Chegámos então a este post XI e muitos mais poderiam ser que não chegaríamos a dizer o suficiente deste homem nascido em Campinas, Brasil, multifacetado, interventivo até às últimas consequências na vida social e política do seu país, também poeta, advogado, ensaísta, tradutor, jornalista, crítico de cinema. De tudo dando conta e em tudo se comprometendo na sua apurada consciência cívica.
Devo dizer que tive um prazer imenso na busca da peugada de alguns pormenores da sua vida e obra. Os poemas que atrás publiquei dizem bem da sua sensibilidade, do seu ritmo “no sentir, no pensar, no dizer”, do trabalhar do verso, tanto que o poeta Manuel Bandeira o considerou o maior em língua portuguesa.
Com efeito, nos últimos dias passaram pelos nossos olhos poemas maravilhosos, não todos os que seriam de justiça mas aqueles que, talvez, me falassem mais ao coração. E como não amar este Poeta?
Da sua permanência em Portugal, exilado, deixou as suas impressões em livro intitulado "O meu Portugal - Crônicas de um desterro". Desse livro, recolho algumas passagens* que espelham a sua alma de poeta e do seu reconhecimento por ter sido recebido como um herói, especialmente pelos seus pares.
Com efeito, nos últimos dias passaram pelos nossos olhos poemas maravilhosos, não todos os que seriam de justiça mas aqueles que, talvez, me falassem mais ao coração. E como não amar este Poeta?
Da sua permanência em Portugal, exilado, deixou as suas impressões em livro intitulado "O meu Portugal - Crônicas de um desterro". Desse livro, recolho algumas passagens* que espelham a sua alma de poeta e do seu reconhecimento por ter sido recebido como um herói, especialmente pelos seus pares.
“Lisboa é a caixa de cores com que maio costuma pintar as paisagens pequenas, todas salpicadinhas de tintas, desta Europa estreita, apertada, aproveitada.
Todas as cores moram aqui numa doidice harmoniosa.”
“Lisboa…Só Boa ? Não! É Lis…óptima! “
“Sobre o Tejo estanhado vagam as velas cor de açafrão…”
Mas também, Sintra:
“Nessas pedras o reflexo de tantas e tantas coisas que ellas viram e ninguém mais viu, que ellas sabem e ninguém mais…”.
E das origens portuguesas do povo brasileiro:
“A gota de sangue que daqui partira Martim Affonso de Souza, há quatrocentos anos, refluía no coração… era o regresso, o retorno, no refluxo das águas que a levaram, da gotinha de sangue, longo tempo refugiada, refugindo…”
E termino, por agora, transcrevendo mais este belo soneto, o XI, e claro, da obra "NÓS":
Vou partir, vais ficar. “Longe da vista,
Basta, porém, que o nosso amor exista,
para que eu parta e fiques sem cuidado.
Dentro em mim mesmo, o coração egoísta,
quanto mais longe, mais te quer ao lado;
tanto mais te ama, quanto mais te avista
e, antes de ver-te, já te havia amado.
Vou partir. Para longe? Para perto?
— Não sei: longe de ti tudo é deserto
e todas as distâncias são iguais.
Como eu quisera que, na despedida,
quando se unissem nossas mãos, querida,
nunca pudessem desunir-se mais!
Guilherme de Almeida
(1890-1969)
Veja:
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Imagem daqui
Imagem: aguarelas de Jorge Carmo
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