a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
(1930-2016)
Quem visita o Xaile de Seda há algum tempo terá encontrado aqui Ferreira Gullar em alguns poemas, nomeadamente, Traduzir-se e Não há Vagas.
Pois, meus amigos, hoje, traduzindo um pouco o meu estado de espírito, pensei em publicar Traduzir-se mas vi que já o tinha feito. Deixo o link, caso o queiram reler.
Mas ainda bem, pois o poema que ora publico, Meu povo, meu poema, transcende-nos e vai buscar todo um sentimento de crescimento comum e de pertença. E ouso pensar que o momento que atravessamos, em que decisões importantes nos serão imputadas, requer reflexão em função das obrigações que nos cabem como eleitores dos nossos representantes. O nosso Leviathan.
