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domingo, 18 de maio de 2014

Comemoração dos "8 Séculos da Língua Portuguesa"

Numa espécie de resposta às minhas questões inseridas no post de oito do corrente mês, encontrei na revista e-Cultura referências às comemorações dos "800 anos da Língua Portuguesa", que decorrem entre 5 de Maio e 10 de Junho.





Eis o texto:

Entre 5 de maio de 2014 (Dia da Língua Portuguesa instituído pela CPLP) e 10 de junho de 2015 decorre a celebração dos “8 Séculos da Língua Portuguesa”, evento organizado pela Associação com o mesmo nome, que visa a valorização e a visibilidade da Língua Portuguesa enquanto idioma oficial de oito países inseridos em múltiplas matrizes geopolíticas e culturais.

Esta iniciativa assinala os 800 anos da Língua Portuguesa, tendo por base os primeiros documentos escritos em português – Testamento de D. Afonso II (1214), Notícia dos Fiadores (1175) e outros documentos dessa época.

A Associação “8 Séculos de Língua Portuguesa” conta com algumas pessoas de reconhecido mérito entre fundadores e corpos dirigentes, tais como os escritores Alice Vieira e António Torrado, os jornalistas Laurinda Alves e Mário Figueiredo, as professoras universitárias Inês Sim-Sim, Helena Bárbara Marques Dias e Marta Martins e Vasco Alves, ex–dirigente do Ministério da Educação.

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP apoia a celebração dos “8 Séculos da Língua Portuguesa”.

O projeto apresenta, entre outros, os seguintes objetivos:

- Fazer uma grande comemoração da Língua Portuguesa em todo o mundo lusófono, em 2014/2015, por altura da comemoração dos seus 8 séculos;

- Contribuir para a aproximação dos países lusófonos, bem como de Macau, em torno de uma grande manifestação cultural;

- Contribuir para pensar a afirmação da Língua Portuguesa no mundo, a nível cultural, político e económico, bem como nas grandes instituições internacionais;

- Contribuir para dar a conhecer nacional e internacionalmente poetas, escritores e artistas do mundo lusófono;


- Contribuir para incentivar a produção poética em língua portuguesa no mundo lusófono.

O Programa encontra-se aqui

Num site do Ministério de Educação encontrei também esta referência:

A Direção-Geral da Educação participará neste evento através da divulgação das várias atividades a desenvolver pela Associação, tais como a conceção de um sítio na internet, o lançamento de livros de poesia ou a realização de colóquios, de exposições e de grandes acontecimentos culturais e económicos subordinados à temática da celebração da Língua Portuguesa.


A imagem é do Observatório da Língua Portuguesa que noticiava talvez em Janeiro ou Fevereiro: Conferência de apresentação pública das Comemorações dos 8 Séculos da Língua Portuguesa, no dia 17 de Fevereiro, às 18 horas, no auditório B203 do ISCTE, em Lisboa.


Pelos vistos só eu é que não sabia de nada. Talvez porque a notícia não me tenha chegado pela via mais óbvia que é a TV ou então estive desatenta...

Desejo-vos um óptimo domingo.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ah, Primavera! Tão bela, florida e perfumada e tão castigadora...

É como me sinto, dividida entre as muitas belezas e divinos odores desta estação e o outro lado menos atraente das alergias causadas precisamente pelos pólenes e por tudo o que lhes está associado. Não há anti-histamínico que me valha, os espirros não me dão descanso e os olhos e o nariz já ganharam vida própria numa choradeira sem fim.

Mas há que remar contra a maré e, com um olho aberto e outro fechado, aqui estou eu a traçar estas linhas. Para dizer o quê? Hoje em dia, com a profusão de canais comunicacionais existentes, milhões de pessoas estão a dizer ao mesmo tempo as mesmas coisas, debatendo assuntos de grande importância ou assinalando apenas outros de seu interesse. Parece quase redundante eu aparecer também a fazer o mesmo. Contudo, há aspectos da sociedade, tanto no nosso bairro como em latitudes mais afastadas, que devemos todos apontar e rebater, se for caso disso.

