Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Vaz de Camões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Vaz de Camões. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Alma minha gentil que te partiste

Da: Majo
Blogue: A Vivenciar a Vida





Alma minha gentil, que te partiste 
Tão cedo desta vida, descontente, 
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste. 

Se lá no assento etéreo, onde subiste, 
Memória desta vida se consente, 
Não te esqueças daquele amor ardente, 
Que já nos olhos meus tão puro viste. 

E se vires que pode merecer-te 
Algũa cousa a dor que me ficou 
Da mágoa sem remédio de perder-te, 


Roga a Deus, que teus anos encurtou, 
Que tão cedo de cá me leve a ver-te 
Quão cedo de meus olhos te levou. 


Luís Vaz de Camões, 
in Líricas, pg 53

Um soneto que soa sempre a coisa nova pois fala de amor, da dor de amar, da saudade.

Encontrei esta notícia no site do Instituto Camões e aproveito para partilhá-la convosco: 






Durante o ano de 2018, o Camões, I.P. irá promover um conjunto de conversas denominadas “Camões dá que falar” com personalidades das mais diversas áreas.
Com um orador convidado por mês, o Camões abre as suas portas à sociedade civil e pretende tornar-se palco de discussões e debates, num registo informal e inclusivo, de modo a estimular a troca de ideias com a participação ativa da audiência.
Depois de Luís Amado, o próximo orador, é Mia Couto.
Reserve a data de 8 de fevereiro, às 18h00, e assista ao “Camões dá que falar”. A entrada é livre.
Local: Auditório Camões, Rua Rodrigues Sampaio, 113, Lisboa.


Vamos lá ouvir falar de Camões!

======

Quinzena do Amor - De 31/01  14/02

Post 7 - Do inquieto oceano da multidão
Post 6 - Amar teus olhos

Posta 5 - Conheço esse sentimento
Post 4 - Éramos tu e eu
Post 3 - Saudades não as quero
Post 2 -Não é por acaso
Post 1 - É daqui a pouco



======
Imagem: Net

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

É daqui a pouco...

Declaro aberta a Época do Amor. Tal como em duas outras edições, durante quinze dias publicarei aqui no Xaile de Seda poemas ou prosas de amor, pesquisados por mim ou trazidos pelos meus queridos amigos. Uma maratona.



Por minha conta tenho, para já, este pequeno-grande texto de Isabel Mendes Ferreira, publicado hoje*, com a certeza de que procurarei o trabalho desta Autora muitas mais vezes:

Sei que me habitas

sei que me habitas agora mais longe. tão longe que o perto é uma espada. missa de cúpulas irreal submissão à fímbria das pálpebras. sei que me entendes. debaixo da terra onde me cravas.
lá.
onde se desventram segredos fiéis à dor que se estende como o mar dentro da areia. não ao lado fundo bem dentro. catedral agora de tempestades. mansas. imperdoáveis porém. que o tempo é dorso de pedra.



Voltando ao que dizia mais acima, o nosso tema é o Amor - amor amor, amor-amizade, amor aos nossos familiares, amor aos nossos semelhantes. Amores com desfechos lendários de "felizes para sempre" ou amores infelizes como os de Pedro e Inês, de Romeu e Julieta, de Abelardo e Eloísa e de tantos outros.




E como tenho aqui à mão a obra épica de Camões, Os Lusíadas, aproveito para deixar aqui duas das estrofes que ele dedica a Inês de Castro, no Canto III:


Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam, 
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria. 

Eram tudo memórias de alegria. E sabemos como  terminou. Mas nem tudo são tristezas no Amor e o meu primeiro post desta série vai demonstrá-lo. Nele veremos o milagre que é a força de um abraço.

Até já.


====
*Retirado: daqui
Peço à autora me perdoe esta ousadia.

Os Lusíadas (excerto canto III) - Luís Vaz de Camões


Imagem:Pixabay

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A vós que me visitais

Chegados ao dia de hoje*, impunha-se um balanço do que fiz e do que deixei para trás. Houve situações sobre as quais eu deveria ter-me debruçado. Depois via que já estavam a ser tratadas, vistas e revistas e comentadas, não indo eu acrescentar nada de relevante. Outras houve em que, impulsivamente, lá dizia da minha justiça. Mas, o que na verdade acontece é que por aqui as coisas vão acontecendo sem prazos nem periodicidades. Penso que poderia ser de outro modo, mas ainda bem que apareceis apesar destas minhas falhas.



Hoje gostaria de produzir um grande texto se a isso me assistissem o engenho e a arte. Em vez disso prefiro recorrer às interrogações sobre o desconcerto do mundo do grande Luís Vaz de Camões nestes versos em oitava. Eis as três primeiras:

O desconcerto do mundo**

Quem pode ser no mundo tão quieto,
ou quem terá tão livre o pensamento,
quem tão exp'rimentado e tão discreto,
tão fora, enfim, de humano entendimento
que, ou com público efeito, ou com secreto,
lhe não revolva e espante o sentimento,
deixando-lhe o juízo quase incerto,
ver e notar do mundo o desconcerto?


