResponderEliminarAgradeço, Olinda, do fundo do coração, estas abordagens da História do tempo.
Beijo,
SOL da Esteva
Bom dia:- Um texto que requer reflexão séria e honesta. Gostei da música.
ResponderEliminar.
Cumprimentos poéticos – Feliz fim de semana.
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“” Destino sem endereço ““
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Cabo Verde. É preciso conhecer melhor esse lugar mítico.
ResponderEliminarObrigada, minha Amiga Olinda.
Um beijo.
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarÉ sempre importante estas reportagens sobre Cabo Verde. Principalmente, para quem como eu, nunca visitou estas ilhas. Excelente partilha, estimada amiga.
Votos de um bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
A música de Cabo Verde é sempre muito agradável de ouvir!
ResponderEliminarAbraço
Um texto brilhante e enriquecedor.
ResponderEliminarObrigado pela partilha.
Beijinhos
Maria
História interessante, sempre aprendo muito viajando por entre esses espaços. Uma semana perfeita pra ti. Tania https://blogmingdolls.blogspot.com/
ResponderEliminarÉ sempre agradável viajar na História de qualquer país ou região. E, neste caso, saber coisas dessa ilha ainda mais, pois Cabo Verde é um país irmão.
ResponderEliminarBoa semana amiga Olinda.
Abraços.
Para refletir.
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Belo texto!
ResponderEliminarBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Es muy interesante lo que cuentas en tus publicaciones, además apasiona saber de otros lugares y otras culturas.
ResponderEliminarTe envío un abrazo.
Gostei muito desta tua " reportagem " sobre Cabo Verde ", querida Amiga. Com certeza a miséria já não é tão grande, porque, felizmente, o mundo foi mudando, também para melhor; claro que, em muitos aspectos, a raça humana regrediu e os governantes actuais estão mais preocupados com a guerra do que com o bem estar das populações; havia, aqui no nosso cantinho, muita fome no tempo da ditadura, principalmente nos subúrbios das grandes cidades onde, nem uma hortinha se podia ter. Nesse aspecto as coisas melhoraram, mas, agora temos a habitação a uns preços que poucos podem pagar e não sei se alguns já não passarão fome.
ResponderEliminarQuerida Amiga, obrigada pelo que me deste a conhecer sobre Cabo Verde e também pela bela música
Saúde, Olinda, para todos aí em casa
Beijinhos
Emília 🌻🌻
Eu estou acompanhando a saga e aprendendo muito sobre a história do local que sempre foi bastante conflituosa com a classe trabalhadora e indígena sempre tão molestada e sofrida...
ResponderEliminarMas a foto da Ilha que introduz o artigo é belíssima!!
Beijos querida Olinda e uma excelente semana!! :))))