Surge-me, de pronto, o caso noticiado das meninas raptadas na Nigéria. Uma tragédia humanitária. E é tão grande e sinto-a tão minha que me é quase impossível encontrar palavras para se lhe referir. As autoridades internacionais têm responsabilidades, todos nós as temos, cada um no seu íntimo. Um espelho em que teremos de nos rever. E é obrigação nossa olhar em redor e verificar se não existem casos perto de nós, não com esta dimensão, como é óbvio, que necessitam de atenção. E oiço em eco este verso de Augusto Gil: Mas as crianças, senhor, porque lhes dais tanta dor

Num sentido totalmente diverso, lembro-me agora de uma notícia, num jornal regional, sobre o Avô Cantigas. Lembram-se dele? Um jovem de há 32 anos que resolveu vestir a pele de Avô para delícia das crianças. Agora já não precisa fingir que é avô, os cabelos brancos atestam-no. Um homem de visão. Um ideia interessante, um projecto que vai sendo realizado ao longo da vida. Vai comemorar estes anos de carreira, brevemente, em Évora, com um espectáculo, É Bom Sonhar. Pessoas que pugnam pela felicidade das crianças: De louvar.





E, por estes dias, uma outra notícia chamou-me a atenção, numa revista, embora a mesma já tivesse aparecido em Janeiro, em jornais, como verifiquei depois. Duas jovens portuguesas, no Reino Unido, projectaram um trabalho de promoção do nosso idioma, inserido no conceito de speed-dating, destinado a crianças. E esta, hein?! Trata-se da divulgação e aprendizagem da língua, envolvendo crianças bilingues, precisamente as nossas crianças no estrangeiro. São muitos os voluntários, cientistas portugueses, que estão a dar o seu contributo, pois nisso está também inserida a abordagem de outras matérias.

Por falar em língua, no passado dia 5 foi o dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP. Ouviram falar disso? Algum Organismo fez disso notícia? Houve acções em conjunto com o órgão que representa a Comunidade a dar-nos conta do que tem sido feito em prol de uma maior exposição da referida cultura? Vieram dizer-nos se têm sido levado a cabo providências no sentido de a língua portuguesa ser, efectivamente, considerada como língua de trabalho nas instituições internacionais?  Não sei. 

Mas como tenho estado mergulhado neste meu limbo de alergias é natural que me tenha escapado.

Desejo-vos uma excelente semana. Bem, o que dela resta ainda.


Notícia: speed-dating aplicado às línguas e à ciência
Imagem: Tatiana Correia e Joana Moscoso

sábado, 5 de maio de 2012

Quanto mais eu sinta como várias pessoas


Hoje, Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, transcrevo aqui esta passagem do poema Afinal, de Álvaro de Campos, em que celebra a multiplicidade, a pluralidade, qualidades intrínsecas do seu criador, Fernando Pessoa. Numa interpretação livre, poderia adaptar as suas palavras à diversidade cultural e, ao mesmo tempo, à desejada unidade destes países, transmitida através da mesma língua: 




Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
   
Quanto mais personalidade eu tiver,
   
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,

   
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,

  
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,

   
Estiver, sentir, viver, for,

   
Mais possuirei a existência total do universo,

   
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.

   
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,

   
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,

   
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Poderia também, citando Bernardo Soares, apossar-me da expressão, constante do seu Livro do Desassossego, 'a minha pátria é a língua portuguesa' tantas vezes arrancada do contexto do próprio livro e interpretada de conformidade com os nossos anseios, mas sempre carregada de grande simbolismo.

De um escritor e humanista do Sec. XVI que já citei, talvez por duas vezes, neste blog, António Ferreira, a carta ao amigo Pêro Andrade de Caminha, incitando-o a escrever em língua portuguesa; eis uma passagem que nos vem sempre ao pensamento quando se trata de nos orgulhamos do nosso idioma:


Floreça, fale, cante, ouça-se e viva
A Portuguesa língua, e já onde for

Senhora vá de si soberba, e altiva.

Se téqui esteve baixa e sem louvor,

Culpa é dos que a mal exercitaram:

Esquecimento nosso, e desamor.





Estarei aqui a esquecer-me do grande Luís de Camões? Impossível. Os Lusíadas na vertente épica e a sua Lírica são as expressões maiores da nossa língua. Quem é que se esqueceria deste dito do Gama: 'esta é a ditosa pátria  minha amada' ou, por exemplo, do início deste soneto 'naquela triste e leda madrugada'?



Mas não nos faltam exemplos de grandes autores nesta língua declarada  língua oficial em oito países (CPLP) e cujos vestígios se encontram nos quatro cantos do mundo.



Voltarei com algumas postagens, homenageando alguns dos autores dos países que compoem a CPLP.

Tenham um excelente sábado... :)




Imagens:Internet