quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Mamãe-Terra




MAMÃE

Mamãe-Terra,
venho rezar uma oração ao pé de ti.
Teu filho vem dirigir suas súplicas a Deus Nossenhor
por ele
por ti
pelos outros teus filhos - espalhados
na superfície cinzenta do teu ventre mártir,
Mamãe-Terra

Mamãezinha,
dorme, dorme,
mas, pela Virgem Nossa Senhora,
quando te acordares
não te zangues comigo
e com os teus meninos
que se alimentam da ternura das tuas entranhas.

Mamãezinha,
eu queria dizer minha oração
mas não posso;
minha oração adormece
nos meus olhos, que choram a tua dor
de nos quereres alimentar
e não poderes.

Mamãe-Terra,
Disseram-me que tu morreste
e foste sepultada numa mortalha de chuva.
O que eu chorei!

Sinto sempre tão presente no meu coração
o teu gesto de te levantares
buscando o pão para as nossas bocas de criança
e nos dirigires a consolança das tuas palavras
sempre animadoras..

Eu procurei o teu túmulo
e não o encontrei.
E depois,
na minha dor de filho angustiado,
numa migalha de terra
no meio do mar.

Embarquei num veleiro
e fui navegando, navegando...

Não morreste, não Mamãezinha?
Estás apenas adormecida
para amanhã te levantares.
Amanhã, quando saíres,
eu pegarei o balaio
e irei atrás de ti,
e tu sorrirás para todo o povo
que vier pedir-te a bênção.
Tu não deitarás a bênção.
E eu me alimentarei do teu imenso carinho...

Mamãezinha, afasta-te um bocadinho
e deixa o teu filho adormecer ao pé de ti...


(In Claridade, n.2,1936)


Baltasar Lopes da Silva (1907-1989) foi um escritor, poeta e linguista de Cabo Verde que escreveu em português e em crioulo. Com Jorge Barbosa foi um dos fundadores da revista Claridade. Em alguns dos seus poemas usou o pseudónimo Osvaldo Alcântara. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista luso-brasileira Atlântico.

Ver mais aqui



Humbertona - 
Rapsódia de Mornas







Continuação de boa semana.
Abraços
Olinda

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Imagem: pxabay
Liberdade, Palavra e Futuro - Manuel Ribeiro Semedo - aqui
Homenagem a Humbertona - aqui

39 comentários:

  1. Lindo canto de clamor à Mamãe Terra. Bela escolha mais uma vez, Olinda! beijos,tudo de bom,chica

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    1. Olá, Chica
      Muito obrigada pelo comentário.
      A Mãe Terra que pela falta de chuva não consegue dar aos
      seus filhos o pão nosso de cada dia.
      Beijinhos
      Olinda

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  2. Uma oração pedindo à " Mãe Terra " que não morra, que não abandone os seus filhos, que não se zangue com eles . Mas, a Mãe terra não morrerá, por mais que muitos dos seus filhos tentem matá-la, com tremendos desmandos; ela sabe que dela dependem tantos menininhos, que esperam dela o pão para a boca, a água para lhes matar a sede, a chuva para regar as sementeiras. Ela espera, parecendo adormecida, que tenham também piedade pelo seu sofrimento, mas, não desiste; acordará sempre para cumprir a sua obrigação de mãe carinhosa, dando de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede e que fazemos nós, querida Olinda?
    Pouco ou nada! Os desmandos continuam, as guerras não terminam e a miséria humana " é mais que muita "
    Uma tristeza, Amiga. Vamos ter eleições no próximo domingo e as opções que temos são examinadoras; votarei naquele que me parece o " menos ruim". Políticos como antigamente, não existem , essa é a triste realidade,
    Obrigada pela bela oração é parabéns pela mudança no blogue; ficou muito bonito. Deixo-te um beijinho e votos de boa saúde para todos vós
    Emília 🌻 🌻

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    1. Obrigada, querida Emília.
      A mudança de roupagem do blogue é obra da IA. :)
      Beijinhos
      Olinda

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  3. Desculpa...desanimadoras
    O tablet tem a mania de escrever por mim...
    Beijinho 🌻

