Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Planeta Terra ou terra terra? Sempre me intrigou a interpretação deste Poema de Alberto Caeiro. Sendo um heterónimo criado por Fernando Pessoa, com as características próprias de Guardador de Rebanhos deduzo que seja terra terra. Mas nem sempre pensei assim...tendia mais a ver a Terra na sua globalidade.
Contudo, lá volto eu aos pensamentos antigos e hoje Dia Mundial da Língua Portuguesa, publico de novo este poema do nosso homem das sensações.
No Brasil, muito antes deste dia ser estabelecido para todos os países lusófonos, já o Dia Nacional da Língua Portuguesa vigorava desde 5 de Novembro de 2006. Não nos esqueçamos que a maior parte dos falantes da Língua Portuguesa provém do Brasil.
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Embora não seja feriado por cá, aproveitemos para fazer boas e proveitosas leituras.
Abraços
Olinda
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7-3-1914
“O Guardador de Rebanhos”. Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luís de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946.
- 45.In: Arquivo Pessoa
Publicado aqui no Xaile de Seda
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarUm belíssimo poema de Alberto Caeiro, em homenagem á língua portuguesa, que muito maltratada é.
Não conhecia este poema. Gostei muito.
Excelente partilha, estimada amiga.
Votos de uma boa semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
http://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Olá, Caro Mário
EliminarAlberto Caeiro é inexcedível neste belo poema.
Realmente a Língua Portuguesa precisa de alma
para a podermos legar aos vindouros.
Tudo de bom, meu amigo.
Beijinhos
Olinda
Amiga Olinda, nenhuma data importante passa em branco sob o lince que se esconde sob suas vestes. Nada escapa do seu olhar, da sua atenção.
ResponderEliminarNo GPL - Gabinete Português de Leitura se fará uma sessão especial alusiva à data, enquanto seguimos aceitando a realidade como ela é, sem metafísica ou drama humano, como sugere Caeiro. E vamos, que vamos testemunhando a vida "o poente é belo e é bela a noite que fica..."
Beijinhos, amiga Olinda.
Carlos
Caro amigo Carlos
EliminarMuita gentileza sua nas palavras que aqui me deixa. Aliás, em todos os seus comentários se nota essa delicadeza com que fala das minhas publicações, o que muito agradeço, do coração.
Gostei de saber da sessão alusiva à data.
Sigamos como Caeiro, com a sua naturalidade e reconhecer que "nem tudo é dias de sol". Já um outro (Bernardo Soares) dizia que "a minha Pátria é a Língua Portuguesa", talvez transcendendo o espaço geográfico.
Tudo de bom, meu amigo.
Beijinhos
Olinda
Belo poema. O meu elogio e gratidão pela publicação.
ResponderEliminar.
Saudações poéticas
.
“” Alma que Chora ““
.
Muito obrigado, Ricardo, pela sua presença e comentário.
EliminarAbraço
Olinda
Alberto Caeiro, aquele que devia ser o mais simples dos heterónimos, é afinal o mais complexo pela sua filosofia de vida!
ResponderEliminarGosto dele!
Abraço
O anónimo sou eu, a Rosa dos Ventos!
ResponderEliminarMuito obrigada, Rosa do Ventos.
EliminarAlberto Caeiro consegue ser o mais complexo de todos, é verdade.
Abraço
Olinda
Fernando Pessoa, genial.
ResponderEliminarUm abraço.
Fernando Pessoa, multiplicando-se, consegue dizer
Eliminare descrever emoções como ninguém.
Um abraço, Luis.
Olinda
Olá, querida Olinda, que maravilha o poema
ResponderEliminarde Alberto Caeiro, não conhecia!
Dia da nossa Língua, que bela homenagem, amiga!
Uma feliz semana, com muita paz.
Beijinhos.
Olá, querida Taís
EliminarJá tinha publicado este poema, não precisamente, para celebrar a
Língua Portuguesa. Desta vez calhou :)
Boa semana, amiga.
Beijinhos
Olinda
Olá, amiga Olinda, excelente a sua postagem, lembrando
ResponderEliminaro Dia Mundial da Língua Portuguesa, e arrematando com esse belo poema de
Alberto Caeiro ( o grande poeta Fernando Pessoa).
Votos de uma excelente semana, com muita paz.
Grande abraço, amiga.
Bom dia, caro Pedro
EliminarMuito obrigada pelas suas palavras e pelo seu apreço em relação
à escrita de Fernando Pessoa que tanto se desmultiplicou, trazendo-nos as emoções que acumulava dentro da sua personalidade.
Desejo-lhe um bom fim-de-semana.
Grande abraço
Olinda
Olinda um belo poema em homenagem a língua portuguesa, desejo uma feliz sexta-feira bjs.
ResponderEliminarObrigada, Lucimar.
EliminarA Língua que nos une.
Beijinhos
Olinda
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarPassando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Muito obrigada, caro Mário.
EliminarQue tenha um domingo frutífero e alegre.
Abraço
Olinda
Olá, Olinda. Que lindo texto... ótima escolha para falar da língua portuguesa. Abraços
ResponderEliminarOlá, Ana Lúcia
EliminarMuito obrigada pela sua vinda e comentário.
Abraço
Olinda
Excelente escolha a fazer lembrança da nossa língua global.
ResponderEliminarO Dia Mundial da Língua Portuguesa devia ser conhecido dos "escrevinhadores" do tempo de hoje, para poderem meditar sobre as suas escritas e notações do dia a dia.
Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa, na unidade do patriotismo linguístico.
Beijo,
SOL da Esteva
Caro Sol da Esteva
EliminarBem dito.
Nunca se escreveu tanto como agora, mas a qualidade
da escrita deixa muito a desejar.
Beijinhos
Olinda