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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Viver o Hoje






Nunca a vida foi tão actual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. 


O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna. 

Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide. De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje. O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia.

Clarice Lispector, in Sopro de Vidauma das minhas autoras preferidas. Diria mesmo a primeira de todas. Temo-la seguido neste Xaile, não tantas vezes como seria desejável, ou seja, de conformidade com o meu interesse pela sua obra.





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Texto daqui
Pesquise no Xaile: Clarice Lispector

domingo, 16 de dezembro de 2018

O prazer é abrir as mãos





O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! 

Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo. 

Clarice Lispector

in Crónicas no 
'Jornal do Brasil (1972)' 

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Texto - Citador
Imagem - Pixabay

domingo, 9 de agosto de 2015

Dá-me a tua mão

Marco o meu regresso, da minha ausência* forçada, trazendo comigo Clarice Lispector. Melhor companhia não haverá. 
No toque das mãos sentimos o bater do coração e o encontro das emoções. É o que as suas palavras me transmitem, neste momento:



Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.


Melhores escritores brasileiros

Clarice Lispector: É certamente a escritora de literatura brasileira mais lida entre nós. Clarice nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920 e veio ao Brasil logo em seguida, sendo naturalizada brasileira. Morreu aos 56 anos em 9 de dezembro de 1977. Sua obra se constitui de romances e contos, além de ter escrito artigos de jornal em colunas femininas e poucos livros infantis. Sua literatura é de caráter existencial, introspectivo e filosófico, mostrando com maestria o lado misterioso das coisas mais simples e do cotidiano. Suas principais obras são: Perto do Coração Selvagem (1944), A Paixão segundo G.H. (1964), Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (1969), Água Viva (1973), A Hora da Estrela (1977), Laços de Família (1960).aqui

Desejo-vos um bom domingo.  

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*Obrigações familiares
Poema de aqui
Imagem: aqui

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A vitória nossa de cada dia



Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe. 
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.


Clarice Lispector
in: Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

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Excerto trazido do Citador
Imagem: aqui

terça-feira, 30 de julho de 2013

Clarice e eu



Grande ousadia esta de associar a minha pessoa a Clarice, não acham? Eu explico. Em devido tempo falei aqui da homenagem a Clarice Lispector, sob o título A Hora da Estrela, homónimo de uma das suas obras. A referida homenagem ocorria entre 5 de Abril e 23 de Junho deste ano e eu disse na altura aos meus queridos leitores que pensava lá ir e que depois expressaria aqui as minhas impressões.

Na realidade, fui à Fundação Gulbenkian fazer a visita logo em Abril. Quando entrei deparei-me com um ambiente intimista, à média luz, talvez demasiado média, que, todavia, convidava ao recolhimento. Sem pressas ia lendo as frases escritas nas paredes e em todo o lado. Havia uma divisão em que se projectava um filme com a própria Clarice a falar de si e da sua vida. Entrei num outro compartimento, todo forrado de gavetas, de cima a baixo, algumas com chaves pendentes. Estas é que eram funcionais. Delas saíam feixes de luz e dentro encontravam-se pedaços da vida da escritora: cartas, requerimentos ou petições, algumas das suas obras ou referências a elas, fotos suas e dos filhos...

Devo dizer que não sou apologista de que se traga a público tudo o que diz respeito à vida particular dos autores. Não sei se o aprovariam ou então dever-se-ia ter a certeza disso. Lembro-me, por exemplo, das cartas de Fernando Pessoa a Ofélia: por mim, estas cartas, pelo seu cariz que desnuda a alma e mostra as suas fragilidades, não teriam sido publicadas ou então só parte delas.

Mas, voltando à exposição, apesar das minhas reservas em relação ao detalhe acima mencionado, estava completamente concentrada a admirar Clarice numa fotografia com os filhos pequeninos quando sinto o telemóvel a tremer. Vi que era uma chamada a que não podia deixar de atender e saí apressadamente do recinto, à procura de uma porta para o exterior. Ali atendi a chamada e, ao rodar o corpo para voltar a entrar, tropecei no tapete da entrada que estava mal colocado e caí redonda no chão.

Bem. Seguiu-se a atenção das pessoas presentes querendo saber se me tinha magoado, fui ao pronto-socorro, fiz a participação da ocorrência... Felizmente não parti nada mas tive um dos joelhos com hematomas durante um bom tempo.

Como é natural, tive de dar a visita por terminada mas penso que, por aquilo que me foi dado apreciar, consegui apreender um pouco mais da essência de Clarice Lispector. A minha admiração por ela continua viva e procurarei conhecê-la mais e melhor através da sua obra.