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    1. Querida Emília
      É sempre assim. Estes aparelhos já têm as palavras
      prontinhas e é só dar-lhes o pretexto...
      Realmente, nós os filhos, não temos normalmente em
      atenção os esforços que a terra empreende para que
      tenhamos o pão para a boca, a água e tudo o que é
      necessário para a nossa subsistência. E se tiver a ajudar
      pessoas que só têm em mente a cobiça, a coisa fica mais
      feia.
      Este poema, escrito em 1936, atravessa os tempos e, sejam
      quais forem os motivos, aplica-se perfeitamente à nossa fome
      de paz e de solidariedade.
      No domingo temos o acto eleitoral e, sendo hoje o último dia,
      ainda estou às cegas sem saber em quem votar.
      Dias felizes, amiga.
      Beijinhos
      Olinda

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  4. Um texto profundo e necessário, que nos lembra que a Terra não é apenas chão — é mãe, é casa, é origem 🌍🤍
    Há nas tuas palavras um apelo silencioso à consciência e ao respeito, sem moralismos, só verdade. Gostei especialmente do tom poético com que denuncias e, ao mesmo tempo, acolhes. Faz pensar. E isso hoje é ouro.

    Com carinho,
    Daniela Silva
    alma-leveblog.blogspot.com

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    1. Olá, Daniela
      Muito lindas as palavras com que comentas este poema de Baltasar Lopes da Silva.
      E tendrazão a terra é mãe, é casa...
      Beijinhos
      Olinda

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  5. Amiga Olinda, boa noite de paz!
    Um vídeo que gosteu e estou ouvindo ainda.
    Estive lendo e estudando um livro que fala da questão mãe... que feliz coincidência!
    Aqui, sobre a Mãe Gaia, lá sobre algumas maternidade...
    Nosso planeta precisa de que sejamos mães dele doravante... para que ele possa sobreviver.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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    1. Olá, querida amiga Rosélia
      Sim, o nosso planeta precisa que o preservemos, não só para nós como para os vindouros.
      A poluição é uma das maiores pragas para a natureza.
      Amar as plantas, as flores, defendê-las, significa que teremos mais hipóteses de sobrevivência.
      Beijinhos
      Olinda

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  6. Respostas
    1. Muito obrigada, J. P. Alexander.
      Beijinhos
      Olinda

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  7. Há claridade, há esperança. Desde tempos idos que há preocupação com o que os homens têm feito com a Terra. Se o poeta ainda estivesse vivo imaginaria que deveria ficar em penitência, pois, a essa altura, saberia que uma oração não bastaria para sensibilizar seus pares. É preciso muito mais. Afinal, a oração é um apelo aos homens para que percebam os rumos ou o quanto a maltratam, e os sinais são visíveis: frio extremo de um lado; calor extremo do outro. Se nos demoramos a agir, as coisas se degringolam em definitivo. Sutil, ou metafórica, é a oração do poeta. A conversa é com os homens e a terra, silenciosa, na dor, é a sua interveniente.
    Louve-se mais uma vez, Olinda, sua preocupação de Olinda em nos possibilitar a conhecer por meio de fragmentos, excertos, a história de Cabo Verde, para tanto nos tem inculcado um pouco da história da Claridade, revista que revolucionou os meios culturais da ilha. Numa semana, um poeta; na outra, outro; as mornas, a musicalidade da sua gente, e muito mais como se andássemos por suas terras. O vídeo, escolha cuidadosa que permite conhecer as belezas naturais de Cabo Verde, por extensão e, por extensão ainda, o que se perderia ou se perderá se os cuidados não forem começados “antes que seja tarde”.
    Bravo, bravíssimo pelas partilhas.
    A revista Claridade merece um estudo para que conheçamos com mais profundidade outras nuances da história de Cabo Verde.
    Beijinhos, amiga Olinda. Sempre agradecido pelas partilhas!
    José Carlos Sant Anna

