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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Meu povo, meu poema






Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova

No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar

No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro

Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil

Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta



   (1930-2016)


Quem visita o Xaile de Seda há algum tempo terá encontrado aqui Ferreira Gullar em alguns poemas, nomeadamente,  Traduzir-se e Não há Vagas.

Pois, meus amigos, hoje, traduzindo um pouco o meu estado de espírito, pensei em publicar Traduzir-se mas vi que já o tinha feito. Deixo o link, caso o queiram reler. 

Mas ainda bem, pois o poema que ora publico, Meu povo, meu poema, transcende-nos e vai buscar todo um sentimento de crescimento comum e de pertença. E ouso pensar que o momento que atravessamos, em que decisões importantes nos serão imputadas, requer reflexão em função das obrigações que nos cabem como eleitores dos nossos representantes. O nosso Leviathan


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Poema: daqui
Imagem: daqui