Assim, não vou perder a oportunidade de enriquecer este post com as palavras do comentário da autora de Canto da Boca, aquando da publicação de A Hora da Estrela. Verão como ela é uma profunda conhecedora da obra desta grande autora e sinto-me honrada pela sua presença aqui no Xaile de Seda.

Ora apreciem e não deixem de ver o filme cujo endereço se encontra mais abaixo:



Olinda, Olinda, minha tão querida amiga, Olinda, nem imaginas como exulto de alegria ao ler este poste... Clarice tem em mim o mesmo lugar que ocupa João Cabral! E A Hora da Estrela, me é tão familiar (como toda a sua obra, que tenho o privilégio de ter e de ter lido quase toda, quase!) conta um pouco da Macabea que há em toda mulher nordestina, brasileira, sonhadora (como eu), e que nos convida a buscarmos e não desistirmos dos nossos sonhos, do nosso protagonismo, de sermos senhoras do que queremos e desejamos. Clarice nos sacode para a vida, para não deixarmos de viver nenhum momento, e não pensarmos que apenas no tapete vermelho da fama, do estrelismo, podemos ser estrelas, somos estrelas todos os dias, nessa grande labuta e ofício que é viver num mundo cheio de padrões e temos a coragem de rompê-los, transformá-los! Salvo engano foi seu último romance publicado em vida, virou filme e a Marcela Cartaxo, uma atriz paraibana, incorporou fantasticamente a personagem da trama, inclusive ganhadora do prêmio, Urso de Prata, no Festival de Cinema de Berlim, por esse filme... Desejo que todas nós mulheres brasileiras, portuguesas, do mundo todo, tenhamos todos os dias, horas e horas de estrelas, porque merecemos, por todo nosso legado à história da humanidade...

Estou feliz demais por sua publicação!

Deixo aqui o link do filme: e: http://www.youtube.com/watch?v=376JgN-2cEc

Beijo, obrigada e depois nos diga sua impressão acerca da exposição?

»»»»»

Tenham uma excelente semana.
Abraço

Olinda

domingo, 7 de abril de 2013

A Hora da Estrela

'Amo esta língua', dizia. 'Não é uma língua fácil. É um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve querendo roubar às coisas e pessoas a sua primeira camada superficial. É uma língua que por vezes reage contra um pensamento mais complexo. Por vezes o imprevisto de uma frase causa-lhe medo. Mas eu gosto de manejá-la - tal como outrora gostava de montar um cavalo para o levar pelas rédeas, umas vezes lentamente, outras a galope'.

Extraí estas palavras da contracapa de Laços de Família, de Clarice Lispector, palavras que lhe são atribuídas. Este livro, que hoje vos trago, é prefaciado por Lídia Jorge, que nele traça o percurso literário e as características desta figura maior da literatura de língua portuguesa. A dado passo e referindo-se a este livro ela escreve:

'Laços de Família, obra com que na prática se inicia a publicação da Clarice Lispector entre nós, é um conjunto de treze contos surgidos no Brasil em 1960, e contêm alguns dos traços que esse género costuma ter. Tem personagens, tem aventura, acidentes e desfechos. Só que neles, tanto quanto nos romances, os personagens começando por ser comuns, logo se revelam incomuns, avançando como se não tivessem olhos para ver, e quando quisessem ouvir não tivessem ouvidos. Ou inversamente, se têm ouvidos não têm sons, e se têm olhos não há paisagem que se veja. Quando acontece a coincidência, e é por escassos instantes, a visão produz-se, dá-se a fulminação e a matéria ficcional sucede.'

Lídia Jorge evoca Sartre e La Nausée quando fala de Laços de Família, referindo-se sobretudo ao conto Amor de 'leitura obrigatória para quem se inicie na compreensão do processo epifânico de Clarice'. Mas é do conto Uma  Galinha que transcrevo as seguintes passagens, da página 28:

'Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.
Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista.'
'Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência.'
'Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração tão pequeno num prato solevava e abaixava as penas enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desenvencilhar-se do acontecimento despregou-se do chão e saiu aos gritos: 
- Mamãe, mamãe, não mate a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!'

Pois bem, 'A Hora da Estrela' é o nome da Exposição dedicada a Clarice Lispector na Fundação Calouste Gulbenkian, e que decorre de 5/Abril a 23/ Junho de 2013, no âmbito das comemorações do Ano do Brasil em Portugal. Vem anunciada assim:


Como não podia deixar de ser, estarei entre os visitantes um dia destes!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

questionário difííícil...