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    1. Caro amigo José Carlos
      Há claridade, há esperança...
      Talvez este três homens, Manuel Lopes, Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa, acreditassem nisso ao fundar a Revista. Ou apenas tenha sido uma tentativa de despertar as pessoas para o que se passava. Anos de seca, desde o sec, XIX, a chuva que não vinha, a fome...
      Em certa medida, o poema não é metafórico. Nas fomes de '40 e '50, muitas vidas foram ceifadas, principalmente em São Nicolau e Fogo. Por causa dessas fomes houve emigrações para a ilha de São Tomé, em forma de contrato, promovidos pela Administração colonial. Muita dessa gente foi para as roças, e não mais voltou para a terra.
      Essa oração à Terra é uma forma de denunciar o que acontecia. Baltasar Lopes da Silva, escreveu o romance "Chiquinho", considerado o romance que marca a reviravolta literária em Cabo Verde.
      Meu amigo, muito obrigada pelas suas palavras e por analisar com interesse esse passado das ilhas de Cabo Verde.
      A música dolente e triste vem marcar os dias infortúnio.
      Contudo, as pessoas são afáveis e amoráveis.
      Bom fim de semana e saúde junto aos seus.
      Beijinhos
      Olinda

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  8. Que lindo, querida Olinda, não conhecia o poeta, parece uma oração, uma súplica á Mae Terra!
    Mas o que a coitadinha poderá fazer com tanta gente louca? Gente que na verdade, nunca cuidou dela, nenhum abraço de carinho e preocupação!!
    Maravilhoso poema, querida.
    Obrigada por trazê-lo para nós, Baltasar Lopes da Silva!
    Um feliz fim de semana,
    beijinhos.

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    1. Querida Taís
      Realmente parece uma oração, uma súplica e a terra não poderia
      fazer muito porque lhe faltava a chuva para a sementeira e para as
      colheitas.
      Também há esse outro aspecto da Terra que não é preservada e cuidada, caminhando cada vez mais para o desastre.
      Bom fim de semana, amiga.
      Beijinhos
      Olinda

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  9. Querida Olinda,
    Há tempos nos esquecemos da Mamãe Terra e não nos importamos com as mudanças climáticas e o quanto temos castigado esse planeta. Esse poema reforça a importância do cuidado e da preservação da Terra, pois dependemos dela para viver! Belo poema de Baltasar Lopes da Silva, um grande poeta e escritor.
    Um abraço!

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    1. Olá, Alécio
      Sim, é verdade.
      Esquecemo-nos frequentemente de que as mudanças climáticas
      também se deve ao descaso com que tratamos o Planeta.
      Muito obrigada pelo comentário, amigo.
      Bom fim de semana.
      Um abraço
      Olinda

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  10. Olá Olinda.
    Um poema que é mais uma oração à nossa mãe Terra.
    E ela escuta essa oração porque apesar de todas as maldades que lhe fazem ela ainda continua a acarinhar os seus filhos.
    Um abraço e bom fim de semana.
    https://rabiscosdestorias.blogspot.com

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    1. Olá, R.Correia
      A Mãe-Natureza encontra sempre forma de se revigorar
      para nos oferecer alimentos quando mais nada funciona.
      Bom fim de semana, amigo.
      Um abraço
      Olinda

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  11. "Mamãe-terra", tão pleno de sentido e daquela africanidade maravilhosa que Baltasar Lopes da Silva tão bem nos traz.
    Adorei lê-lo aqui.

    E uma mudança tão suave, aqui no Xaile!

    Beijo

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    1. Olá, querida Ana
      Sei que te interessas por este tema e que tiveste uma disciplina afim
      com o Manuel Ferreira.
      De forma que os "Claridosos" são conhecidos teus.
      No próximo post trago Jorge Barbosa o último dos três.
      Encontrei um texto que, penso, deve ter sido do tempo em
      leccionavas.
      Beijinhos
      Olinda

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    2. Obrigada por teres reparado nas cores do "Xaile de Seda" :)
      Bj