Quem há que veja aquele que vivia
de latrocínios, mortes e adultérios,
que ao juízo das gentes merecia
perpétua pena, imensos vitupérios,
se a Fortuna em contrário o leva e guia,
mostrando, enfim, que tudo são mistérios,
em alteza de estados triunfante,
que, por livre que seja, não se espante?


Quem há que veja aquele que tão clara
teve a vida que em tudo por perfeito
o próprio Momo às gentes o julgara,
ainda que lhe vira aberto o peito,
se a má Fortuna, ao bem somente avara,
o reprime e lhe nega seu direito,
que lhe não fique o peito congelado,
por mais e mais que seja exp'rimentado?

.... (excerto)

Luís Vaz de Camões
in:Líricas - pg 85





Neste oitavo ano que agora começa aqui no Xaile de Seda, comunico-vos a intenção de reeditar a Quinzena do Amor, que irá de 31 de Janeiro a 14 Fevereiro. Por isso, peço o vosso contributo, como das outras vezes, trazendo-me poemas de amor, vossos ou de quem admirais, os quais publicarei durante esses quinze dias. Podereis deixá-los no espaço dos comentários. Para já, os meus agradecimentos.

Um grande abraço.


=====

* 7º aniversário do Xaile de Seda

** Nota de rodapé, do livro:
Esta célebre poesia moral foi endereçada ao seu amigo D. António de Noronha, filho do Conde de Linhares, companheiro e talvez discípulo algum tempo. Alude ao desconcerto, à má organização em que andam as coisas neste mundo: os bons por baixo, os maus no galarim

Imagens: Pixabay


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Busque Amor novas artes, novo engenho




Busque amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.




Ai, o mal de amor. Quem melhor que Camões o descreve?

A propósito, vá ao blogue Horas extraordinárias onde encontrará notícias recentes deste nosso Poeta maior, mais precisamente, sobre "Os Lusíadas" ou a sua autoria.

=====
Poema: Lírica camoniana

sábado, 6 de junho de 2015

O desconcerto do mundo



Uma passadinha por aqui apenas para vos desejar um bom fim de semana e, de caminho, referir o que das minhas leituras de ontem mais me chamou a atenção:

5 de Junho - Dia Mundial do Meio ambiente, instituído na Conferência das Nações em Junho em 1972. Um tema que, pela sua importância na nossa vida, merece toda a nossa atenção. Vide aqui a Declaração sobre o meio humano produzida na altura;

A A.D.S.E. foi transferida para o Ministério da Saúde. Como sabem pertencia ao Ministério das Finanças. O futuro dirá se os beneficiários sairão beneficiados com esta mudança;

Entra-nos, todos os dias, pela casa dentro a novela sobre o futebol nacional e não só. Apesar de todos os pesares conservo intacta a capacidade de me espantar. Daí o meu espanto por tudo o que oiço e leio e vejo.

Do grande Camões estas palavras dedicadas ao desconcerto do mundo:

Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;

e, para mais m´espantar,

os maus vi sempre nadar

em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

o bem tão mal ordenado,

fui mau, mas fui castigado:

Assi que, só para mim

anda o mundo concertado.



Reitero os meus votos de um bom fim de semana.

====
Poema trazido de aqui
Imagem de aqui

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Correm turvas as águas deste rio

Rio da vida. Com altos e baixos, correndo por entre pedras e resíduos. Mas também há momentos em que se filtra e surge água cristalina. Neste nosso mundo conturbado há que procurá-la nos interstícios mais escondidos, tal como Diógenes com a sua lamparina, em pleno dia, à procura de um homem. Cá para nós, a reencarnação de D. Sebastião, desaparecido para sempre em Alcácer-Quibir. Mas, nada feito. A cada candidato, que na nossa extrema necessidade enfeitamos com inúmeras qualidades, corresponde uma decepção, renovada, como a que tivemos de engolir há quatrocentos e trinta e seis anos.

Na verdade:  

Correm turvas as águas deste rio,
Que as do céu e as do monte as enturbaram;
Os campos florescidos se secaram,
Intratável se fez o vale, e frio.


Passou o Verão, passou o ardente Estio,
Ũas cousas por outras se trocaram;
Os fementidos Fados já deixaram
Do mundo o regimento, ou desvario.


Tem o tempo sua ordem já sabida;
O mundo, não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.


Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece.


Luís Vaz de Camões
         SEC.XVI


Camões deixou-nos, para nosso deleite, não somente sonetos e endechas como também Os Lusíadas, obra épica dedicada ao rei-menino sem juízo ou mal aconselhado, na qual glorifica o povo luso. Embora na actualidade se façam outras leituras desta obra à luz de valores que nós, ocidentais, adquirimos depois de várias revoluções, não há dúvida que, mito que seja, continua a ser uma referência neste nosso vale de lágrimas. Todos os povos têm os seus mitos, não é verdade?

Um pouco ausente deste local nos últimos dias, daqui vos saúdo, meus caros, desejando-vos um óptimo fim de semana. :)

Poema retirado de: Banco de Poesia Fernando Pessoa