A TétisCanto da Boca, cada uma de per si, meteram-me num bom assado, desafiando-me a responder ao questionário que se segue. Mas antes:



AS REGRAS:

1 - Avisar o blogueiro que o indicou, quando fizer o post

2 - Ser sincero/a nas respostas ou não responder.

3 - Ter que fazer 5 indicações de blogues para que tenha continuidade.

4 - No final da postagem dedicar um tema a quem o indicou.

5 - Se for contra estas regras recusar-se a fazer o mesmo.



AS PERGUNTAS:

1. Algo que você não fala para ninguém?
Ah! é que não falo para ninguém mesmo... :)

2. Se você pudesse ouvir apenas uma música no próximo mês, qual seria? 

Nha Testamento, de Ildo Lobo. Adoro esta morna. Mas pensando melhor, não me importaria de passar um mês a ouvir o CD todo.

3. Um sentimento que nunca sentiu.

Assim de repente não estou a ver... Bem, gosto de pensar que trago em mim uma boa dose de bons sentimentos.

4. A pessoa mais importante para você.

A minha filha, em primeiro lugar. Mas há outras pessoas muito importantes na  minha vida.

5. Agora onde você queria estar?

Em Paris.






6. Já deram um tapa na sua bunda, gostou?
Sim, em criança. Não gostei nada.

7. Quem levaria para uma ilha deserta?

Nunca tive essa vontade de ir para uma ilha deserta. Gosto de estar rodeada de pessoas, gosto do convívio. 

 8. Quem você mandaria para o Iraque com uma camisa escrita " I love USA"?

Acho que preferiria deixar o povo iraquiano em paz, a reconstruir a sua vida.

9. O que deixa a sua vida de cabeça para baixo?

Quando mergulho em algo que me interessa muito...

10. Se alguém lhe dissesse que você poderia realizar um sonho agora, qual seria?

Voar como um pássaro ou nadar como um animal marinho.

11. Algo que gostaria de fazer, mas que não tem ou teve oportunidade?
Ser bailarina e também tocar bem um ou mais instrumentos musicais.




12. Você não sai de casa sem o quê?

Bem, eu aqui vou fazer minhas algumas das palavras de Canto da Boca:
Sem um livro, um caderninho para anotações e caneta, barra de cereal, água, e ...umas pratas para um café. 

13. Já beijou ou beijaria alguém do mesmo sexo?

Claro! acrescento mais alguma coisa? Pois, filha, mãe, irmãs, primas, tias.

14. O que estaria fazendo se não estivesse fazendo isto?

Provavelmente a acabar um post que comecei há dias sobre a Res publica ou República. Não o terminei porque resolvi dar prioridade ao tema 'Como fazer xailes para bebés'.

15. O que está pensando agora?
O que é que vou fazer para o jantar?


 

 

Passo o desafio aos seguintes blogs:

Da Cadeirinha de Arruar

Magia

Os meus óculos do mundo

Acordar Sonhando

Andradarte



BOAS RESPOSTAS!!!

***


Depois de terminado o post reparei que tenho de dedicar um tema às bloggers que me encomendaram as respostas ao questionário. Fui à procura de Clarice Lispector. Encontrei-a, aqui, neste apontamento:




Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.


Clarice Lispector




Imagens: Internet
Live blog: Um Farol Chamado Amizade
Citação de Clarice Lispector
O pensador

domingo, 27 de maio de 2012

Balanço da Semana da Lusofonia no Xaile

Eis-nos chegados ao fim desta Semana da Lusofonia no Xaile, uma semana de oito dias, por serem oito os países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP. Talvez daqui a algum tempo sejam nove esses países, na medida em que a Guiné Equatorial pediu a sua inclusão nesta Comunidade, declarando o Português uma das línguas oficiais do país.

Façamos agora o balanço das escolhas feitas, na certeza de que poderiam ter sido outras, dada a variedade, número e qualidade dos autores que escrevem em língua portuguesa. E... Parei precisamente aqui há sete dias.

Não tive a oportunidade de continuar este texto nem de fazer o referido balanço, ou de falar sobre a grande viagem do idioma que é a grande estrela neste périplo.

Assim, termino esta série, sem mais delongas, com um poema de Clarice Lispector, agradecendo a todos os que passaram por aqui lendo apenas ou também contribuindo com os seus comentários:

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz. 

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.


Clarice Lispector




Imagem:Internet