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  12. Boa noite Olinda,
    Um poema/ oração de Batasar Lopes da Silva, que também não conhecia, muito belo e comovente, dirigido com muita ternura à Mãe Terra, que cada vez mais é mal tratada e que, no caso de Cabo Verde, onde a água escasseia,
    os seus filhos sofrem em silêncio, derramando lágrimas de dor por não poderem matar a sede e a fome dos seus.
    África sempre me atraiu e sou muito sensível a todo o seu povo, a sua beleza, mas também ao sofrimento, que ainda hoje persiste.
    Um beijinho e um bom fim de semana.
    Emília

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    1. Olá, Cara Emília
      Palavras que se adaptam optimamente a este poema de
      Baltasar Lopes da Silva. Na actualidade, embora não se nade em
      abundância, há outras formas de enganar as dificuldades. A pobreza é muita, mas os cabo-verdianos têm uma visão da vida muito peculiar. Embora o sofrimento ainda persista em África, espera-se
      sempre pelo dia de amanhã.
      Bom fim de semana.
      Beijinhos
      Olinda

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  13. Olá, amiga Olinda, agradeço-lhe a partilha desse extraordinário poema
    de Baltasar Lopes da Silva, poeta natural de Cabo Verde, que tão bem representa sua África.
    Votos de um bom fim de semana, amiga.
    Abraços.

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    1. Olá, amigo Pedro
      Muito obrigada pelas suas palavras.
      Baltasar Lopes da Silva fez parte de um grupo de pessoas
      que soube ler as tristezas do seu tempo.
      Na Revista Claridade reconhece-se a conjuntura literário-cultural assinalada "pelo neo-realismo do romance brasileiro do Nordeste e certa poesia, marcada por um grande vigor telúrico, de poetas como Jorge de Lima, Manuel Bandeira e Ascêncio Ferreira” , diz Maria do Carmo Cardoso Mendes - UMinho.
      Bom fim de semana, amigo.
      Abraço
      Olinda

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  14. Boa noite, amiga Olinda.
    Mais um autor que desconhecia, que aqui nos traz em boa hora, com mais um belíssimo poema!
    É sempre importante conhecer autores que desconhecíamos. Como é o caso de Baltazar Lopes da Silva.
    Uma bela homenagem à sua terra natal deste excelente poeta!
    Gostei bastante.

    Deixo os votos de um bom fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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    1. Olá, Caro Mário
      Bonitas as suas palavras sobre este poema e Baltasar Lopes da
      Silva.
      Desejo-lhe um bom fim de semana, amigo.
      Abraço
      Olinda

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  15. Não conhecia o poeta. O poema é de uma sensibilidade bonita em relação à nossa "Mãe Terra", tão mal tratada pelos seus filhos ao longo da história.

    A música é linda!! Bem, eu adoro solos de cordas. Simplesmente coloquei o fone no ouvido e me deixei levar pela música.

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    1. Olá, Eduardo
      É mesmo.
      Por mais anos que passem nunca aprendemos que tratar
      bem a "Mãe-Terra" é para nosso próprio benefício.
      Humbertona (Humberto Bettencourt Santos) foi um dos melhores intérpretes da música cabo-verdiana.
      Abraço
      Olinda

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  16. "[...]Mamãezinha,
    eu queria dizer minha oração
    mas não posso;
    minha oração adormece
    nos meus olhos, que choram a tua dor
    de nos quereres alimentar
    e não poderes.[...]"

    Um grito de nobreza Poética que Baltasar Lopes da Silva clama com fervor e dor.
    Escolha de excelência Poética como a Olinda nos vem habituando.
    Obrigado, Amiga.


    Beijo,
    SOL da Esteva

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    1. Caro Sol da Esteva
      Um recorte excelente deste poema de Baltasar Lopes da Silva.
      Leva-nos ao sentimento que nutria o poeta no tempo
      em que procurava um outro sentido para a literatura cabo-verdiana.
      Boa semana, amigo.
      Beijo
      Olinda

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  17. Se temos uma pátria (de pai), nada é mais certo do que ter uma mamãe-terra também.

    Nova tirinha publicada. 😺

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

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    1. No dizer de Natália Correia, então é "Mátria".
      Muito obrigada.
      Irei ver a nossa tirinha.
      Abraço
      Olinda

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