Soberbo o carvalho e sua fronda -
Soberbo o freixo e sua sombra.
Soberbo o freixo e sua sombra.
Soberbo o melro a saltar de galho em galho.
Soberano. E negro.
Soberbos os espantados tordos. E meus olhos
Espantados no seu canto.
Soberba a montanha. E a pedra parideira.
E a água fresca a cair da pedra.
Bebida pelos dedos.
Soberba a litania dos insectos. E o sol a pique.
Soberbo o rio. E as coleantes margens.
E o linho na corrente fria
A curtir as mágoas.
Soberbos os dedos tecendo. E as açucenas.
E os bordados. E a toalha alva.
E a mesa do sacrário.
Soberbos os sinos. E missa d'alva. E o menino
A esfregar os olhos. Meigos.
E o restolho. E o trigo.
E o pão ázimo.
Soberba a misteriosa Lua a espreitar furtiva
Amores imaculados. E a dançar soberba
E nua. Uma dança de corpos perdidos
Em seus raios.
Soberbo o dia de ontem. E todas as auroras.
A soberba cálida vida a esgotar-se. Límpida.
Licor ainda.
Soberbo este perfume de ausência.
A arder sem lume.
Soberbo o murmúrio do poeta
A borbulhar por dentro.
E incauto a resguardar-se
No frágil eco
Do poema.
o Poeta insiste amplo e largo e lírico na ambiência dos seus outros livros
retransportando uma nitidez reconhecível em cada frase quase como se um risco
contínuo atravessasse cada palavra escrita cada respiração por ele e
só por ele presentificada.
Isabel Mendes Ferreira
in:Prefácio
Jacques Brel
-La valse à mille temps-
O blog: Relógio de Pêndulo
Nota:
Peço desculpas ao Poeta e aos leitores por haver
transcrito apenas a página 11 deixando a página
12 no tinteiro :)
Já corregi o lapso.
Abraços
Olinda
===
Poema in: Caligrafia Íntima, pg 11 e 12
Lindo é o orvalho e também a poesia que compartilhas hoje aqui!
ResponderEliminarAdorei!
beijos, tudo de bom, ótimo dia! chica
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarUm poema muito bonito. Onde o poeta enaltece a beleza e sustentabilidade do Carvalho. Sem dúvida uma árvore poderosa que perdura no tempo.
Gostei bastante.
Gostei igualmente da música de Brel.
Beijinhos, e continuação de boa semana.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Cara amiga Olinda, que bela anunciação nos faz pelas retinas do poeta ao abrir passagem para uma realidade que não é ela, mas nos deixa com ela.
ResponderEliminarLer Manuel Veiga é sempre prazeroso. Seus poemas são sempre vigorosos e líricos. Neste, o poeta nos coloca diante de um tabernáculo e, reiteradamente, dá ênfase, dá ritmo, dá musicalidade, além de reforçar a ideia de beleza do lugar que descreve (poeticamente), um verdadeiro tabernáculo, sob o prisma do olhar do poeta, um lugar sagrado (“E a toalha alva/ e a mesa do sacrário”) em que ele se encontra e que partilha com os leitores. E os deixa extasiados ao volvê-los para o estatuto do humano após a contemplação deste lugar "soberbo".
Uma bela quinta-feira para você, Olinda, e muito obrigado pela partilha!
Beijinhos
Querida Olinda,
ResponderEliminarUm belo poema que exalta a natureza, a sua força e beleza! Adorei ler e conhecer um pouco mais da obra de Manuel Veiga.
Um abraço!
Bello poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarAlabanzas a la belleza natural. Versos que destacan la belleza del roble, de la fauna, del verde en todo su esplendor. Hermoso!! Gran poeta Manuel Veiga. Un abrazo, Olinda
ResponderEliminarOlá, amiga Olinda.
ResponderEliminarPassando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Obrigado mjnha amiga. Não tem que pedir desculpa.
ResponderEliminarÉ 0sempre um prazer e um privilegio ver os -meus poemas acolhjdos pelo belo XAILE DE SEDA . alias o poema, mesmo incompleto é perfeitamente legível
agradeço tambem as amáveis referencias dos seus notáveis leitores,, que se dignaram comentar o poema em causa e o seu autor....~
Obrigado! Abraços